Entrevista à presidente da Associação Portuguesa
“Se não prepararmos melhor o nosso Serviço Nacional de Saúde do ponto de vista de cuidados paliativos, não há maneira de ter futuro no SNS”, pois estaremos a gastar “muitos recursos” sem “tratar bem os doentes”. Quem é o diz é Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) que alerta ainda para a necessidade de formação de todos os profissionais de saúde nesta área e para a importância de haver mais cuidados de saúde pediátricos.
Trabalhando em equipa para trazer vida a pessoas doentes, em situação de extrema fragilidade, Catarina Pazes é enfermeira especialista em cuidados paliativos, trabalha na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo e dedica-se também à vida académica. Depois de ter concluído licenciatura em enfermagem, fez mestrado, assim como diversas pós-graduações, na área dos cuidados paliativos; neste momento, frequenta o doutoramento em cuidados paliativos na Universidade do Porto. Reconhecida pelos seus pares, foi eleita como presidente da APCP para o triénio 2024-2026.
Depois do “Vídeo do Papa” sobre os doentes terminais, fomos conversar com Catarina Pazes, continuando a série de entrevistas que o 7MARGENS tem dedicado à criação, vulnerabilidade e periferias.

Enfermeira Catarina Pazes: “Os cuidados paliativos são uma resposta ao sofrimento.” Foto © Maria do Sameiro Pedro
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Velai Comigo, antologia de ensaios e reflexões de Cicely Saunders. |

Equipa de Cuidados Paliativos da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo: a comunicação com a pessoa doente e a família tem um papel central. Foto © Maria do Sameiro Pedro
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Página da Rede Nacional de Cuidados Paliativos. |
7M – É isso que acontece agora?
A Rede está com problemas porque não há respostas em todo o país. Nomeadamente, ao nível da comunidade – ou seja, para os doentes que não estão dentro dos hospitais, que estão em vários sítios da comunidade –, não há uma resposta para todos. Não existem equipas comunitárias de suporte em todo o país que garantam as consultas no domicílio, a orientação dos profissionais que estão à volta destes doentes, etc.. Para a grande maioria dos doentes, continua a não existir. Dentro dos hospitais, continuamos a ter equipas intra-hospitalares – as equipas que se deslocam aos vários serviços onde os doentes podem estar – com escassos recursos e horários, com uma dificuldade na resposta por causa das várias limitações. A Rede está com problemas não só porque há menos equipas do que devia, mas também, e muito, porque as equipas que existem não têm as condições de que precisam. [Devemos] olhar para isto como absolutamente estratégico para o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde [SNS] – porque o é.
Um grande número de doentes que procuram diariamente o SNS tem necessidades paliativas e é uma área de necessidade muito importante. Necessidades paliativas são necessidades de alívio de sofrimento, de alguém que olhe para eles e consiga orientá-los naquele que é o percurso de uma doença que é crónica, que está a progredir. Grande parte dos doentes que procuram o SNS são doentes que estão com uma doença já conhecida e progressiva e que está a piorar ou que está a trazer muito stress e não estão a saber lidar com ele. Portanto, se não prepararmos melhor o nosso Serviço Nacional de Saúde do ponto de vista de cuidados paliativos, não há maneira de ter futuro no SNS, precisamente porque, respondendo de forma errada, gastamos muitos recursos, mas não estamos a tratar bem os doentes. E é isso que [está em causa] neste momento.
7M – Nesse contexto adverso, o que leva, ainda assim, a que alguém persista em trabalhar nesta área? Que atratividade é que tem, por exemplo, para a enfermagem, se eventualmente essa for a área que conhecer melhor?
É transversal aos vários profissionais que escolheram fazer cuidados paliativos e persistem nesta área. Quando temos encontros, congressos, jornadas, e até nas funções que tenho agora na Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, em que lido com colegas de vários pontos do país, verifico que há uma dedicação muito grande à área, por parte dos profissionais que a escolheram. Podíamos fazer um estudo sobre isso: o que é que leva as pessoas a escolher e o que é que leva as pessoas a persistir.
