Enorme multidão no aeroporto de Ciudad Juárez; o presidente, Neto,
despediu-se. Desembarque em Roma previsto para as 14h45 (11h45 horário
de Brasília)
“O México é sempre cheio de surpresas”. Assim o Papa Francisco se
despede do país asteca, depois de ter celebrado uma simbólica Missa na
Ciudad Juárez, região limítrofe entre México e Estados Unidos. Do palco,
localizado a 80km da fronteira, o Pontífice agradece todos aqueles que
fizeram possível esta 12ª viagem apostólica internacional, que começou
com o histórico encontro em Cuba com o patriarca Kirill.
“Eu não gostaria de partir sem agradecer pelo esforço de todos
aqueles que fizeram possível esta peregrinação”, diz. E expressa a
própria gratidão, em particular ao “tantos servidores anónimos que no
silêncio deram o melhor de si para que estes dias fossem uma festa de
família”.
“Me senti acolhido, recebido pelo afecto, a festa, a esperança desta
grande família mexicana: obrigado por me terem aberto as portas das
vossas vidas, da vossa Nação”, acrescenta o Santo Padre, citando o verso
de uma poesia ‘Fraternidade’ do escritor mexicano Octavio Paz:
“Sou homem: duro pouco e enorme é a noite.
Mas olho para o alto: as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo: também eu sou escritura
e neste mesmo instante alguém me está decifrando”.
(Un sol más vivo. Antología poética, Ediciones Era, México 2014, p. 268).
“Usando estas belas palavras – diz Bergoglio – atrevo-me a sugerir
que o que nos decodifica e nos mostra o caminho é a presença misteriosa,
mas real, de Deus na carne concreta de todas as pessoas, especialmente,
das mais pobres e necessitadas do México”.
“A noite pode parecer-nos enorme e muito escura, mas nesses dias eu
pude constatar que neste povo existem muitas luzes que anunciam a
esperança. Pude ver em muitos os seus testemunhos, em muitos dos seus
rostos a presença de Deus que continua a caminhar nesta terra
guiando-vos e apoiando a esperança”, acrescenta. E confessa de ter “tido
vontade de chorar ao ver tanta esperança em um povo que sofreu”.
“Muitos homens e mulheres, com o seu esforço de cada dia, tornam
possível que esta sociedade mexicana não permaneça no escuro. São
profetas do amanhã, são sinal de um novo amanhecer”, diz. Por último,
invoca Maria, Mãe de Guadalupe, para que “continue a visitar-vos,
continue a caminhar por estas terras, ajudando-vos a serem missionários e
testemunhas de misericórdia e de reconciliação. Não se pode compreender
o México sem Ela”.
Depois da missa, o Papa deixou a área de exposição de Ciudad Juárez e
foi em carro coberto para o aeroporto internacional “Abraham González”,
por volta das 19h (hora local. 23h de Brasília).
Lá, uma nova multidão com centenas de fieis balançando os lenços com
as cores da bandeira mexicana, verde, branco e vermelho, ou a do
Vaticano, branco e amarelo, gritando frases como: “Se vê, se sente,
Francisco está presente!”, “Francisco, irmão, tu eres mexicano”, ou “O
Papa está aqui!”. Uma grande tela projectava imagens do Pontífice.
Na chegada, enquanto percorria os corredores, Bergoglio foi
carinhosamente “atacado” por um grupo de crianças que queriam saudá-lo e
abraça-lo. O Santo Padre parou e cumprimentou cada uma, também algumas
deficientes.
Presentes no aeroporto o presidente Enrique Pena Neto e sua esposa, a
delegação do Vaticano, guiada pelo cardeal secretário de Estado Pietro
Parolin, e a delegação do governo e representantes da igreja mexicana.
Depois de uma rápida cerimónia de despedida e a execução do hino
pontifício, Bergoglio embarcou em um Boeing 787-800 da Aeroméxico para
voltar para a Itália. A chegada está prevista, depois de 12 horas de voo, para as 14h45, horário local, de hoje.
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