segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Era um existencialista alheio a Deus: quando o padre levantou a Bíblia na missa, tudo mudou de repente

Manuel Pizarro converteu-se num Cursilho de Cristandade 

Levantar o leccionário ou a Bíblia na missa é um gesto mais poderoso do que parece
Actualizado 29 de Setembro de 2013

Danilo Picart / PortaLuz
O caminhar sereno e algumas dores que chegam com os anos, não impedem que Manuel Pizarro mantenha uma juvenil paixão quando ingressa na sala de aulas.

É professor de línguas e ensina rapazes que procuram acesso à universidade em Santiago, a capital chilena…. “Logo cumprirei 79 anos e trabalhando com os jovens refresco”, diz sorridente.

Hoje é feliz, mas esta plenitude, que é o valor da sabedoria dos velhos que pôs de relevo o Papa Francisco nas suas alocuções recentes, foi conquistada depois de um processo de trevas.

Manuel era um intelectual agnóstico que mastigava e pregava uma filosofia onde Deus e a esperança cristã eram meras utopias.

Longe de Deus, lendo existencialismo
Criado junto com os seus quatro irmãos no seio de uma família católica, educou-se num colégio dos Sagrados Corações. “Não obstante, depois dos 14 aos afastei-me de Deus e estando na universidade terminei por separar-me da religião”, recorda.

Rondava os trinta anos quando iniciou o seu romance com os pais da filosofia e literatura ateia. “Aferrei-me nessas leituras cheias de suor intelectual ateu. Também novelas e ensaios de Arthur Schopenhauer, e quanto escritor existencialista chegasse às minhas mãos”.

Esta devoção de Manuel por uma antropologia que dava as costas a Deus potenciou-se, para seu pesar, ao morrer a sua mãe… “Foi surpresa porque não estava doente e de repente morreu, muito jovem, aos 55 anos. Esse foi um impacto profundo e desde aí via a morte com terror, porque pensava que não havia nada depois da vida, era terrível”.

Os louros do mundo não o satisfazem
Em 1968, quando já exercia profissionalmente nas aulas como professor, Manuel contraiu matrimónio e em poucos anos seria pai de três mulheres. Logo que se casou, a família mudou-se para o norte do Chile, zona mineira e florescente, onde desfrutaria de estabilidade económica e público reconhecimento.

Ele e a sua família tinham uma boa vida, mas no seu foro interno Manuel sentia-se insatisfeito…

“Renunciei a muitas coisas, regressámos a Santiago e decidi-me a tirar um ano sabático, sem trabalhar, porque estava muito esgotado. Estava bem com a minha esposa, com as minhas filhas, mas sentia um tremendo vazio espiritual. Andava intranquilo e por isso quando me ofereceram algumas horas de aulas num centro que prepara os jovens para efectuar o exame de selecção de ingresso nas universidades, não duvidei em aceitar. Refugiei-me no trabalho, em encontros com os meus irmãos, concorrendo e ganhando muitos eventos literários, mas nada era suficiente”.

Logo Manuel, teria que enfrentar a verdade. Vivia uma crise de fé. “O existencialismo não era uma coisa tranquilizadora, mas sim todo o contrário, não me dava respostas. Foi um desespero, envergonhar-me frente ao nada. Tinha procurado saciar a minha fome de infinito, mas sem crer em nada. Sentia-me totalmente separado de tudo. Tinha então 42 anos de idade, vinte oito anos vivendo separado de Deus. Ainda que nesse instante as quatro letras deste maravilhoso vocábulo não afloravam ainda nos meus lábios”.

Retirar-se, fazer silêncio para “ver”
Nestas lides interiores, com inquietação anímica, as suas resistências agnósticas estavam no mínimo e terminou por aceitar o convite que lhe fazia um dos seus irmãos.

