Decisão do reino foi tomada após ataque à embaixada no Irão, provocado pela execução de um líder religioso xiita
O Ministro das Relações Exteriores da Arábia
Saudita, Adel al Jubeir disse que seu governo cortou os laços com o
regime de Hasan Rohani devido ao ataque à embaixada e fixou um prazo de
48 horas para que os membros da missão diplomática iraniana deixem o
país.
A execução do clérigo xiita Nimr al Nimr, juntamente com outros 46
acusados de terrorismo, anunciada no sábado pela Arábia Saudita,
agravou a já tensa relação entre os dois rivais e entre as maiores
potências mundiais do petróleo.
Os xiitas, que são maioria no Irão e constituem 10 por cento da
população do reino saudita, protestaram em vários países do Oriente
Médio.
No Irão, centenas de manifestantes xiitas protestaram sábado na
embaixada saudita na capital, provocando um incêndio com bombas molotov.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irão, ameaçou: "a vingança
divina cairá sobre os políticos sauditos" e o presidente iraniano,
Hassan Rohani, criticou a morte do clérigo, mas condenou o ataque à
embaixada, que deteve 40 pessoas.
O porta-voz iraniano, Hossein Ansari, disse que Riad "utiliza apenas a
linguagem das execuções e a repressão" e acusou-os de "apoiar os
extremistas e terroristas".
Na Arábia Saudita, um país de maioria sunita, o porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores, Osama al Nugali, escreveu em sua
conta no Twitter que a punição não ocorreu porque eram xiitas, mas
terroristas. O Ministério das Relações Exteriores respondeu que "o
regime iraniano é o último no mundo que pode acusar os outros de apoiar o
terrorismo, porque é um Estado que patrocina o terrorismo e está
condenado pelas Nações Unidas e muitos outros países".
Internacionalmente, o medo é de que o conflito entre sunitas e xiitas prejudique a coligação contra o Estado islâmico.
Para a organização britânica de direitos humanos Reprieve, presente
na região, as execuções no país de maioria sunita são "alarmantes" e
considerou que Al Nimr e pelo menos quatro outras pessoas foram
executadas por razões políticas.
Alemanha, Itália, Inglaterra e França condenaram o uso da pena de
morte e os EUA e a ONU manifestaram preocupação com a possível escalada
de conflitos na região.
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