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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Santa Eulália

“Querem cristãos? Eis uma.”


Interior da Basílica de Santa Maria del Mar. Foto: José Luiz Bernardes Ribeiro

Há 1726 anos nascia Eulália, final do século III – início do século IV, nas proximidades da cidade de Barcelona – Espanha. Provinha de uma família da nobreza espanhola e seus pais viviam numa vasta propriedade daquela movimentada corte.

Mais nobre ainda eram suas virtudes. Era facilmente reconhecida pela sua humildade, sabedoria, prudência e inteligência. Eulália era a caridade em pessoa e externava um extremo amor à Jesus Cristo, para o qual despendia muitas horas do seu dia em virtuosas orações. Gostava também de ficar no seu simples quarto, reunida com suas amigas, e ali entoavam cânticos e hinos de louvor ao Senhor, depois elas saiam para distribuir seus melhores pertences às crianças pobres.

Olhando somente para esses fatos da vida de Eulália, já poderíamos dizer: “Uma Santa!”. Mas os santos, como de costume, sempre nos surpreendem. E com Eulália não foi diferente…

Quando Eulália tinha 13 anos, começou em Barcelona uma grande perseguição aos cristãos, decretada pelos imperadores do Império Romano, Diocleciano e Maximiano. Esses imperadores se sentiram incomodados quando souberam da rápida propagação da fé cristã, nas longínquas terras espanholas, onde até então era rara esta fé. E mandaram o mais cruel e feroz de seus juízes, chamado Daciano, para acabar com aquela “superstição”.

Temendo pela vida de Eulália, seus pais decidiram levá-la para outra propriedade mais afastada, onde poderia ficar longe dos soldados que andavam pelas ruas a procura dos cristãos. Porém, Eulália considerou covardia fugir do poder que exterminava os seus irmãos cristãos. E assim, com sua intrepidez saiu altas horas da noite, e sem que sua família soubesse se apresentou espontaneamente ao temido juiz, como cristã. Consta inclusive que teria dito ao juiz Daciano: “Querem cristãos? Eis uma”. 

Eulália foi levada a julgamento por ordem dos imperadores romanos. Estes ordenaram que ela adorasse um deus pagão, dando-lhe sal e incenso, para que depositasse ao pé do altar. Ela, ao invés, derrubou a estátua do deus pagão, espalhando para longe os grãos de incenso e sal. A sua recusa a oferecer os sacrifícios deixou furioso Daciano, que mandou chicoteá-la até que seu corpo todo ficasse em chagas e sangrando.

Depois foi queimada viva aos 14 anos, no dia 12 de Fevereiro de 304, com as tochas dos carrascos. E em chama testemunhou: “Agora, vejo em mim as marcas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”. 

Com essa história de nos tirar o fôlego, para nós, hoje, é um exemplo de ousadia e de uma fé inabalável. Não renunciou a Jesus em meio ao sofrimento, a tanta dor, e aos deuses impostos.

O Papa Francisco na Missa celebrada dia 4 de Fevereiro disse que: “A fé é a maior herança que o homem pode deixar. É precisamente a fé que nos convida a não ter medo da morte. Que é só o início de outra vida”. Que esta herança que Santa Eulália nos deixou, nos remeta a uma profunda e corajosa reflexão de nossas vidas como cristãos. E nos perguntarmos: Como estamos vivendo nosso cristianismo? Quais sãos os imperadores romanos que ameaçam nossa fé em Cristo nos dias de hoje? E como temos nos comportados diante desses deuses que nos assolam?

Que todos nós possamos como Santa Eulália, deixar com a nossa vida, como melhor herança, a fé de que o único Senhor, o Rei dos reis, o Senhor de todos os dominadores, é Jesus Cristo de Nazaré! 

Santa Eulália, rogai por nós!


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