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Tese de mestrado de Catarina Pazes, disponível no repositório da Universidade de Lisboa. |
Posso-lhe responder por mim. Primeiro, e penso que é transversal, a descoberta que fazemos quando realizamos a formação específica em cuidados paliativos, de uma resposta para aquilo que achávamos que não tinha resposta ou para aquilo em que tínhamos tanta dificuldade em encontrar respostas. E, de repente, temos várias ferramentas, várias soluções para problemas que para muitos são problemas que não têm solução. E nós temos solução, temos a forma de lidar.
Essa descoberta, primeiro, anima-nos imenso; depois, quando começamos a aplicar aquilo que aprendemos com os doentes, temos um retorno que mais nenhuma área dá. Ou melhor, poderá haver áreas parecidas ou até áreas em que as pessoas digam o mesmo, mas não há uma sensação de retorno tão grande. E isto dito por vários profissionais que também já trabalharam noutras áreas.
Essa gratidão que nós percepcionamos vinda de quem recebe os nossos cuidados é recíproca, porque também sentimos um agradecimento. Eu agradeço sempre ao doente e à família. No final de cada visita agradeço, porque confiam em nós, porque nos permitiram ajudar um bocadinho em toda esta vivência e toda esta situação. E as pessoas normalmente dizem “quem tem a agradecer sou eu”. Mas é genuína esta sensação de gratidão da parte de quem lida. Isso alimenta muito, acaba por compensar muito – se calhar inteiramente –, as dificuldades, os constrangimentos, as injustiças, aquilo que nós vamos encontrando de difícil no caminho, enquanto profissionais da área.

Catarina Pazes: “É uma compensação enorme termos escolhido cuidados paliativos.” Foto © Maria do Sameiro Pedro
Exige um trabalho importante dentro de nós, que é uma compensação enorme por termos escolhido cuidados paliativos, porque nos permite um contacto connosco próprios, com a nossa fragilidade, com a nossa vulnerabilidade. Estamos constantemente a pôr-nos no nosso lugar: somos só mais um. Estamos sempre a reconcentrarmo-nos no sentido de relativizarmos a importância que as coisas têm. Esse trabalho diário que fazemos também cá dentro vai-nos permitindo trabalhar com as pessoas, com as famílias. Isso é algo que nos leva a um lugar que é “eu não consigo imaginar-me fazer outra coisa, não consigo imaginar-me a trabalhar noutra área, não consigo, não é possível”.
Mas, mesmo quando tudo tem possibilidade de correr bem, há neste percurso o medo, o receio e a angústia. Há a possibilidade de as coisas não correrem bem, há a possibilidade de a morte ser mais cedo do que se esperava ou do que se desejaria. Essa consciência leva-nos muitas vezes para assuntos que normalmente não abordamos.
O que nos dá força, o que nos dá sentido, o que nos importa, o que nos dá uma esperança, aquilo que nos sustenta, aquilo que nos agarra – e aquilo que nos tira força, por outro lado também, aquilo que nos tira energia, aquilo que nos tira capacidade de viver as coisas – é falamos sobre estes assuntos. E de repente, cada um dos profissionais, à sua medida e dentro daquilo que é a sua intervenção (um psicólogo naturalmente fará isto de uma forma diferente de mim, que sou enfermeira), mas o objetivo de todos é que aquela pessoa consiga ser feliz apesar da doença, que consiga ser plena. Todos nós temos esse objetivo.
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Página da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos. |
7M – Mas sempre com intervenções diferentes…
Somos seres espirituais, não há volta a dar, independentemente de o assumirmos ou não, ou de falarmos sobre o assunto. A espiritualidade faz parte do ser humano; é o que nos diferencia verdadeiramente de qualquer outro animal. Mas sermos espirituais e abordar esses temas faz-nos aprofundar, na relação. Claro que o tempo que temos de acompanhamento de um doente diferencia a profundidade da relação, assim como se o doente quer ou não ter essa abordagem. Mas é muito frequente este lado mais humanizado da relação profissional de saúde/doente, a par de um rigoroso controlo de sintomas, por exemplo.
