Testemunho dramático de Pedro Terracina comove Assis
Em visita a Assis na quarta-feira (3), Piero Terracina, judeu que
sobreviveu a Auschwitz, depois de visitar o Museu da Memória, contou sua
terrível experiência durante a perseguição racial.
O testemunho teve lugar no salão da Espoliação diante do bispo da
diocese de Assis, Nocera Umbra, Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino,
do prefeito Antonio Lunhgi e dos alunos do ensino médio da Escola Santa
Maria degli Angeli e do ensino fundamental da Escola Properzio Assis.
Uma história comovente contada pelo próprio protagonista para não se
perder a memória daqueles terríveis anos que marcaram um triste capítulo
da nossa história. Terracina refez todos os percursos trágicos de sua
vida: da prisão ao esconderijo em Roma até a deportação para Auschwitz,
depois, a libertação pelos soviéticos e o retorno à Itália.
Todos os detalhes da história: a viagem de ida, que o levou a
percorrer “dois mil quilómetros, no caminho para a morte, com 64 pessoas
empilhadas em um vagão onde não havia espaço para sentar, obrigado a
fazer as necessidades em um balde que transbordava à noite”.
Perceptível nas palavras de Terracina a dor daqueles que viveram uma
tragédia inacreditável, que marcou sua vida e agora, ele se sente no
dever de contar aos outros para que “alguma coisa deste dia permaneça. A
memória é como um fio que passa através das gerações; e passa rumo ao
futuro. Saibam passá-la no futuro, porque o futuro pertence a vocês. Eu
espero que assim o passado não volte e que o conhecimento possa servir
para que o passado não se repita. Agora, esta é a minha missão”.
Apesar do desespero e da dor experimentados, também pela perda de
todos os seus entes queridos dos quais nunca mais ouviu falar depois da
deportação, Terracina destacou três sentimentos que marcaram a sua
reintegração social: a amizade depois das leis raciais e no campo de
concentração, a solidariedade das pessoas que o ajudaram após a
libertação, e a liberdade que todos deveriam desfrutar.
“Queridos jovens – disse ele – não se deixem atrair por falsos
ídolos. Pensem sempre com a cabeça e saibam dizer não para o mal uns
para com os outros”. Os estudantes ficaram profundamente comovidos e
levantaram várias questões, especialmente quando viram a marca “A5506”
no braço, com a qual ele começou sua segunda vida em Auschwitz.
“Desde aquele dia, eu não tinha mais um nome, eu era apenas um
número”. Dom Sorrentino, em seguida, agradeceu Terracina pelo
“testemunho, em um lugar de acolhimento, onde Dom Placido Nicolini
abraçou muitos judeus, salvando-os daquele triste fim. É importante
olhar para o passado para evitar que o que aconteceu no passado não
aconteça no futuro. Para tomar as medidas certas no futuro, devemos ter
uma bússola – acrescentou o prelado -. Vir a este local significa
avaliar-se com critérios. Nesta sala São Francisco não foi despido de
maneira bárbara, despojou-se de si mesmo para afirmar: “eu vivo uma vida
doada para amar”. Se seguíssemos os seus passos, de quem seguiu os de
Jesus, essas coisas não teriam acontecido, nem aconteceria o que está
acontecendo hoje. Como se constrói a paz – exclamou Dom Sorrentino – se
não somos capazes, pela graça, de estender o véu do perdão! “.
O bispo então presenteou Piero Terracina com alguns livros, incluindo
o “Laudato Si. Do Cântico do Irmão Sol à encíclica do Papa Francisco”. O
prefeito presenteou-o com o emblema da cidade de Assis e os jovens o
cercaram com muito carinho, pediram autógrafo, tiraram fotos e
agradeceram pelo testemunho.
in

Sem comentários:
Enviar um comentário