Francisco recorda o compromisso feito no Ano Novo: "Vence a
indiferença e conquista a paz" e convida novamente a ler uma passagem do
Evangelho todos os dias
O Santo Padre Francisco rezou a oração do Angelus
neste primeiro domingo de 2016, da janela de seu escritório no Palácio
Apostólico, diante da Praça de São Pedro repleta de fiéis e peregrinos
que o receberam com muitos aplausos. O Papa pronunciou as seguintes
palavras:
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
A liturgia de hoje, segundo domingo depois do Natal, apresenta-nos o
Prólogo do Evangelho de João, no qual se proclamou que "o Verbo - ou a
Palavra criadora de Deus - se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14).
Essa Palavra, que habita no céu, na dimensão de Deus, veio ao mundo para
que a escutássemos e pudéssemos conhecer e tocar com a mão o amor do
Pai. O Verbo de Deus é seu próprio Filho unigénito, feito homem, cheio
de amor e fidelidade (cf. Jo 1,14), é o próprio Jesus.
O evangelista não esconde a dramaticidade da Encarnação do Filho de
Deus, salientando que ao dom do amor de Deus se contrapõe a não
aceitação dos homens. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao
mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e
o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o
receberam. (cf. vv. 9-10). Eles fecharam a porta ao Filho de Deus. É o
mistério do mal que ameaça também as nossas vidas e que exige a nossa
vigilância e atenção para que não prevaleça. O livro de Génesis diz uma
frase que nos faz entender isso: diz que o mal "jaz à porta" (ver 4.7).
Ai de nós se o deixarmos entrar; seria ele que fecharia a nossa porta a
qualquer pessoa. Em vez disso, somos chamados a abrir a porta do nosso
coração à Palavra de Deus, a Jesus, para nos tornarmos seus filhos.
No Dia de Natal já foi proclamado este solene início do Evangelho de
João; hoje nos é proposto mais uma vez. É o convite da Santa Mãe Igreja
para acolher esta Palavra de salvação, este mistério de luz. Se a
acolhermos, se acolhermos Jesus, cresceremos no conhecimento e no amor
do Senhor, aprenderemos a ser misericordiosos como Ele. Especialmente
neste Ano Santo da Misericórdia, façamos com que o Evangelho se torne
cada vez mais carne também em nossas vidas. Aproximar-se do Evangelho,
medita-lo, encarna-lo na vida quotidiana é a melhor maneira de conhecer
Jesus e levá-lo aos outros. Esta é a vocação e a alegria de todo baptizado: mostrar e dar Jesus aos outros; mas para isso devemos
conhece-lo e tê-lo dentro de nós, como Senhor de nossas vidas. E Ele nos
protege do mal, do diabo, que está sempre agachado à nossa porta, em
frente ao nosso coração e quer entrar.
Com uma explosão renovada de abandono filial, nos confiamos mais uma
vez a Maria: a sua doce imagem de mãe de Jesus e mãe nossa, a
contemplamos nestes dias no presépio.
Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs,
Dirijo uma cordial saudação a vocês, fiéis de Roma e peregrinos que
vieram da Itália e de outros países. Saúdo as famílias, associações,
vários grupos paroquiais, em particular a de Monzambano, os crismandos
de Bonate Sotto e os jovens de Maleo.
Neste primeiro domingo do ano renovo a todos os bons votos de paz e
bem no Senhor. Nos momentos felizes e nos tristes, vamos confiar n'Ele
que é a nossa misericórdia e a nossa esperança! Recordo também o
compromisso que fizemos no Ano Novo, Dia da Paz: "Vence a indiferença e
conquista a paz"; com a graça de Deus, poderemos colocá-lo em prática.
Recordo também o conselho que dei muitas vezes: diariamente ler uma
passagem do Evangelho, uma passagem do Evangelho, para conhecer melhor
Jesus, para escancarar os nossos corações para Jesus e assim torná-lo
mais conhecido aos outros. Levar um pequeno Evangelho no bolso, na
bolsa: nos fará bem. Não se esqueça: todos os dias ler uma passagem do
Evangelho.
Desejo-lhes um bom domingo e bom almoço. E, por favor, por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Até logo.
in
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