“Cheguei a esse retiro do Movimento Cursilhista [Cursilhos de Cristandade] um fim-de-semana. Reagi indiferente, tinha raiva. Quando começavam a rezar eu dizia «E estes, que acreditam?». Questionava tudo e todos, lutava. Fui terrível, incómodo. Eu calado, escutava e olhava cada uma das quarenta pessoas que estavam comigo, sentindo que me caíam péssimo e perguntava-me «Que tenho que estar fazendo com estes tipos?»”. 

Com a luz, o amor: um puzzle
Mas o homem novo que empurrava para nascer veria a luz antes que finalizasse aquele retiro… “Com as horas as minhas resistências foram vencidas e pude ver-me… Era um ateu sedento de fé. O amor que se palpitava naquele retiro, presença indubitável do Espírito Santo, dominou a minha rebeldia. A luz da fé veio a mim durante a Eucaristia; quando o sacerdote levantou a Bíblia a minha mente abriu-se. Não sei como, mas compreendi toda a mensagem que tinha detrás deste gesto e juntaram-se todas as peças do meu puzzle. Senti também o fraterno amor dos meus irmãos. Na noite quando me fui deitar no quarto em que dormia, estive espiritualmente no céu, sentia-me noutro mundo!”.

O momento da primeira prova
A notícia do seu regresso à fé foi também um reencontro com a sua esposa que logo seguiu os passos de Manuel no Movimento Cursilhista.

Foi uma época de alegrias e crescimento, antessala da primeira grande prova de fé… “Passou tudo como um raio. Ela adoeceu gravemente e ali estava, no hospital, com milhares de mangueiras, injectando-lhe antibióticos de todo o tipo. Detectaram-lhe hepatite C. Mas antes de poder sequer pensar numa solução teve uma falha sistémica múltipla que comprometeu o fígado os rins e tudo. Morre. Era tão jovem! Tinha só 55 anos”.

Longe de potenciar a rebeldia do passado esta nova e sensível perda foi ocasião para gostar o que é abandonar-se com todo o ser nos braços de Deus… “Orava continuamente e permaneci com uma tranquilidade espiritual surpreendente. O Senhor acompanhou-me muito nesse momento”.

Passaram mais de 30 anos desde a sua conversão e hoje ele que fora agnóstico leva a sua fé também até os jovens a quem educa. [Na foto vemo-lo numa festa com ex-alunos].

“A obrigação do cursilhista – disse com paixão juvenil Manuel – é evangelizar como todo membro da Igreja, mas há alguns que somos os mais enamorados”.


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Gran Mufti: "Fora com as igrejas da Península Arábica"

"Há que destruir todas as igrejas"

É o líder religioso mais importante no reino sunita

Fides, 28 de Setembro de 2013 às 17:55


(Agência Fides) - Abdul Aziz bin Abdullah, o Grande Mufti da Arábia Saudita - um país aliado do Ocidente na política mundial - declarou que "é necessário destruir todas as igrejas da região". Segundo a informação da Agência Fides, em declarações a uma delegação do Kuwait chegada à Arábia, Abdul Aziz bin Abdullah fez finca-pé em que a eliminação das igrejas estaria de acordo com a regra que estabelece o Islão como a única religião viável na Península Arábica.

O Grande Mufti da Arábia Saudita é o líder religioso mais importante no reino sunita. Também é cabeça do "Conselho Superior de Ulemas" (eruditos islâmicos) e do Comité Permanente para emitir fatwas (decretos religiosos).

A declaração do Mufti produz-se depois de que um parlamentar do Kuwait, Osama Al-Munawer, anunciasse o mês passado no sítio de redes sociais "Twitter" a sua intenção de apresentar um projecto de lei para proibir a construção de novas igrejas e lugares de culto não islâmicos no Kuwait.

Recentemente, por causa da consagração de uma igreja católica nos Emiratos Árabes, os cristãos locais esperavam "a abertura de negociações para construir uma igreja na Arábia Saudita", já que no reino saudita vivem, segundo as estimativas, entre 3 e 4 milhões de cristãos, todos trabalhadores imigrantes que desejam ter uma igreja.

