Encontrando as famílias, por ocasião do
congresso diocesano anual, Francisco menciona os escândalos que
ocorreram na capital italiana e fez um novo apelo contra a "colonização
ideológica"
Roma,
15 de Junho de 2015
(ZENIT.org)
Luca Marcolivio
Uma forte advertência contra a corrupção que envolveu a cidade de
Roma e um novo apelo contra a "colonização ideológica" do
homossexualismo caracterizaram o discurso – em grande parte improvisado –
do Papa Francisco na ocasião da abertura do Congresso eclesial da
diocese de Roma, ontem, 14, este ano com o tema “Vos transmitimos o que
recebemos” (cfr. 1 Cor 15,3) – Nós, pais, testemunhas da beleza da vida.
Encontrando no começo da noite as famílias romanas na Praça de São
Pedro, o Pontífice brincou: “As previsões diziam chuva... é verdade: uma
chuva de famílias!”.
O Santo Padre destacou depois a necessidade de “transmitir a fé às
novas gerações desta cidade que, depois dos conhecidos acontecimentos,
tem necessidade de renascer moralmente e espiritualmente”, redescobrindo
o Evangelho, muitas vezes percebido como “uma bonita história” que,
porém, “permanece uma ideia e não chega ao coração”.
Os primeiros responsáveis da educação dos menores são os “pais”,
recordou o Papa, referindo-se, então, à "colonização ideológica" que
está colocando em confronto as escolas com muitas famílias. Colonizações
que "destroem a alma" e "destroem a sociedade, o país, a família",
portanto, "as famílias devem agir" para combater o fenómeno.
A este respeito, Francisco fez referência a um jovem católico, que
ele encontrou um par de semanas atrás, que, com sua esposa, está
comprometido em “recatequizar as crianças daquelas coisas que aprenderam
na escola”.
Em seguida o Santo Padre encorajou a redescobria a família por meio
do exercício da maternidade e da paternidade: “dando a vida, vocês
demonstram que o Evangelho é possível”, disse, dirigindo-se às mães e
aos pais ali presentes.
Tornar-se pais, acrescentou, é um “chamado de Deus”, uma “vocação”
que torna o homem e a mulher “semelhantes a Deus”, escolhendo-os para
“amar-se e transmitir a vida”.
A "beleza do amor", acrescentou o Pontífice, não está em “uma paixão
ou um entusiasmo passageiro”, mas especialmente no perdão. E mencionou
uma criança que um dia disse-lhe: “Que bonito, os meus pais se deram um
beijo!”. De fato, observou o Papa, “os vossos filhos vos observam e têm
necessidade de descobrir o quanto é bonito amar-se”.
Nos olhares e no entendimento dos seus pais, as crianças procuram
compreender o quanto se amam e “mais que numa casa de tijolos, moram no
amor recíproco dos pais”.
Refletindo sobre a paternidade, Francisco recordou que o seu primeiro
fundamento está na “diferença sexual”, que é a “primeira e fundamental
diferença constitutiva do ser humano” e que representa uma “riqueza” e
deve ser alimentada. Se a vocação do homem é “tornar a mulher mais
mulher”, a da mulher é “tornar o homem mais homem”.
Recordando temas abordados nas últimas audiências gerais, o Papa deu
conselhos sobre como lidar com eventuais crises conjugais: "Quando
surgirem os primeiros sinais, peçam ajuda, especialmente ao Senhor, que
vos dará a força para compreender que é possível vencer o mal e curar as
feridas”.
Na presença dos filhos, recomendou não usá-los "como reféns"; quando
um dos pais fala mal do outro para o filho, o condena a viver "uma
tensão que não sabe resolver" e a criança aprende "o caminho da
incompreensão”.
Em uma cidade onde os idosos, como apontou o próprio Papa,
representam o 21,5% da população, uma menção final foi aos "avós que são
a sabedoria e a memória" e que têm o mérito de salvaguardar a fé,
também em situações hostis, como nos regimes onde a liberdade religiosa
era negada e os idosos "secretamente levaram as crianças para serem
batizadas e ensinavam-lhes orações”.
(15 de Junho de 2015) © Innovative Media Inc.;
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