Um conhecido seminário sobre deontologia da comunicação à luz do magistério de João Paulo II, Bento XVI e Francisco
Roma,
15 de Junho de 2015
(ZENIT.org)
Giuseppe Adernò
Palavras fortes e incisivas foram aquelas usadas pelo bispo de
Noto, Itália, mons. Antonio Stagliano, delegado regional da Conferência
Episcopal da Sicília para as Comunicações Sociais, durante a aula de um
curso de formação para jornalistas, promovido pela Ucsi (União católica
da imprensa italiana), realizada sábado, 13 de junho, no Seminário de
Noto.
A ética profissional do jornalista implica um dever fundado no ser,
porém, numa sociedade que coloca em dúvida a afirmação do ser, porque
prevalece o niilismo, reina o relativismo e canta-se o “vazio a perder”,
torna-se difícil sustentar e buscar a verdade do ser e das coisas.
A atenção ao humano do homem é a regra, a linha de chegada e o ideal
do jornalista, que dá voz à notícia verdadeira e se faz comunicador não
só das belas palavras, mas de ideias e de ações que promovem o bem
comum.
Na sociedade do hipermercado que exalta o consumo, que fecha a pessoa
no bunker da solidão, na companhia de ferramentas tecnológicas que lhe
permitem até mesmo comprar e gastar, sem sair de casa, de consumir tempo
e energia usando os dedos e nem sempre a cabeça, verifica-se que cada
um acredita estar jogando a própria partida de xadrez, fingindo jogar
uma verdadeira partida.
O ser comunicativo, qualidade substancial e mais fundamental e
constitutiva do homem, apresenta-se, de fato, como um fingimento que
mostra muitas pessoas formalmente “conectadas”, mas “não em
comunicação”, como a parábola da figueira mencionada no Evangelho, que
tinha muitas folhas e não dava frutos (cfr. Lc 13, 6-9).
As características da comunicação – troca de interioridade, diálogo, gratuitidade – são apenas as expressões artificiais se não se procura
profundamente a essência do homem que, na sua vocação global, é um “ser
espiritual” comprometido na busca e no serviço a verdade.
Referindo-se à primeira tradução do sexto mandamento "Não adulterar”,
traduzido depois para “Não cometerás adultério” e interpretado como
“Não cometer atos impuros”, o Bispo pediu para os jornalistas “não
adulterarem a verdade” a qual se apoia a notícia, não vender-se para
seguir as modas do momento ou do patrão e não domesticar as notícias às
regras do partido ou da corrente vencedora ou da moda.
A atenção para a verdade do homem, centrada no ser humano não pode
ser adulterada com outras pseudo-verdades, vistas como sinais do
progresso e da civilização, e muitas vezes em desacordo com os
princípios e com os valores da natureza humana.
A natureza comunicativa da Igreja que tem o mandato de "anunciar o
Evangelho" teve nas últimas décadas exemplos admiráveis de
"comunicadores" a começar por São João Paulo II, que soube valorizar os
“sinais do progresso” e traçou o horizonte da autêntica deontologia na
fruição dos modernos meios de comunicação, fundados em “critérios
supremos da verdade e da justiça”. A participação corresponsável e o
diálogo tornam tais meios “veículos de recíproco conhecimento de
solidariedade e de paz”, “recurso positivo poderoso se colocado a
serviço da compreensão entre os povos; uma arma destrutiva, se usados
para alimentar injustiças e conflitos”.
O Papa Bento XVI destacou as ambiguidades dos meios, expressão da
ambiguidade do progresso que oferece "novas possibilidades para o bem,
mas ao mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal". A ditadura
cultural avilta o potencial do pensamento e o caminho a seguir é uma
"recuperação do dado antropológico da sacralidade do homem" e do humano.
A comunicação autêntica é marcada por palavras e silêncio, escuta e discernimento, caminho e guia no caminho da evangelização.
Para o Papa Francisco a comunicação se torna “encontro”, acolhida, lugar da morada murada, resposta à cultura do descarte, referindo-se à verdade que se alimenta com a beleza da caridade.
A simplicidade da linguagem imediata e direta do Papa Francisco, os
seus “sermões humildes”, mostram, afirma mons. Stagliano, "uma mística
da comunicação" que se transforma em uma verdadeira experiência de
fraternidade.
Na Babel da comunicação que hoje permeia o mundo existe sempre uma
negativa ação de descarte com relação àqueles que são excluídos do
circuito e não se tornam parte da rede.
Aos “descartados da comunicação”, o jornalismo católico deveria ser capaz de dar resposta e atenção.
(15 de Junho de 2015) © Innovative Media Inc.
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