Em Junho de 2013, o Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, consagrou a nova igreja de Santo António nos Emiratos Árabes Unidos, próximo do Dubai, e uma nova igreja dedicada a São Paulo encontra-se em construção em Abu Dhabi.

Em princípios de 2013, o Rei do Bahrein doou à comunidade cristã um terreno para a construção de uma nova igreja, a Catedral de Nossa Senhora da Arábia.
 

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O padre Ragheed, assassinado ao voltar da missa, deixou um legado vivo entre os católicos caldeus

Difundem as mensagens póstumas de um mártir iraquiano 


Actualizado 27 de Setembro de 2013

Fernando de Navascués / ReL

O Padre Ragheed Ganni era um sacerdote católico de rito caldeu cuja paróquia consagrada ao Espírito Santo estava em Mosul, Iraque. No domingo seguinte ao Pentecostes no ano 2007 morreu assassinado quando voltava de celebrar a Missa na sua paróquia, junto com três diáconos que o acompanhavam. Todos eles foram declarados como mártires pela Igreja Caldeia.

Amava e entendia a Eucaristia
O Padre Ragheed era conhecido por dar um testemunho de fé valoroso e limpo num país tão complicado para os cristãos como o Iraque: “Sem domingo, sem Eucaristia, os cristãos no Iraque não podem viver”, explica Ragheed para descrever a necessidade de Eucaristia que tem os cristãos no seu país.

Nesta guerra, os cristãos são os que más sofreram, e por isso abandonam a sua terra em busca de lugares onde possam ser respeitados. Sem dúvida, o sacerdote iraquiano demonstrava a sua valentia permanecendo no país cuidando dos seus paroquianos. 

A Missa entre as ruínas
“Os jovens organizam a vigilância depois dos atentados já sofridos pela paróquia, os sequestros e as ameaças ininterruptas aos religiosos. Os sacerdotes dizem a missa entre as ruínas causadas pelas bombas – comentava Ragheed uns dias antes da sua morte. Enquanto as mães, preocupadas, vêem os seus filhos desafiar os perigos indo à catequese com entusiasmo”.

“Mas Cristo com o seu amor sem fim desafia o mal, mantém-nos unidos, e através da Eucaristia nos doa – dizia Ragheed – novamente a vida que os terroristas procuram tirar-nos”.

“Esperamos cada dia o ataque decisivo, mas não deixaremos de celebrar a Missa – afirma conscientemente da sua vocação –. O faremos inclusive debaixo da terra, onde estamos mais seguros. Nesta decisão sou alentado pela força dos meus paroquianos. Trata-se de uma guerra, uma guerra de verdade, mas esperamos levar esta Cruz até ao fim com a ajuda da graça divina”.

“Posso equivocar-me, mas tenho a certeza de que uma coisa, uma só coisa é verdade sempre: que o Espírito Santo continuará iluminando algumas pessoas para que trabalhem pelo bem da humanidade, neste mundo tão cheio de mal”, concluía o sacerdote martirizado.

Um e-mail que daria a volta ao mundo
O Padre Robert Christian, professor da Universidade de São Tomás de Aquino de Roma, íntimo amigo do padre Ragheed, celebrou uma Missa pelo sacerdote assassinado e os seus três subdiáconos poucos dias depois da sua morte. Na homilia falou da situação na qual se encontram as pessoas do Iraque, especialmente os cristãos. Falou também de um e-mail que recebeu no dia antes da morte do seu amigo. Este e-mail estremeceu aos estudantes e professores da universidade.

Os cristãos sofrem duplamente…
Uma parte do e-mail dizia assim: “A situação aqui é pior que no inferno, e a minha igreja foi atacada várias vezes desde a última vez que nos vimos. A semana passada, dois guardas foram feridos depois de um ataque”.

Outra mensagem que tinha recebido o professor dizia o seguinte: “A situação, como podes conhecer pelos telejornais, é terrível. Os cristãos sofrem duas vezes, primeiro pela situação e logo por causa da sua religião”.

