Elisa Anna Gomez, que viajou dos Estados Unidos para a Itália,
explica o sofrimento experimentou após ter “alugado” o próprio útero a
um casal homossexual
“A fim de que os italianos caiam na real sobre o que é a maternidade
substitutiva”. Este é o cartão de visita que Toni Brandi, presidente de
ProVita Onlus, apresentou, junto com o senador italiano Lucio Malan,
durante uma conferência de imprensa no Senado, da americana Elisa Anna
Gomez.
Rosto de menina, Gomez é, na verdade, já uma mulher. É mãe de um
menino que faz parte da Força Aérea e de uma menina que estuda medicina.
Tem também uma terceira filha, que, porém, por um cruel jogo do
destino, não pode ver.
Enquanto narra o que lhe aconteceu, com a voz quebrada pela emoção um
véu de lágrimas cobre-lhe os olhos. A sua história é semelhante à de
várias outras mulheres, de Países em desenvolvimento, bem como das
periferias dos Estados Unidos ou do Canadá, que, para manter a própria
família estão dispostos a tudo. Inclusive a alugar o próprio corpo.
É 2006 quando Elisa decide oferecer-se em um fórum online como mãe
substituta. O faz no Estado em que mora, Minnesota, onde este tipo de
prática não é legalmente permitido. “Conheci vários casais – disse a
mulher – por meio de um site sem aconselhamento jurídico e escolhi um
casal homossexual”. Gomez fala de ter ficado impressionada com estes
dois homens, com os quais decide, então, assinar um acordo que, além de
garantir uma compensação, reconhece-a, para sempre, mãe da criança e a
garantia de estar sempre presenta na sua vida.
No entanto, como ensinam os latinos, verba volant (as palavras voam).
Também porque, sugere outro ditado latino, as aparências enganam. A
gravidez ocorre normal. Gomez carrega no ventre a sua filha com alegria e
com a confiança de que poderia vê-la frequentemente.
Mas as coisas mudam quando entra em trabalho de parto. O casal gay
começa a ficar do seu lado de forma mórbida. “Assim que nasceu a bebé,
imediatamente me senti ligada a ela, percebi que era minha filha e sabia
que não podia separar-me dela”, explica.
Os dois “clientes” parecem se preocupar com esta vínculo afectivo e se
oferecem para acompanhar a mãe e o bebé à casa, após receber alta do
hospital. Gomez aceita, sobe no automóvel e aqui compreende que a
atitude dos dois homossexuais mudou drasticamente.
Tentam tranquilizá-la, mas Gomez tem a impressão de que os dois
querem se livrar dela. Levam-na para casa e carregam consigo a sua
filha. “A partir daquele momento me senti como um mero fantasma de mim
mesma”, acrescenta. Mas, o verdadeiros fantasmas se tornam os dois
“clientes”. O casal – explica – “de improviso cortou as comunicações e
deixaram o Estado sem dar-me explicações”. Gomez não encontra consolo
nem sequer junto às autoridades que – afirma – “não me ajudaram,
tratando-me como se aquela menina não fosse minha”.
Tenta tomar medidas legais, mas está extremamente queimada. Depois de
um primeiro julgamento – diz ela – “o juiz disse que eu não era a mãe
de minha filha, mas apenas um doador genético”. A mulher decide apelar,
onde os juízes reconhecem a sua ligação de parentesco com a pequena, mas
estabelecem que ela deve deixar a criança com o casal homossexual.
O pesadelo não termina aí. Gomez – que é pintora e mantém sua família
realizando vários trabalhos – se vê forçada a pagar 600 dólares de
pensão alimentícia e é ameaçada de prisão se falasse ou escrevesse, nos
Estados Unidos, sobre o que lhe aconteceu. Aqui na Itália, onde é livre
desta censura de Estado, fala com as lágrimas nos olhos sobre os
sofrimentos da sua filha. “As ligações telefónicas que fiz ao casal
pouco depois do seu nascimento – diz – foram traumatizantes, porque
escutava o bebé gritar desesperadamente no fundo”.
“Fui ingénua”, reflecte amargamente Gomez, que declara não ter visto
mais a sua filha desde que essa tinha dois anos e meio e acrescenta:
“Tenho certeza de que milhares de mulheres, no mundo, sofrem o que
sofri”. São as muitas mulheres exploradas, forçadas pela violência ou
pela fome, a “alugar” o próprio útero. “Eu não sou uma escrava e minha
filha não é um objecto – diz – há leis contra a venda de partes do corpo
humano, e ainda assim a barriga de aluguel é aceita”.
E enquanto Gomez revela a sua história angustiante, no mesmo
edifício, na Sala do Senado da Itália, começou uma discussão sobre ddl
Cirinnà. “Conheço um pouco este texto – afirma a mulher americana – e
acho que a stepchild adoption fará muitas mulheres caírem na minha
situação”.
in

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