Ninguém consegue falar destas coisas se não tiver a dor controlada ou se estiver a vomitar ou se tiver contas para pagar… São muitas dimensões e todas elas contribuem para um aumento ou uma diminuição da esperança ou da capacidade para viver bem aquela situação difícil. Nós somos apenas uma parte da ajuda, mas é preciso conhecer a situação, mesmo que nós não tenhamos a solução para todas as coisas. Se eu tiver um filho com problemas na escola, ao mesmo tempo tenho o meu marido que ficou desempregado e tenho um cancro, como é que se tem esperança? Mas é possível. Então, se eu não conhecer nada disto, essa é uma questão que está reprimida.
7M – Portanto, a multidisciplinaridade vem das respostas ao contexto da pessoa.
É outro papel importante da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, é precisamente informar e desmistificar tudo isto para que as pessoas sejam mais capazes de tomar as suas decisões, mais informadas, com um sentido crítico para as coisas. E também com um sentido crítico perante uma “equipa de cuidados paliativos” e que não esteja a garantir aquilo que eu estou a dizer. A pessoa pode dizer assim: “A mim disseram que cuidados paliativos implicavam apoio à família, controlo rigoroso dos sintomas, comunicação adequada, trabalho da equipa. Eu não vejo nada disto aqui. Eu aqui só vejo um enfermeiro, só vejo um médico que vem aqui de vez em quando e que pergunta se a minha dor está melhor. Isto não é ‘cuidados paliativos’, pois não?” É preciso ter esse sentido crítico e essa exigência. “Eu quero mais. A mim disseram que cuidados paliativos era mais que isto.” É muito importante, porque só assim é que as coisas evoluem e se diferenciam e há mudança e cuidados.
Mas esta forma organizada de prestação de cuidados centrados na pessoa, dirigidos ao alívio do sofrimento que decorre de uma doença, é muito recente, comparativamente com outras áreas. E isso depois nota-se naquilo que é o nosso dia a dia. Todos os dias temos de explicar o que são cuidados paliativos. Todos.
Não há dia nenhum que não seja preciso explicar “olhe, o que a nossa equipa faz é isto”. Porque, às vezes, confundem-nos com uma equipa do apoio domiciliário ou do centro de saúde que vai a casa fazer não sei o quê. Todos os dias temos de explicar às pessoas em geral e aos nossos próprios colegas “olhe, a nossa equipa o que faz é isto”.

Catarina Pazes: “Os cuidados paliativos pediátricos são uma área muito sensível para nós.”
Foto © Maria do Sameiro Pedro
Nós pensamos muito em cancro, mas o grande número de crianças com necessidades paliativas são crianças com doença neurológica, com problemas de desenvolvimento, crianças que têm uma carga de dependência e de dificuldades ao longo de todo o crescimento. A isto acresce a angústia, o medo do que pode acontecer, porque estamos sempre perante a fragilidade de uma criança com problemas graves, para uma família, pai, mãe, irmãos, que estão a lidar com toda a situação. Se tivermos profissionais preparados para ajudar esta família a lidar com isso, é diferente de só termos isto em Lisboa e só ter uma consulta de vez em quando, indo a Lisboa.
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Página da APCP para apoio aos cuidados paliativos das crianças. |
É preciso conhecer por dentro. Para isso, ou se trabalha na área e se está muito embrenhado nisto, ou se receberam cuidados em algum momento e, a partir daí, ficamos comprometidos com o tema. Outro dia, estava a participar num programa no Porto Canal, entrevistaram uma pessoa na rua e perguntaram-lhe “acha que devia ser dada mais prioridade aos cuidados paliativos?” Resposta: “Oh, então não há dinheiro para as outras coisas, vai haver para isto?” Ou seja, isto é realmente visto como uma coisa menos importante ou menos prioritária, até pela população em geral.
