Por estes dias, os jornais e as televisões falam muito das conferências que têm decorrido em Paris sobre as alterações climáticas. Não tenho estado muito atenta, mas parece que o objectivo é os principais líderes mundiais discutirem esta problemática do aumento da temperatura do nosso planeta e chegarem a alguns acordos que permitam, entre outras coisas, reduzir a emissão de gases de estufa e investir nas chamadas "energias limpas". Na televisão, passaram reportagens de activistas vindos de todas as partes do globo, desde a Indonésia até a Inglaterra, passando pela Índia, e todos se queixaram dos problemas das suas regiões, da poluição e da necessidade de se começar a investir em força em energias solares, eólicas e outras que tais. Nas notícias, fala-se que em determinadas regiões de África, o aumento da actividade terrorista tem escalado à medida que a água vai sendo cada vez mais escassa.
No entanto, nem uma única vez a temática da agro-pecuária foi abordada. Toda a gente tem medo de falar nisso, de dizer que o cultivo de cereais para alimentar as vaquinhas e os porquinhos que consumimos (e que chegavam para matar a fome no mundo inteiro e ainda alimentar mais uns quantos) está a destruir por completo a Amazónia e tantas outras florestas de uma forma irrecuperável, que a indústria da carne e do leite representam uma emissividade de gases de estufa de cerca de 18% (enquanto que os transportes na sua totalidade perfazem 12%), que as suiniculturas poluem tanto que existem centenas de rios por este mundo fora totalmente desprovidos de vida, que para produzir um quilo de carne bovina, é preciso gastar 15 000 litros de água. E a lista continua. Podia estar aqui o dia todo a dar exemplos de como este consumo absurdo de produtos de origem animal vai acabar com o nosso planeta, mas na verdade, não vejo bem para quê. Ninguém se interessa. Venha a sede, venha a fome, venham as guerras, as doenças, as bombas atómicas, acabe-se com isto tudo. Afinal, o futuro é só amanhã, e o que apetece mesmo hoje são uns secretos de porco preto com batatinhas fritas.
Rita Fernandes
Eu não tenciono deixar de comer em variedade. Respeito outros pontos de vista, mas jamais serei vegetariano, vegan, ou outra coisa qualquer do género. Eu sou apenas um entre milhões e não me vou culpabilizar por causa da agricultura funcionar como uma indústria e da economia de mercado forçar os agricultores a produzirem em massa por causa dos preços terrivelmente baixos que lhes pagam pela matéria prima, para depois intermediários como os grandes super-mercados lucrarem exponencialmente, também à custa de baixos ordenados e precariadade laboral. Em suma, por um lado existe a necessidade saudável de comer um pouco de tudo, por outro lado o egoísmo do sistema, por causa do aspecto do dinheiro, traz os aspectos negativos que sabemos.
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