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quarta-feira, 17 de junho de 2015

O mandamento do jornalista: não adulterar a verdade

Um conhecido seminário sobre deontologia da comunicação à luz do magistério de João Paulo II, Bento XVI e Francisco

Roma, 15 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Giuseppe Adernò

Palavras fortes e incisivas foram aquelas usadas ​​pelo bispo de Noto, Itália, mons. Antonio Stagliano, delegado regional da Conferência Episcopal da Sicília para as Comunicações Sociais, durante a aula de um curso de formação para jornalistas, promovido pela Ucsi (União católica da imprensa italiana), realizada sábado, 13  de junho, no Seminário de Noto.

A ética profissional do jornalista implica um dever fundado no ser, porém, numa sociedade que coloca em dúvida a afirmação do ser, porque prevalece o niilismo, reina o relativismo e canta-se o “vazio a perder”, torna-se difícil sustentar e buscar a verdade do ser e das coisas.

A atenção ao humano do homem é a regra, a linha de chegada e o ideal do jornalista, que dá voz à notícia verdadeira e se faz comunicador não só das belas palavras, mas de ideias e de ações que promovem o bem comum.

Na sociedade do hipermercado que exalta o consumo, que fecha a pessoa no bunker da solidão, na companhia de ferramentas tecnológicas que lhe permitem até mesmo comprar e gastar, sem sair de casa, de consumir tempo e energia usando os dedos e nem sempre a cabeça, verifica-se que cada um acredita estar jogando a própria partida de xadrez, fingindo jogar uma verdadeira partida.

O ser comunicativo, qualidade substancial e mais fundamental e constitutiva do homem, apresenta-se, de fato, como um fingimento que mostra muitas pessoas formalmente “conectadas”, mas “não em comunicação”, como a parábola da figueira mencionada no Evangelho, que tinha muitas folhas e não dava frutos (cfr. Lc 13, 6-9).

As características da comunicação – troca de interioridade, diálogo, gratuitidade – são apenas as expressões artificiais se não se procura profundamente a essência do homem que, na sua vocação global, é um “ser espiritual” comprometido na busca e no serviço a verdade.

Referindo-se à primeira tradução do sexto mandamento "Não adulterar”, traduzido depois para “Não cometerás adultério” e interpretado como “Não cometer atos impuros”, o Bispo pediu para os jornalistas “não adulterarem a verdade” a qual se apoia a notícia, não vender-se para seguir as modas do momento ou do patrão e não domesticar as notícias às regras do partido ou da corrente vencedora ou da moda.

A atenção para a verdade do homem, centrada no ser humano não pode ser adulterada com outras pseudo-verdades, vistas como sinais do progresso e da civilização, e muitas vezes em desacordo com os princípios e com os valores da natureza humana.

A natureza comunicativa da Igreja que tem o mandato de "anunciar o Evangelho" teve nas últimas décadas exemplos admiráveis ​​de "comunicadores" a começar por São João Paulo II, que soube valorizar os “sinais do progresso” e traçou o horizonte da autêntica deontologia na fruição dos modernos meios de comunicação, fundados em “critérios supremos da verdade e da justiça”. A participação corresponsável e o diálogo tornam tais meios “veículos de recíproco conhecimento de solidariedade e de paz”, “recurso positivo poderoso se colocado a serviço da compreensão entre os povos; uma arma destrutiva, se usados para alimentar injustiças e conflitos”.

O Papa Bento XVI destacou as ambiguidades dos meios, expressão da ambiguidade do progresso que oferece "novas possibilidades para o bem, mas ao mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal". A ditadura cultural avilta o potencial do pensamento e o caminho a seguir é uma "recuperação do dado antropológico da sacralidade do homem" e do humano.

A comunicação autêntica é marcada por palavras e silêncio, escuta e discernimento, caminho e guia no caminho da evangelização.

Para o Papa Francisco a comunicação se torna “encontro”, acolhida, lugar da morada murada, resposta à cultura do descarte, referindo-se à verdade que se alimenta com a beleza da caridade.

A simplicidade da linguagem imediata e direta do Papa Francisco, os seus “sermões humildes”, mostram, afirma mons. Stagliano, "uma mística da comunicação" que se transforma em uma verdadeira experiência de fraternidade.

Na Babel da comunicação que hoje permeia o mundo existe sempre uma negativa ação de descarte com relação àqueles que são excluídos do circuito e não se tornam parte da rede.

Aos “descartados da comunicação”, o jornalismo católico deveria ser capaz de dar resposta e atenção.




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