A maior parte das pessoas que estão na urgência não era preciso lá estarem? Provavelmente não. Provavelmente deveriam ter outra resposta, num outro local, com outro tipo de condições. Como isso não existe, têm esta. E nós continuamos a dizer que queremos mais urgências, mais médicos de urgência, mais enfermeiros de urgência, mais respostas de urgência. Fechamos tudo à volta para reforçar a urgência. É difícil sair deste círculo. Porque se não melhoramos nada à volta, é difícil as pessoas acreditarem que é melhor ficar em casa. Como é que é melhor ficar em casa? A sofrer?
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Padre António Pedro Monteiro, assistente espiritual num hospital, com uma pessoa doente: os cuidados paliativos têm uma dimensão humana e ao mesmo tempo espiritual, diz Catarina Pazes. Foto © António Marujo/7MARGENS. |
Recebi uma chamada de um doente que falara com o oncologista e tinha recebido uma má notícia. É um senhor do meio rural, tem tido uma boa relação connosco, porque melhorou bastante dos sintomas físicos, e disse “vocês foram a minha sorte”. Entretanto, agora recebeu uma má notícia e disse “Fiquei em baixo. Já viu, enfermeira? Fiquei tão em baixo com esta notícia. Eu sabia. Mas você já sabia que tinha alguma coisa, não é?” “Sim, eu sabia, mas não sabia que era tão grave. Amanhã nós passamos aí, para falarmos pessoalmente mais um bocadinho. E conta connosco.” “Pois, eu sei que conto convosco”. E conta connosco, independentemente do que acontecer. E nós dizemos isto como um compromisso em que acredito mesmo para que as pessoas também sintam esse compromisso.
Felizmente, tive o privilégio de estar próxima durante vários anos da Irmã Céu [Valério, da Congregação das Oblatas do Divino Coração]. E isso possibilitou algumas reflexões com ela sobre estas coisas. Foi-me ajudando a posicionar de uma forma mais consciente de como faz todo o sentido eu ser católica e crente, como isto faz todo o sentido na minha vida e como encaixa tão bem no meu trabalho a possibilidade de estar ao serviço, de me colocar ao serviço e poder oferecer isto todos os dias.
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Catarina Pazes (a terceira à direita) com Cristina Galvão e a irmã Céu Valério (as duas à sua esquerda): “Foi-me ajudando a posicionar de uma forma mais consciente de como faz todo o sentido eu ser católica e crente.” Foto © Arquivo pessoal de Catarina Pazes. |
Isto é um privilégio tão grande, do ponto de vista da pessoa que é católica. Na Quaresma, [fomos] convidados à renúncia quaresmal. Eu posso fazer isto todos os dias. Todos os dias renuncio a mim própria. Todos os dias renuncio com consciência, mas sem culpa. Sem “ai, agora estou a fazer isto a mim própria, que horror”. Aquela coisa de “ai, estás a tirar às tuas filhas, a tua atenção, estás a tirar à tua mãe, estás a tirar à tua família”. Às vezes, [pergunto-me]: “será que eu estou a fazer isto para alimentar o ego?”. Há uma reflexão profunda sobre isto tudo. Mas o poder entregar isto e dizer “estou ao serviço”, poder oferecer isto todos os dias, sem precisar de falar disto com ninguém, é um privilégio.
Falava disto com a irmã Céu, que tinha também uma maneira de estar nesta área, ao serviço dos mais frágeis, ela estava muito… a partir do momento em que conheceu os cuidados paliativos, é como se tivesse conhecido uma boa nova. “Então, é possível? É isto que é preciso para aqui, para as pessoas que estão aqui no lar [D. José do Patrocínio Dias, em Beja]. É isto que as pessoas mais frágeis precisam. Como é que não percebem uma coisa que é tão evidente? Toda a gente saber fazer isto para as pessoas viverem melhor o tempo que têm. Sejam anos, sejam dias”. E, então, ao compreender isso e ao ter querido saber mais desta área, também me ajudou a mim a saber mais e a estar mais por dentro daquilo que é a forma de um católico estar.
