Associação defende «reflexão» face à importância das matérias em causa
Lisboa, 08 fev 2016 (Ecclesia) – A Associação dos Médicos Católicos
Portugueses (AMCP) apelou à “reflexão” na Assembleia da Republica sobre
as leis do aborto e da adoção por pessoas do mesmo sexo, após o veto
presidencial de Aníbal Cavaco Silva.
“Numa era de profunda crise política, de uma crise de valores éticos e
morais, uma reflexão aprofundada, como é proposto, sobre estes assuntos
só dignifica o Parlamento”, refere a organização, em comunicado enviado à
Agência ECCLESIA.
A AMCP manifesta o seu “apreço” pela decisão do presidente da República
Portuguesa, “dada a importância daquilo sobre que se pretende
legislar”.
“Tratando-se de legislação sobre aspetos fundamentais da existência
humana, a Assembleia da República é convocada para uma reflexão
democrática, que exige participação e responsabilidade, sobre princípios
éticos fundamentais que devem orientar as ações humanas, respeitando a
interligação entre os órgãos de soberania”, referem os médicos
católicos.
O presidente da República vetou as duas leis, que regressam ao Parlamento esta quarta-feira.
A AMCP “insiste” no interesse da reflexão em torno “do respeito pela
inviolabilidade da vida humana, protegendo-a de qualquer manipulação ou
instrumentalização, quer a nível físico, psicológico ou social”.
“Os médicos congratulam-se com os avanços manifestados na legislação
que tinha sido anteriormente aprovada a favor de medidas de proteção da
maternidade e da paternidade, sobretudo no que se refere ao apoio
prestado a todas as mulheres grávidas e à consagração do direito
constitucional de liberdade por parte dos médicos à objeção de
consciência”, pode ler-se.
Relativamente à admissibilidade da adoção por casais do mesmo sexo, a
AMCP vem reafirmar que “as crianças não podem se usadas e
instrumentalizadas ao serviço de interesses individuais”.
“Tal adoção acarreta consequências imprevisíveis para a criança, com
graves problemas para a construção da sua identidade psíquica e social”,
sustenta a associação.
O comunicado conclui-se com a afirmação da dignidade da pessoa humana
como “referência decisiva de legitimação de qualquer exercício de poder,
nomeadamente do poder legislativo”.
O presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses disse à
Renascença, por outro lado, que discorda da legalização da eutanásia e
defende que, caso se avance nesse sentido, é necessária a realização de
um referendo.
“Lamento que se tenha tomado esta iniciativa, mas uma vez que foi
tomada, não me passa pela cabeça que numa questão destas não se ouça a
opinião dos portugueses. Só o referendo é que poderá ser esclarecedor”,
disse Carlos Alberto da Rocha.
OC
in
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