… e por isso muitos fogem
“O discurso do Papa acendeu a mecha na cidade. Um sacerdote ortodoxo sírio foi decapitado; a minha paróquia foi atacada cinco vezes. Recebi ameaças antes do sequestro desse sacerdote, mas tive cuidado nas minhas deslocações. Adiei as minhas férias duas vezes porque não podia deixar a cidade nessa situação”.

“Tinha que ir à Europa em 18 de Setembro, mas adiei para 4 de Outubro. Logo tive que adiá-lo para 1 de Novembro. O Ramadão foi um desastre para nós em Mosul.

Centenas de famílias cristãs deixaram a cidade, incluída a minha família e os meus tios: cerca de 30 pessoas abandonaram todas as suas propriedades e foram-se, devido às ameaças”.

Afrontando a morte
“Não é fácil, mas a Graça do Senhor dá apoio e força. Afrontamos a morte todos os dias”. Assim concluía uma mensagem muito comovedora. O padre Ragheed sabia que era um objectivo.

O padre Christian, afirma que Ragheed, “sabia que estava afrontando a ameaça da morte por causa da sua fé, mas sabia também que era o seu dever permanecer, dando valente testemunho da nossa fé no Senhor ressuscitado”.

“O patriarca dos caldeus chamou-os mártires, e os mártires, que se conformaram de próximo à paixão e morte de Jesus Cristo, foram considerados desde as origens do cristianismo como santos”, concluiu o professor.

O vídeo seguinte recolhe a voz do padre Ragheed cantando um hino à Virgem, junto com imagens do seu funeral em 2007.



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domingo, 29 de setembro de 2013

Francisco: "Se perdermos a memória de Deus também nós perdemos a consistência"

Homilia do Santo Padre na santa missa da Jornada dos catequistas


Roma, 29 de Setembro de 2013


Na manhã desse domingo às 10.30 (hora de Roma), o santo padre celebrou a santa missa pela Jornada dos Catequistas, por ocasião do Ano da Fé, na praça de São Pedro. Publicamos a seguir a homilia:

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1 . “Ai dos despreocupados de Sião e daqueles que se consideram tranquilos... Deitados em leitos de marfim” (Am 6,1.4 ), comem, bebem, cantam, se divertem e não se preocupam com os problemas das outras pessoas.

Estas palavras do profeta Amós são duras, mas chamam a atenção sobre um perigo que todos nós corremos. O que é que este mensageiro de Deus denuncia, o que é que coloca diante dos olhos de seus contemporâneos e até mesmo diante de nossos olhos hoje? O risco do conforto, da comodidade, da mundanidade na vida e no coração, de colocar no centro da nossa vida o nosso bem-estar. É a mesma experiência do rico do Evangelho, que vestia roupas de luxo e todos os dias se dava abundantes banquetes; isto era importante para ele. E o pobre que estava à sua porta e não tinha nada para matar a fome? Não era problema dele, não lhe dizia respeito. Se as coisas, o dinheiro, a mundanidade se tornam o centro da vida, elas nos prendem, nos possuem e nós perdemos a nossa própria identidade de homens: olhem bem, o rico do Evangelho não tem nome, é simplesmente “um rico”. As coisas, o que possui, são o seu rosto, não tem outros.

Mas tentemos perguntar-nos: por que é que isso acontece? Como é possível que os homens, talvez também nós, caiamos no perigo de encerrar-nos, de colocar a nossa segurança nas coisas, que no final das contas nos roubam o rosto, o nosso rosto humano? Isso acontece quando perdemos a memória de Deus. " Ai dos despreocupados de Sião", dizia o profeta. Se não há memória de Deus, tudo fica nivelado, tudo vai para o ego, para o meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, até nós mesmos perdemos consistência, até nós nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada torna-se ele mesmo um nada – diz outro grande profeta, Jeremias (cf. Jer 2,5 ) . Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos!

