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quarta-feira, 17 de junho de 2015

O Papa aos Escuteiros: "Onde a sociedade cria muros, vocês devem construir pontes”

Francisco recebeu na Praça de São Pedro 80 mil representantes da AGESCI, incentivando-os ao fervor missionário

Roma, 15 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Luca Marcolivio

"Não se vangloriem, mas vocês são um recurso valioso para a Igreja Italiana!”. Com estas palavras o Papa Francisco acolheu 80 mil representantes da Associação dos Guias e dos Escuteiros Católicos Italianos (AGESCI), recebidos por ele, na manhã do passado sábado, 13 de Junho, na Praça de São Pedro.

O "método scout", depois de várias décadas, mostrou-se, portanto, sempre válido “baseado nos grandes valores humanos, no contato com a natureza, na religiosidade e na fé em Deus”, educando “à liberdade na responsabilidade”.

Os escuteiros desde sempre oferecem “uma contribuição importante às famílias pela sua missão educativa com as crianças e os jovens”, incentivando os pais a confiar os seus filhos: "Esta confiança das famílias não deve ser decepcionada”, disse o Papa.

Francisco também recordou a “Carta da coragem”, redigida para expressar “convicções e aspirações” do Agesci e para dirigir “uma forte questão de educação e de escuta” às respectivas comunidades, aos chefes, às paróquias e à Igreja no seu todo.

Ao fundador dos escuteiros, Lord Baden Powell - recordou o Papa – em 1926 perguntaram: "O que tem a ver a religião (com os escuteiros)?” E ele respondeu que “a religião não tem necessidade de “entrar”, porque já está dentro! Não existe um lado religioso do Movimento escuteiro... A totalidade dele está baseado na religião, ou seja, na tomada de consciência de Deus e do seu Serviço”.

Na linha do fundador, portanto, a AGESCI está entre as associações de escuteiro que mais investem “no campo da espiritualidade e da educação na fé”, porém, acrescentou o Santo Padre, “ainda há muito trabalho a ser feito, para que todas as comunidades-líderes compreendam a importância disso e tirem as consequências”.

Congratulando-se pelas “boas iniciativas” levadas adiante pela Agesci – como, por exemplo, o método da “narração da vida vivida em comparação com a mensagem do Evangelho" - o Papa desejou que “não se trate de momentos esporádicos", mas de um "projeto de formação continue e capital, que penetre até o fundo do tecido associativo, tornando-o permeável ao Evangelho e facilitando a mudança de vida”.

Associações como AGESCI, “são uma riqueza da Igreja que o Espírito Santo desperta para evangelizar todos os ambientes e setores", continuou Francisco, dizendo-se “certo de que a Agesci pode trazer à Igreja um novo fervor evangelizador e uma nova capacidade de diálogo com a sociedade”.

Onde, na sociedade, "existe o hábito de construir muros”, os escuteiros responderão, criando “pontes” através do diálogo, reiterou de improviso.

Isso, no entanto, só poderá acontecer se “os grupos individuais não perderem o contato com a paróquia do lugar, onde têm a sua sede, mas que em muitos casos não frequentam, porque, embora desenvolvam lá o seu serviço, provém de outras áreas”.

A recomendação final do Papa aos membros do AGESCI foi estabelecer "relações de respeito e colaboração em todos os níveis com os seus bispos, com os párocos e outros sacerdotes, educadores e membros das outras associações eclesiais presentes na paróquia e no mesmo território", não se contentando com uma presença “decorativa”, limitada aos domingos ou às circunstâncias importantes.

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