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sábado, 16 de janeiro de 2016

Anglicanos: a Igreja episcopal dos EUA é suspensa por três anos

ZENIT
O ramo da Igreja anglicana nos EUA ordenou em 2003 o seu primeiro bispo abertamente gay. Cardeal Koch: “Esperamos que se reencontre a unidade”.
Os primazes das 38 províncias anglicanas reunidos em Canterbury pelo arcebispo Justin Welby decidiram “suspender” durante três anos a Igreja episcopal norte-americana, ramo da Igreja anglicana nos EUA. Em 2003, a igreja ordenou seu primeiro bispo abertamente gay, Gene Robison.

O comunicado foi divulgado ontem à noite, antes da conferência de imprensa de hoje, após cinco dias de intenso trabalho a portas fechadas. O documento tinha vazado e os primazes decidiram publicá-lo na íntegra com antecedência para evitar “especulações”.

No texto, os líderes anglicanos enfatizam que os recentes eventos na Igreja episcopal reflectem uma mudança no cânone sobre o casamento que se afasta radicalmente da fé e do ensinamento seguido pela maioria das províncias anglicanas no tocante à doutrina do casamento. Eles reafirmam que, à luz do ensinamento da Escritura, a Igreja “apoia o casamento como uma união fiel para a vida inteira entre um homem e uma mulher”.

E acrescentam: romper de modo autónomo com este ensinamento é considerado por “muitos de nós” como “um afastamento da responsabilidade mútua e da interdependência implícita” que existe na comunhão anglicana. Por isso a decisão de suspender a Igreja episcopal por um período de três anos.

Especificamente, a Igreja dos EUA não pode mais representar a comunhão anglicana em organizações ecuménicas e inter-religiosas; os seus membros não podem ser nomeados ou eleitos para comités internos permanentes e, durante a participação nas reuniões da comunhão anglicana, não podem participar da tomada de decisões. Este facto é especialmente significativo porque, em 2018, deverá acontecer a Conferência de Lambeth. Foi decidida, ainda, a criação de um grupo de trabalho para restabelecer as relações e a confiança recíproca entre as Igrejas.

Comentando sobre o caso na Rádio Vaticano, o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, disse: “Eu estou contente de que não se tenha chegado a uma cisão, mas apenas a uma suspensão temporária. Espero que esse tempo seja usado para reencontrar uma unidade mais profunda na comunhão anglicana; de fato, nesta época ecuménica em que estamos todos à procura da unidade, cada nova separação representa um grande perigo e um grande desafio”.

“Eu acho que nós vamos continuar o nosso diálogo” – acrescentou o cardeal. “Os principais temas deste diálogo dizem respeito às mesmas questões; por um lado, a relação entre a Igreja local e a Igreja universal e, por outro, como encontrar maior unidade ao tratar das diferenças éticas: estes são os temas principais do nosso diálogo, que agora se tornaram visíveis na comunhão anglicana. Seria bom se o diálogo entre nós fosse de ajuda para a comunidade anglicana, para reencontrar a sua unidade”.

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