2 . Agora, olhando para vocês, me pergunto: quem é o catequista? É aquele que protege e nutre a memória de Deus; a guarda em si mesmo e sabe despertá-la nos outros. É bonito isso: fazer memória de Deus, como Nossa Senhora que, diante da acção maravilhosa de Deus na sua vida, não pensa na honra, no prestígio, nas riquezas, não se fecha em si mesma. Pelo contrário, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo e de ter concebido o Filho de Deus, o que faz? Vai, visita à anciã parente Isabel, também grávida, para ajudá-la; e no encontro com ela o seu primeiro acto é a memória do actuar de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: “A minha alma engrandece ao Senhor ... pois olhou para a humildade da sua serva... de geração em geração a sua misericórdia " (Lc 1,46.48.50 ) . Maria tem memória de Deus.

Neste cântico de Maria tem também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiência de fé. E assim é para cada um de nós, para cada cristão: a fé contém precisamente a memória da história de Deus connosco, a memória do encontro com Deus, que se move primeiro, que cria e salva, que nos transforma; a fé é memória da sua Palavra que aquece o coração, das suas acções de salvação com que nos dá vida, nos purifica, nos cura, nos alimenta. O catequista é precisamente  um cristão que coloca esta memória ao serviço do anúncio; não para se mostrar, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo o que Deus revelou, ou seja, a doutrina na sua totalidade, sem tirar ou acrescentar.

São Paulo aconselha especialmente ao seu discípulo e colaborador Timóteo uma coisa: “lembra-te, lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, que eu anuncio e pelo qual sofro (cf. 2 Tm 2, 8-9). Mas o apóstolo pode dizer isso porque ele se lembrou primeiro de Cristo, que o chamou quando era um perseguidor dos cristãos, o tocou e transformou com a sua Graça.

O catequista, então, é um cristão que carrega consigo a memória de Deus, se deixa guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe como despertá-la no coração dos outros. Isso é exigente! Compromete toda a vida! O que é o mesmo Catecismo, senão memória de Deus, memória da sua acção na história, do seu ter-se feito próximo em Cristo, presente na sua Palavra, nos Sacramentos, na sua Igreja, no seu amor? Caros catequistas, pergunto-lhes: nós somos memória de Deus? Somos realmente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que aquece o coração?

3. "“Ai dos despreocupados de Sião", diz o profeta. Qual o caminho a ser seguido para não virar pessoas “despreocupadas”, que colocam a sua segurança em si mesmas e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus? Na segunda leitura, São Paulo, escrevendo a Timóteo, dá algumas indicações que podem marcar também a trajectória do catequista, o nosso caminho: seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão (cf. 1 Tm 6 , 11).

O catequista é homem da memória de Deus  se tiver um relacionamento constante, vital com Ele e com os outros; se for homem de fé, que confia realmente em Deus e coloca Nele a sua segurança; se for homem de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se for homem de “hypomoné”, de paciência, de perseverança, que sabe lidar com as dificuldades, provações, fracassos, com serenidade e esperança no Senhor; se for  homem manso, capaz de compreensão e de misericórdia.

Peçamos ao Senhor para sermos todos homens e mulheres que guardem e alimentem a memória de Deus na própria vida e saibam despertá-la no coração dos outros. Ámen.


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sábado, 28 de setembro de 2013

É lícito confiscar os bens de cristãos, alawitas e drusos para comprar armas

Afirmou Fatwa dos ulemás de Damasco


Damasco, 27 de Setembro de 2013


Está cada vez mais difícil a vida das minorias religiosas sírias, que no conflito actual, são os segmentos mais vulneráveis da sociedade. Como apurado pela Agência Fides, 36 ulemás (líderes religiosos islâmicos) de Douma, um dos maiores subúrbios de Damasco, emanaram uma “fatwa” (decreto jurídico) que torna legítimo o direito de fiéis muçulmanos sunitas de requisitarem e se apropriarem de bens, casas, e propriedades pertencentes a cristãos, drusos, alauítas e membros de outras minorias religiosas “que não professam a religião sunita do Profeta”.

