| Fonte: Wiki commons, Zyzzzzzy |
Uma fotografia da dramática
situação na Síria feita pela Congregação que escolheu ficar em vez de
fugir, para apoiar jovens, famílias e crianças
Esta manhã faz frio em Aleppo, um frio quase glacial
e nós não podemos aquecer-nos pela falta de gasolina... Estamos
completamente sem eletricidade por mais de 50 dias. Felizmente a água,
estritamente racionada, voltou depois de uma interrupção de várias
semanas. O único caminho que liga a cidade ao mundo inteiro foi aberto
depois de um bloqueio de 13 dias...”.
Começa com estas notas dramáticas a carta que os ‘Maristas azuis’ de
Aleppo enviaram por causa do Advento. “Ontem a tarde – dizem na carta –
A.H., uma criança de 9 anos veio até nós. Levou mais de uma hora para
chegar. É o décimo de uma família com 12 filhos. Queria pão. Sua mãe o
enviou a nós para que lhe déssemos. Não parava de repetir: ‘Espero que
não seja defraudado’. Não será. Voltará feliz”.
Como ele muitas crianças vivem atualmente na Síria uma situação
precária, entre frio, fome, saúde ameaçada, insegurança. "No dia 20 de
novembro o mundo inteiro comemorou o Dia Internacional dos Direitos da
Criança", recordam os Maristas, “as crianças de Aleppo, como muitas
crianças do mundo, sofrem as atrocidades da guerra no momento em que os
grandes deste mundo procuram os seus interesses. O que dizer? O que
fazer? Como apoiar tantas e tantas crianças na miséria? Como oferecer a
estas crianças um apoio psicológico, humano e espiritual que
permita-lhes viver plenamente a sua infância?”.
A Congregação escolheu garantir-lhes uma educação de qualidade, “uma
educação na autêntica tradição marista, uma educação que segundo o
desejo do nosso fundador, São Marcelino Champagnat, faz da criança no
futuro ‘um virtuoso cidadão e um bom crente’”. Estão, também, os jovens
que devem ser apoiados e consolados, como a voluntária que perguntava ao
prior: “Por que estou perdendo os melhores anos da minha vida? Por que
não sou como todos os jovens do mundo? Por que não tenho o direito de
viver plenamente a minha juventude? Esta é a vontade de Deus? Por que
não ouve as nossas orações e as nossas súplicas? Apesar de toda a nossa
confiança Nele, não vemos o fim deste túnel...”.
Que resposta dar, a ela, e a tantos jovens? "Ouvi-los, apoiá-los,
tentar balbuciar palavras de confiança e de fé", dizem os Maristas
azuis. “Nem sempre é fácil! Os nossos jovens vivem angustiados...
procuram ir embora... deixar este inferno sem saída... Os pais pedem
conselho... o que dizer? Que resposta dar quando o quadro aparece sempre
mais ameaçador e angustiante. No céu de Aleppo, como no céu de toda a
Síria, terra de paz e civilização, as grandes potências se enfrentam...
Homens de todas as raças e nações, armas, aviões... O nosso país
tornou-se uma terra e um céu de confrontos. Os pais também estão
angustiados. Muitos dos seus familiares, ou amigos, já partiram para
outro país ou cidade síria".
Qual é futuro dessas pessoas? E por que sacerdotes e religiosos não
decidem ir viver em outra comunidade, em outro lugar, longe desta
situação dramática? "Para nós Maristas azuis - diz a carta - viver em
Aleppo é aceitar o risco de esperar... Esperar a paz, Esperar o retorno à
vida... Esperar o nascimento da civilização do amor... Neste tempo de
espera, neste tempo de Advento, para nós, tudo parece a espera de mais
de 2000 anos atrás. Uma espera cheia de perguntas. Um amanhã que não
chega. Nós ousamos estar juntos até o fim”.
"É verdade que muitas famílias, ao nosso redor, partem, estão vagando
como o casal e seu filho há 2000 anos. Eles andavam pelos caminhos do
mundo em busca de algum país seguro. Ao longo do caminho descobrem que a
única certeza com a qual poderiam viver é a sua fé em Deus”. “Nós
escolhemos permanecer ao lado do povo sírio que sofre, de servi-lo, de
testemunhar-lhes o amor de Deus, de ser testemunhas da luz em um tempo
de escuridão, testemunhas da paz em um tempo de violência inaudita”.
As atividades, portanto, continuam: “As cestas de alimentos são
distribuídas todos os meses, sem interrupção. Por ocasião das várias
festas (Aid Al Adha e Natal), distribuímos também sapatos e roupas a
todos os adultos e a todas as crianças das famílias que cuidamos”.
Continua também o projeto “gota de leite” que consiste na distribuição a
todas as crianças abaixo de 10 anos de idade de leite em pó ou leite
para recém nascidos. “Respondemos positivamente a qualquer pedido de
ajuda para aluguer. O nosso projeto ajuda completamente mais de 100
famílias refugiadas. Através do nosso programa de ajuda sanitária,
oferecemos apoio a muitos doentes que se dirigiram a nós para um
tratamento médico ou para operações cirúrgicas”, dizem os Maristas.
Também há o projeto “Feridos civis de guerra” que “continua a salvar a
vida de várias pessoas feridas pelas explosões dos morteiros que caem
diariamente nos bairros de Aleppo”; o centro de formação M.I.T. que
lançou o seu novo programa para os próximos dois meses; ou os três
projetos educacionais e de desenvolvimento “Quero aprender”, “aprender a
crescer” e “Skill School” que respondem às necessidades das crianças e
dos adolescentes.
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