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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Beato Manuel Gonzalez Garcia - 04 de janeiro

Beato espanhol, bispo de Málaga, recebeu o título de apóstolo do tabernáculo. Dedicou sua vida para restaurar nos corações das pessoas o amor e a Eucaristia


A ternura e a piedade pelo Santíssimo Sacramento formaram na vida deste beato um conjunto inigualável. Abalado pela insensibilidade dos fiéis diante do tabernáculo, sua missão foi guiada por um desejo: restaurar no coração de todos o amor pela Eucaristia que havia sido abandonado.

Ele nasceu em Sevilha, Espanha, dia 25 de Fevereiro de 1877, em uma família cristã humilde. Foi o quarto de cinco filhos. Estudou no Colégio de São Miguel, fez parte dos "seis" da Catedral de Sevilha – um grupo de meninos que dançava e cantava nas solenidades de Corpus Christi e da Imaculada-. Isto marcou sua vida para sempre com o amor à Eucaristia e à Virgem Maria direcionando seus passos rumo ao sacerdócio. Recebeu este sacramento em 1901 das mãos do Cardeal -hoje beato- Marcelo Spinola. Dia 02 de Dezembro de 1902 durante uma missão realizada na cidade de Palomares del Rio, diante das dificuldades que ofereceu a missão, aconteceu o seguinte: "Fui direito ao Sacrário... e que Sacrário! Meu Deus! Que esforço teve que fazer a minha fé e a minha coragem para eu não sair correndo para a minha casa! Mas eu não fugi. Lá de joelhos ... minha fé viu um Jesus tão calado, tão paciente, tão bom, que olhava para mim ... me dizendo muito e me pedia mais, um olhar que reflectia o triste do evangelho... O olhar de Jesus Cristo nesses Sacrários é um olhar que penetra a alma e nunca é esquecido. Tornou-se para mim como um ponto de partida para ver, compreender e sentir todo o meu ministério sacerdotal".

Ele chegou em Huelva, em 1905, onde assumiu a paróquia de São Pedro. A indiferença das pessoas e as tensões ideológicas geraram uma situação muito complicada. Rezava fervorosamente, confiando plenamente em Deus. Diante do Sacrário perguntou: "Por onde eu começo, Coração de Jesus?". Com a visão aguda disse: "Temos que ganhar essas três ou quatro mulheres que ainda vêm para a Igreja". Ele conquistou a todos com sua simpatia proverbial. Em 1910 ele revelou seus anseios às colaboradoras mais próximas: "Permitam-me que, eu que invoco frequentemente a vossa solicitude de caridade em favor das crianças pobres e de todos os pobres abandonados, invoque hoje a vossa atenção e cooperação em favor do mais abandonado de todos os pobres: o Santíssimo Sacramento. Peço uma esmola de amor para Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento ... peço pelo amor de Maria Imaculada e pelo amor desse Coração tão mal correspondido, que as tornem as Marias desses Sacrários abandonados". Assim nasceu a "Obra para os Sacrários-Calvários" e outras fundações relacionadas com a devoção à Eucaristia para crianças, jovens, leigos, sacerdotes e religiosos. Sempre com a mesma aspiração: "Dar e buscar companhia para Jesus na Eucaristia.

Bento XV o nomeou bispo auxiliar de Málaga, diocese onde ingressou em Fevereiro de 1916 e em 1920 foi nomeado bispo desta cidade. Ele escreveu: "Eu não quero ser bispo mais que do Sacrário abandonado. Eu vou ser bispo de Málaga para dois desconsolados: o Sacrário e o povo. O tabernáculo, porque ficou sem povo e do povo porque ficou sem o Sacrário conhecido, amado e frequentado". A sensação de proximidade com o povo e a Igreja estava sempre presente. Ele andava pelas ruas, paróquias e escolas conversando com todos para levar em seu coração e na oração a realidade de cada um. Então, ele percebeu a necessidade de erguer um grande seminário, que ergueu em meio a inúmeras necessidades, respondendo a necessidade urgente de sacerdotes e a falta de um lugar decente para formação. Ele "projectou um seminário substancialmente eucarístico: no campo pedagógico, o estímulo mais eficaz; na ciência, o primeiro mestre e o primeiro sujeito; na disciplina, o inspector mais vigilante; no ascético, o modelo vivo; no económico, a grande providência; no arquitectónico, a pedra angular. Ele queria que ali se formassem "sacerdotes hóstias".

Na primavera de 1931 a violência chegou ao palácio episcopal que foi queimado junto com outros templos de Málaga. Forçado a fugir para salvar sua vida e a de outras pessoas, foi recebido pelo Bispo de Gibraltar até o final do ano quando voltou para Madrid. Sua última atribuição foi Palencia. Pio XI o encarregou da diocese, nomeando-o bispo da mesma em 1935. Em 1939, passando por Zaragoza, ficou gravemente doente. Dia 04 de Janeiro de 1940, ele morreu em uma clínica em Madrid, mas foi sepultado na Catedral de Palencia. Seu túmulo contém o epitáfio que ele escreveu: "Eu peço para ser enterrado ao lado de um Sacrário, para que os meus ossos após a morte, como minha língua e minha pena na vida, estejam sempre dizendo aos que passam: Aqui está Jesus! Aqui está! Não o abandone!". Ele foi beatificado por João Paulo II em 29 de Abril de 2001.


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