Na pregação do Pe. Ronchi nos exercícios espirituais do Papa e da Cúria,
recorda que Jesus não usa a lógica das categorias ou estereótipos
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| El Papa llega a Ariccia, para los ejercicios espirituales de 2016. (Foto copyright Osservatore Romano) |
Jesus não é moralista, nós é que moralizamos o Evangelho. Essa a
advertência do Pe. Ermes Ronchi, na quinta meditação dos exercícios
espirituais do Papa Francisco e da Cúria Romana, que estão sendo
realizados na Casa Divin Maestro de Ariccia.
Partindo da passagem do Evangelho na qual Jesus, enviado à casa de
Simão fariseu, rompe qualquer condenação e deixa que uma mulher, para
todos pecadora, chore em seus pés e os seque com os seus cabelos,
beijando-os e lavando-os com azeite perfumado. E diante da surpresa de
Simão, Jesus o repreende: “Olhe esta mulher” que, de pecadora se
converte na “perdoada que amou muito”. Dessa forma, o pregador indicou
que “na cena da casa de Simão o fariseu, se vê um conflito
surpreendente: o piedoso e a prostituta; o poderoso e a sem nome, a lei e
o perfume, a regra e o amor, em comparação”.
O erro de Simão – garantiu – é o olhar que julga. “Jesus, por toda a
sua existência ensinará o olhar que não julga, inclusivo, o olhar
misericordioso”. O pregador dos exercícios esclareceu que Simão coloca
no centro da relação entre o homem e Deus “o pecado, fazendo-o a coluna
vertebral da religião”. O erro dos moralistas de cada época, dos
fariseus de sempre. Jesus – recordou – não é moralista, porque coloca no
centro da pessoa com lágrimas e sorrisos, a sua carne dolorida ou
exultante, e não a lei. No Evangelho, como recordou o pregador,
encontramos mais frequentemente a palavra pobre do que pecador.
“Adão é pobre antes que pecador, somos frágeis e guardiões de
lágrimas, prisioneiros de mil limites, antes que culpados”. Somos nós –
advertiu – os que moralizamos o Evangelho.
A este respeito, disse que no princípio não era assim. O pe. Vanucci
explica muito bem: o Evangelho não é uma moral, mas uma chocante
libertação. E nos leva para fora do paradigma da plenitude, da vida em
plenitude.
Simão, o moralista, olha para o passado da mulher, vê “uma história
de transgressões”, enquanto que Jesus vê “o muito amor de hoje e
amanhã”.
Assim, o Pe. Ronchi explicou que “Jesus não ignora quem é, não finge
não saber, mas recebe. Com as suas feridas e especialmente com a sua
centelha de luz, é que Ele faz reviver”. O centro do jantar tinha que
ser Simão, piedoso e poderoso, porém, é a mulher. “Só Jesus é capaz de
fazer esta mudança de perspectiva, fazer este espaço para os últimos.
Jesus afasta do ponto focal o pecado da mulher e as faltas de Simão,
desconstrói, coloca-o em dificuldade como fará com os acusadores da
adúltera no templo”.
Se Jesus me perguntasse também a mim – disse Ronch – vê essa mulher?
Deveria responder: “não, Senhor, aqui vejo só homens”: Não é muito
normal isso, admitamos. Devemos tomar nota de um vazio que não
corresponde à realidade da humanidade e da Igreja”.
“Não era assim no Evangelho”, onde muitas mulheres seguiam e serviam
Jesus, mas “não a vejo seguindo-nos”, observou o pe. Ronchi.
“O que nos assusta que devemos ficar longe dessa mulher e das outras?
Jesus era sumamente indiferente ao passado de uma pessoa, ao sexo de
uma pessoa, não pensa nunca por categorias ou estereótipos. E acho que
também o Espírito Santo distribui seus dons sem olhar para o sexo das
pessoas “, disse.
Jesus, marcado pela mulher que o comoveu, não a esquece: na última
ceia retomará o gesto da pecadora desconhecida e apaixonada, lavará os
pés dos seus discípulos e os secará. “Quando ama, o homem realiza gestos
divinos, Deus quando ama realiza gestos humanos, e o faz com o coração
de carne”.
Finalmente, o pregador deu um conselho aos confessores: “É tão fácil
para nós quando somos confessores não ver as pessoas, com as suas
necessidades e a suas lágrimas, mas ver a norma aplicada ou violada.
Generalizar, empurrar as pessoas dentro de uma categoria, classificar. E
assim alimentamos a dureza do coração, a esclerocardia, a doença mais
temida por Jesus. Nos transformamos em burocratas das regras e
analfabetos do coração; não encontramos a vida, mas só nosso
preconceito”.
in

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