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Textos Escolhidos, de Cicely Saunders. |
A Irmã Céu, perante alguém que estava no fim da vida, ensinou-me como aquele espaço era tão importante, tão único. E como ela me dizia: “a mim, quando as pessoas estão nesta fase, apetece-me ajoelhar. Porque é Cristo”. É fragilidade no limite, quando estamos quase a partir para outra dimensão, para a vida eterna, mas estamos a fazer a passagem, deixamos um corpo frágil, doente.
Isto quando estamos a falar de uma morte que é esperada: estamos à espera que aconteça a qualquer momento. Estamos perante um corpo doente, frágil, vulnerável, completamente dependente do que os outros fizerem. Quando tudo tem de ser muito sensível, quando tudo tem de ser muito cuidadoso para não fazermos mal, para não fazermos sofrer alguém que já está tão, tão, tão… É mais fácil quando integramos isto na vida, com consciência de que esta pessoa não é alguém que é inferior a mim. É exatamente como eu um dia serei, se tudo correr bem – ter isto presente sempre. Um dia tenho de estar nesta situação e alguém há de estar a ajudar-me também. Portanto, é pensar muito nessa dimensão humana e que, ao mesmo tempo, tem um lado espiritual. Do ponto de vista de quem é crente, como pode ser aproximar-se mais de Cristo, aproximar-se mais de ser superior àquilo que é, porque já está a caminho…
Claro que as mortes são todas muito diferentes, mas a nossa função é permitir que a pessoa viva o mais plenamente possível, em qualquer fase e também nessa. Qualquer colega meu que não tenha fé não tem diferença em relação a mim, no rigor, no humanismo, na entrega, na qualidade, não tem. Não tem diferença.
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Catarina Pazes e Cristina Galvão: “Uma oração que é ação.” Foto © Maria do Sameiro Pedro |
Depois, estava a falar nisso com uma colega, que não é crente, e que tinha ido fazer essa visita anteriormente. Estava a dizer-lhe “A senhora abraçou-me, e foi um momento tão… é abraçar a minha própria vulnerabilidade naquele momento; nós somos tanto, mesmo nesta vulnerabilidade tão grande”. E ela disse-me: “Eu também chorei na minha visita a essa senhora. Também me emocionei assim”…
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Imagem da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos no Facebook. |
Quando nos conhecemos e começámos a trabalhar juntas, a Cristina uma vez disse “Catarina, tu tens um dom”. Porque eu estava a começar a trabalhar em cuidados paliativos de forma oficial, pouquíssimo tempo depois de ter feito o mestrado. Eu não tinha experiência. Mas, a falar com as pessoas, com os doentes, tinha uma forma de fazer isso com cuidado, com respeito, com verdade. Conseguia misturar isso, e eu sei que consigo fazer isso, hoje consigo identificar, mas na altura não sabia. Não sabia que tinha essa capacidade.
Percebi que isto é muito mais do que a nossa dedicação, o nosso esforço. É algo que nós descobrimos e depois pomos ao serviço. E cada um de nós tem os seus dons para pôr a render. Escolhi esta profissão e ainda bem que isto se orientou para eu poder exercer algo que ajuda as pessoas e a mim própria perante a vulnerabilidade e a fragilidade.
Aquilo que eu gostaria que acontecesse era que a Igreja toda – os leigos e também o clero – tivesse esta consciência, esta reflexão, até porque há muitas oportunidades para que os padres, as pessoas que estão na vida religiosa, usem este conhecimento e ponham este conhecimento ao serviço. Porquê? Porque eles estão muitas vezes envolvidos em respostas sociais, em respostas em que há pessoas com doença, em respostas às pessoas com mais fragilidade e vulnerabilidade, em respostas às pessoas que estão no fim da vida. E, portanto, muitas destas pessoas que são da Igreja e têm responsabilidades a estes níveis devem ter também esta consciência e este saber na área da abordagem paliativa, centrada na pessoa, no alívio do sofrimento. Devem saber que pôr isto ao serviço das pessoas é essencial para que as pessoas possam viver plenamente a vida que têm, mesmo quando a vida está marcada por uma doença. Isto é fundamental e tem de ser uma lição de todos.
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