“Não fostes vós que Me escolhestes. Fui Eu que
vos escolhi, destinei para que vades e deis fruto
e o vosso fruto permaneça:”
( João 15, 9-17)
( João 15, 9-17)
Nos anos sessenta, frequentava eu um dos colégios das Irmãs de Santa Doroteia, quando adquiri um pequeno livro, o Caminho, de conselhos para orientação espiritual. Apenas sabia que o autor era um bom e devoto sacerdote, de Espanha, Josemaria Escrivá. O Caminho passou a fazer parte dos meus momentos de oração e, amiúde o abria, apesar de muitas vezes ficar aquém na compreensão do seu conteúdo. Os anos passaram e, hoje, o Caminho que possuo, é o mesmo do colégio. Durante muitos anos, muitos mesmo, ouvia falar do Opus Dei mas sem saber qual era o seu verdadeiro sentido para a vida.
Há poucos anos a esta parte, a convite de uma amiga e colega de escola, fui assistir a uma recoleção. Confesso que ia com muita curiosidade por saber como “aquilo” era. Ultrapassou as minha expectativas. Gostei tanto que passei regularmente a participar nestas reflexões sobre temas de vida cristã. Aí comecei a entender a razão pela qual São Josemaria era chamado o “santo do quotidiano”, e à sua Obra, a Obra de Deus (Opus Dei), um empreendimento universal de origem divina, em que a oração é a sua essência.
Li, entretanto, a obra “Josemaria Escrivá”, três volumes da autoria de Andrés Vázquez de Prada, que conheceu e privou muitas vezes com o Padre Josemaria Escrivá de Balaguer. É um trabalho biográfico rigoroso, notável, para ser lido, relido, meditado. A vida de São Josemaria tocou-me no mais fundo da alma. Foi alguém que soube honrar os bons princípios que recebeu da sua Família. Amigo devotado de seus pais e irmãos, por eles sempre revelou grande ternura e preocupação.
Prendado com uma inteligência brilhante, de vasta cultura, combate dia após dia as enormes dificuldades com que se depara, para concretizar o seu “sonho” que é um mandato divino, dizia. A Guerra Civil de Espanha é para o jovem sacerdote e seus primeiros seguidores, uma verdadeira tormenta. Graças ao seu espírito tenaz, decidida coragem, fé inquebrantável assente num profundo amor a Jesus, à salvação das almas, nunca desiste e, numa actividade apostólica intensa, luta pelo projecto que Deus colocou nas suas mãos: o Opus Dei. Tinha uma bondade natural e espírito de bom humor que cativava e o tornava querido de todos.
Tão admirável exemplo de santidade, transformou-se num clarão bendito a iluminar os passos de tanta gente que, pelos cinco continentes, procuram o caminho da santidade e desejam seguir o espírito do Opus Dei com generosidade e o exemplo de São Josemaria: «esforçava-se por fazer com amor as suas tarefas diárias, aperfeiçoando-as todos os dias» (Andrés Vázquez de Prada, 3º vol.)
Tive a graça de estar presente e assistir à Beatificação de D. Álvaro del Portillo, sucessor de S. Josemaria à frente do Opus Dei, em 27 de Setembro de 2014, em Madrid. Gentes dos quatro cantos do Mundo. Milhares de pessoas. Impressionante! Todos louvaram a Deus e deram graças, nas múltiplas línguas, unidos pela mesma Fé, por mais um Santo que a Igreja ganhou. Lá vi os frutos do Opus Dei e os frutos permanecem, como a contribuição para a universalidade da Igreja.
Antes de terminar este singelo testemunho, quero dar graças a Deus por uma graça que obtive de São Josemaria num momento de grande preocupação. Com todo o fervor, fiz a novena de uma pagela tocada no túmulo de São Josemaria quando em Fevereiro de 2013 estive em Roma com o meu marido e visitámos a igreja prelatícia. Durante longos minutos rezei junto do maravilhoso túmulo deste Santo que nos deixou um admirável exemplo de santificação nas pequenas tarefas diárias e dizia: Seguir Cristo. Rezar. Rezar sempre. É este o segredo.
Bem-haja, São Josemaria. Intercedei por nós.
Maria Filomena Ataíde
Nota: No dia 17, pelas 18,30 horas, será celebrada Missa em sua honra, na Igreja do Calvário, em Évora e no dia 26, pelas 19 horas, na Igreja da Anunciada, em Setúbal.
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