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domingo, 14 de junho de 2015

"Porque o homem escraviza o homem?": um leigo scalabriniano responde

O livro "Espécie prepotente", de Andrea Cantaluppi, é uma panorâmica científica, antropológica, religiosa e cultural.

Roma, 12 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Giampiero Valenza

"Por que o homem escraviza o homem?". A questão inspira o livro "Specie prepotente" ["Espécie prepotente"], do leigo scalabriniano Andrea Cantaluppi, composto de duas partes principais: a primeira, uma pesquisa interdisciplinar que aborda áreas da ciência como a genética e passa para a antropologia, a história, a teologia, a sociologia, a geografia, a economia e a evolução cultural do homem; a segunda parte procura resolver o problema mediante as respostas vindas de várias partes do mundo e de diferentes contextos culturais.

Ao leitor é oferecida, assim, uma visão geral multifacetada: diferenças culturais, religiosas e científicas refletem a dificuldade de uma resposta clara, mas, através de uma ponderação séria, expõem a possibilidade de se encarar a pergunta articuladamente. “Ninguém tem a verdade no bolso”, explica Cantaluppi. “Trata-se de lidar com a dor, com o desconforto. Não existe um progresso cultural e civil que possa ser controlado remotamente. É o esforço diário que nos ajuda a compreender se estamos indo para frente ou para trás”.

Cantaluppi começou seu trabalho a partir da experiência de voluntário em abrigos scalabrinianos. A propósito da escravidão, ele recorda que a Walk Free Foundation, que analisou 167 países, estima que há no mundo 36 milhões de vítimas. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a escravidão renda 150 mil milhões de dólares por ano, a maior parte vinda do tráfico de drogas e de armas. O país com mais escravos no mundo é a Índia (14 milhões). Seguem-se a China (3,4 milhões), o Paquistão (2 milhões), o Uzbequistão (1,2 milhões) e a Rússia (1 milhão).

Mas a escravidão também existe nos países ricos, destaca ele: “A nossa hipocrisia ignora, ou vê com irritação, que há um escravo pedindo esmola em cada semáforo. Há quem pense que eles fiquem ricos juntando esmolas. Mas será que sabemos que eles são mantidos em estrita vigilância por organizações criminosas? Perguntemo-nos: de onde eles vêm? E por quê? Perguntemo-nos quem é que os escraviza. Não temos que ficar tristes, mas sim indignados, envergonhados, e temos que perguntar às instituições, a todas elas, o que é que elas estão fazendo para combater esse flagelo que parece ser tolerado. Os escravos estão entre nós, em nosso país civilizado que assinou todos os acordos internacionais contra a escravidão. Temos que conhecer as iniciativas, as medidas, os planos do governo para honrar a assinatura nesses documentos importantes".



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