O presidente dos Estados Unidos denuncia a retórica islamófobica e
exorta os muçulmanos a denunciar as perseguições de outros grupos
religiosos
5 Fevereiro 2016 Notícias do Mundo
O presidente dos EUA, Barack Obama, viajou nesta quarta-feira para a
cidade de Baltimore (Maryland) para visitar, pela primeira vez desde que
tomou posse, uma mesquita do país.
Após o atentado de São Bernardino e o discurso de alguns políticos
republicanos que querem proibir a entrada temporária dos refugiados que
professam o Islão e tê-los sob vigilância, são muitos os muçulmanos que
expressaram os seus medos. Alguns fizeram-no escrevendo ao mandatário,
outros em actos públicos e um grande grupo fez saber ontem mesmo durante
sua longa estada na Sociedade Islâmica de Baltimore, cujas instalações
incluem um colégio de fundamental e médio.
Em seu discurso de quase 45 minutos, Obama reforçou o papel dos
muçulmanos nos Estados Unidos e pediu para que não sejam igualados de
nenhuma maneira com terroristas. “Somos uma única família norte
americana”, disse repetidamente.
Assim, o presidente alertou que os ataques contra a comunidade
islâmica destroem o tecido da sociedade norte americana e as garantias
constitucionais da liberdade religiosa. “Temos de enfrentar isso de
frente”, disse.
“Um ataque contra uma religião é um ataque contra todas as
religiões”, disse Obama. A retórica que mistura o terrorismo com as
crenças de uma fé inteira “não encontra vez” nos Estados Unidos, disse
ele.
A comunidade muçulmana é pequena neste país, apenas um por cento, por
isso, a grande maioria dos cidadãos não conhece directamente ninguém que
professe o Islão. Em muitas ocasiões, o retrato que têm dos fieis dessa
religião é o que “aparece nas notícias depois de um ato terrorista”,
explicou o presidente. Também o que desenham os personagens da televisão
e do cinema, e que às vezes, é distorcido, acrescentou.
Como americanos, disse Obama, todos temem a ameaça do terrorismo. Mas
“como muçulmanos americanos existe outra preocupação: que toda a
comunidade aponte-lhes ou culpe-lhes pelos actos violentos de alguns
poucos”.
Durante sua visita à Sociedade Islâmica de Baltimore, o presidente
traçou um amplo panorama histórico do papel desempenhado pelos
muçulmanos desde a fundação do país e aplaudiu as suas actuais
contribuições à sociedade norte-americana. O “Islão sempre fez parte da
América”, disse.
Aos jovens que estavam na plateia, Obama lembrou-lhes que se
‘encaixam’ aqui porque “formam parte dos Estados Unidos”. Ninguém deve
escolher entre ser muçulmano ou norte-americano; são muçulmanos
americanos, garantiu.
O presidente também disse estar ciente de que “é momento de
preocupação e medos” nas comunidades islâmicas. “A imperdoável retórica
política contra os muçulmanos não tem lugar no nosso país”, denunciou.
“Não devemos julgar a propaganda do terrorismo e não podemos sugerir que
o islão está na raiz do problema”, enfatizou.
Nesta situação, Barack Obama disse que “a melhor maneira de lutar
contra os terroristas é negar-lhes legitimidade e mostrar-lhes que aqui
não suprimimos o Islão”.
Finalmente, o presidente dos EUA pediu aos muçulmanos que denunciem
quando os perseguidos os perseguidos em qualquer parte do mundo são
outros, como os cristãos, ou começa-se o anti-semitismo. “Devemos ser
consistentes na denúncia da retórica do ódio e da violência”, disse.
“Não podemos ser espectadores do ódio”, concluiu.
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