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sábado, 5 de dezembro de 2015

COP 21 – Areia para os Olhos

Por estes dias, os jornais e as televisões falam muito das conferências que têm decorrido em Paris sobre as alterações climáticas. Não tenho estado muito atenta, mas parece que o objectivo é os principais líderes mundiais discutirem esta problemática do aumento da temperatura do nosso planeta e chegarem a alguns acordos que permitam, entre outras coisas, reduzir a emissão de gases de estufa e investir nas chamadas "energias limpas". Na televisão, passaram reportagens de activistas vindos de todas as partes do globo, desde a Indonésia até a Inglaterra, passando pela Índia, e todos se queixaram dos problemas das suas regiões, da poluição e da necessidade de se começar a investir em força em energias solares, eólicas e outras que tais. Nas notícias, fala-se que em determinadas regiões de África, o aumento da actividade terrorista tem escalado à medida que a água vai sendo cada vez mais escassa.
 
No entanto, nem uma única vez a temática da agro-pecuária foi abordada. Toda a gente tem medo de falar nisso, de dizer que o cultivo de cereais para alimentar as vaquinhas e os porquinhos que consumimos (e que chegavam para matar a fome no mundo inteiro e ainda alimentar mais uns quantos) está a destruir por completo a Amazónia e tantas outras florestas de uma forma irrecuperável, que a indústria da carne e do leite representam uma emissividade de gases de estufa de cerca de 18% (enquanto que os transportes na sua totalidade perfazem 12%), que as suiniculturas poluem tanto que existem centenas de rios por este mundo fora totalmente desprovidos de vida, que para produzir um quilo de carne bovina, é preciso gastar 15 000 litros de água. E a lista continua. Podia estar aqui o dia todo a dar exemplos de como este consumo absurdo de produtos de origem animal vai acabar com o nosso planeta, mas na verdade, não vejo bem para quê. Ninguém se interessa. Venha a sede, venha a fome, venham as guerras, as doenças, as bombas atómicas, acabe-se com isto tudo. Afinal, o futuro é só amanhã, e o que apetece mesmo hoje são uns secretos de porco preto com batatinhas fritas.
 





Rita Fernandes





1 comentário:

  1. Eu não tenciono deixar de comer em variedade. Respeito outros pontos de vista, mas jamais serei vegetariano, vegan, ou outra coisa qualquer do género. Eu sou apenas um entre milhões e não me vou culpabilizar por causa da agricultura funcionar como uma indústria e da economia de mercado forçar os agricultores a produzirem em massa por causa dos preços terrivelmente baixos que lhes pagam pela matéria prima, para depois intermediários como os grandes super-mercados lucrarem exponencialmente, também à custa de baixos ordenados e precariadade laboral. Em suma, por um lado existe a necessidade saudável de comer um pouco de tudo, por outro lado o egoísmo do sistema, por causa do aspecto do dinheiro, traz os aspectos negativos que sabemos.

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