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sábado, 12 de dezembro de 2015

Santa Maravilhas de Jesus - 11 de dezembro

Esta fundadora carmelita, que alegremente abraçou a cruz, teve como modelo dois outros membros da Ordem: Teresa de Ávila e João da Cruz. Seu desejo era simplesmente cumprir a vontade de Deus a cada momento


Por seu vigor pessoal, espiritual e apostólico foi possível apreciar em Maria das Maravilhas de Jesus Pidal e Chico de Guzman, traços que caracterizam também a grande santa espanhola, fundadora e professora, Teresa de Jesus. Mergulhada no amor a Deus e ao próximo, sempre soube que sendo fugaz a existência, tudo o que restava era pensar no outro: "procurar agradar a Deus, nosso Senhor e a seu julgamento; o que conta é apenas o que somos diante de nosso Deus".

Nasceu em Madrid, Espanha, em 4 de novembro de 1891. Pertencia a uma família aristocrática muito religiosa. Era a quarta e última filha do marquês de Pidal. Seu pai foi sucessivamente Ministro do Desenvolvimento e embaixador da Espanha junto à Santa Sé; atuou em nome da Igreja, destacando-se por suas iniciativas apostólicas. Sua mãe, também comprometida eclesiasticamente, estava relacionada com a mais alta nobreza, sendo assim, Maravilhas recebeu uma excelente educação. Esculpida na fé e no refinamento espiritual que reinou em casa, deu um exemplo de caridade tentando aliviar as graves carências de pessoas que não tinham meios financeiros.

Seus modelos de vida eram dois grandes santos: Teresa de Ávila e João da Cruz, expoentes da Ordem Carmelita. Determinada a seguir o mesmo caminho, sentindo-se profundamente comovida pelo amor de Jesus Cristo e alentada por sua devoção a Maria, aos 21 anos ela consagrou sua castidade privadamente. Mais tarde, em 12 de outubro de 1919, entrou para o mosteiro carmelita de El Escorial; professou em 1921. De seu cunho apostólico que emanava do sacrário, diante do qual rezava sem impor qualquer limite, nasceu a fundação do Carmelo em Cerro de los Angeles, lugar emblemático e ponto focal do território espanhol. Ali foi erguido o monumento em honra ao Sagrado Coração de Jesus, e a Espanha foi consagrada a Ele pelo rei Alfonso XIII em 30 de maio do mesmo ano.

Para iniciar o trabalho, a santa teve a aprovação do bispo de Madrid-Alcalá. A fim de lidar com os preparativos, ela se estabeleceu em Getafe com outras religiosas. Em 1926 teve lugar a abertura do convento; ela foi eleita superiora da comunidade. Rapidamente foram abençoadas com muitas vocações, momento em que ela vislumbrou um sinal para continuar difundindo o Carmelo. Mas em 1936 a guerra civil eclodiu e a comunidade sofreu muitos choques.

Sem medo da morte, com generosidade e coragem que emanava de sua fé, ela se ofereceu heroicamente a Pio XI para defender a imagem do Sagrado Coração, no caso de atentado. O Papa aceitou sua proposta, mas as freiras foram presas e levadas para o Getafe. Depois de um longo ano de grandes angústias suportadas em um apartamento em Madrid, elas foram obrigadas a sair da cidade. Nessa caminhada, elas chegaram a Lourdes e depois foram para a região de Salamanca em 1937. A bela paisagem de Batuecas, à época um local inóspito e afastado, foi a casa delas até 1939, quando retornaram para Cerro de los Angeles, devendo restaurar o que tinha sido a sua casa antes da contenda. Ao longo deste período turbulento, Maravilhas deu testemunho de temperança e fortaleza, infundindo confiança e alegria ao seu redor. Novamente no convento, as vocações brotaram abundantemente e com elas a desejada expansão apostólica que se fez notar em várias províncias espanholas e na Índia, com a abertura de novas fundações, dez ao todo, empreendida por esta santa carmelita.

Espiritualmente foi um exemplo de mulher asceta, considerada uma grande mística. Como no elenco dos homens e mulheres que compõem o santoral, Maravilhas viveu heroicamente as virtudes. Caracterizou-se por sua austeridade. Abraçou com alegria a pobreza, contribuindo com o trabalho de apoio à comunidade. Com os recursos financeiros que possuía, entre outras ações, construiu casas para os pobres, uma igreja e uma escola, custeou estudos para seminaristas, uma fundação para freiras doentes, adquiriu um local para seu alojamento, caso fosse necessário, etc. Muitas dessas iniciativas foram promovidas dentro de sua clausura, no convento Aldehuela, Salamanca, onde veio a falecer. A ela se deve a existência da "Associação de Santa Teresa", que reúne os mosteiros fundados por ela.

Amável, discreta, paciente, confiante, transmissora de paz, não vivia para si, mas entregue a oração e a penitência. Exercitava a caridade para com todos, preocupava-se com as menores de suas necessidades. A consciência de sua pequenez a fazia considerar-se "um nada e pecadora", desejosa da plena união com Deus: "Não quero a vida mais que para imitar o mais possível à de Cristo". Até o fim, como fez no processo da doença, desejou cumprir a vontade de Deus. Dizia sempre às suas filhas: "O que Deus quiser, como Deus quiser, quando Deus quiser". Ela faleceu enquanto dizia: "Que felicidade é morrer como Carmelita!", no dia 11 de dezembro de 1974. Maravilhas foi beatificada por João Paulo II em 10 de maio de 1998 e canonizada dia 04 de maio de 2003.


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