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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Volta ao serviço o embaixador turco junto ao Vaticano

A decisão de Ancara veio após um comunicado em que a Santa Sé afirma apreciar “o renovado compromisso da Turquia em tornar seus arquivos disponíveis para os historiadores”

  Igreja e Religião

ZENIT

Rompe-se o gelo entre a Santa Sé e a Turquia. Em 3 de Fevereiro, a sala de imprensa do Vaticano emitiu uma nota em que manifesta apreço pelo “renovado compromisso da Turquia em tornar seus arquivos disponíveis para os historiadores e pesquisadores a fim de se chegar conjuntamente a uma melhor compreensão dos acontecimentos históricos, da dor e do sofrimento vividos por todas as partes envolvidas em guerras e conflitos, incluindo os trágicos acontecimentos de 1915, independentemente da identidade religiosa ou étnica”.

Por “trágicos acontecimentos”, entende-se o extermínio da população arménia que o papa Francisco, em 12 de Abril do ano passado, tinha chamado de “primeiro genocídio do século XX”. Essa expressão utilizada pelo papa provocou um desencontro diplomático. A Turquia, em comunicado ao núncio apostólico, se disse “profundamente decepcionada” e convocou de volta ao país o seu embaixador junto à Santa Sé, Mehmet Pacaci.

Após o comunicado divulgado há dois dias pelo Vaticano, porém, o embaixador foi recolocado em serviço por parte de Ancara. A nota do Vaticano informa que “nesta manhã, ao final da audiência geral, o Sr. Rinaldo Marmara apresentou a Sua Santidade, o papa Francisco, uma cópia de seu livro ‘A Esquadra Pontifícia em Dardanelos – 1657’”.

O livro “é uma transliteração italiana e turca de um manuscrito do fundo Chigi da Biblioteca Apostólica Vaticana. Trata-se de um relato da frota pontifícia que participou da segunda batalha de Dardanelos em 1657”. Durante a apresentação do livro, nesta terça-feira, 2 de Fevereiro, o autor disse que “o seu objectivo era disponibilizar para historiadores e pesquisadores turcos uma importante documentação contida nos arquivos e na biblioteca do Vaticano. O livro, apesar das dolorosas memórias da história, ilustra a importância da pesquisa acadêmica e da abertura dos arquivos à investigação histórica em prol da verdade e das pontes de cooperação e compreensão mútua”.

A Santa Sé também fez menção ao assassinato, em Junho de 1977, de Taha Carim, embaixador da Turquia junto à Santa Sé. Sua morte, “por mãos de um grupo terrorista, nos impele a reconhecer também o sofrimento do presente e a condenar todos os actos de violência e de terrorismo, que continuam causando vítimas até hoje”.


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