A fatwa convida abertamente a “boicotar e romper qualquer relação com os habitantes de Damasco que traíram ou abandonaram os revolucionários”. A fatwa (cuja cópia foi enviada à Agência Fides) especifica que as propriedades confiscadas serão utilizadas parcialmente “para comprar armas” e parcialmente para ajudar órfãos, pobres e famílias de mártires e viúvas. “Pedimos ao nosso povo para se apegar às nos sãs tradições islâmicas e frequentar regularmente as casas de Deus (mesquitas), a fim de salvaguardar a nossa alma e a sociedade", conclui o texto do ulemás.

Conforme relatado à Fides, os líderes de várias igrejas cristãs têm aprendido o conteúdo da fatwa com grande preocupação, observando que tais medidas "aumentam a violência inter-religiosa, que é a cicatriz da sociedade síria". (Fonte: Agência Fides 26/9/2013)


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Liturgia da palavra para crianças

Coluna litúrgica do pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e director espiritual


Roma, 27 de Setembro de 2013


Um leitor dos Estados Unidos enviou ao pe. Edward McNamara a seguinte pergunta:

A terceira edição do Missal Romano ainda propõe uma Liturgia da Palavra para as crianças? Há determinações específicas para a missa de domingo com elas? Se sim, quem a preside? Ou é o caso de dar papel e lápis de cor às crianças e pedir que elas pintem alguma história bíblica? - R.V., Glendale Heights, Illinois, EUA.

A nova edição do Missal Romano não aboliu nenhum directório especial introduzido anteriormente. Portanto, as normas estabelecidas no “Directório para as Missas com Crianças” permanecem em vigor.

No que diz respeito à Liturgia da Palavra para as crianças dentro da paróquia, as disposições do Directório de 1973 ainda são válidas, como, por exemplo, nos seguintes números:

16. Em muitos lugares, principalmente aos domingos e nos dias de festa, celebram-se missas paroquiais de que não poucas crianças participam juntamente com grande número de adultos. Nestas ocasiões, o testemunho dos fiéis adultos pode ter grande efeito junto a elas. Mas também eles recebem um proveito espiritual ao perceber, em tais celebrações, o papel que as crianças desempenham na comunidade cristã. Se nestas missas participam as crianças junto com seus pais e outros parentes, fomenta-se grandemente o espírito cristão da família. As próprias criancinhas, que não podem ou não querem participar da missa, podem ser apresentadas ao final da mesma para receber a bênção juntamente com a comunidade, depois que, por exemplo, algumas pessoas auxiliares da paróquia as tenham entretido durante a missa, em lugar separado.

17. Entretanto, nas missas deste género, deve-se precaver cuidadosamente para que as crianças não se sintam esquecidas em virtude da incapacidade de participar e entender aquilo que se realiza e proclama na celebração. Leve-se, pois, em consideração a sua presença, por exemplo, dirigindo-se a elas com certas monições apropriadas no começo e no final da missa, em alguma parte da homilia, etc. Mais ainda, de vez em quando, se o permitirem as circunstâncias do lugar e das pessoas, pode ser conveniente celebrar com as crianças a Liturgia da Palavra com a sua homilia, em lugar separado, mas não distante demais, e logo ao iniciar-se a Liturgia Eucarística, sejam reunidas aos adultos, no lugar onde estes celebraram a Liturgia da Palavra.

Quando se organiza a Liturgia da Palavra por separado, é sempre preferível que a homilia seja feita por outro sacerdote ou diácono. No entanto, o nº 24 do directório permite algumas excepções a esta regra geral, afirmando que nada impede que um adulto que participa com as crianças na missa, "com o consentimento do pároco, dirija a palavra às crianças após o evangelho, especialmente se o sacerdote tem dificuldade de se adaptar à mentalidade delas crianças [...]”.

Quanto ao conteúdo desta Liturgia da Palavra, o Directório diz:

41. Como as leituras da Sagrada Escritura constituem “a parte principal da liturgia da Palavra”, nunca pode faltar a leitura da Bíblia mesmo nas missas para crianças.

42. Com relação ao número das leituras para os domingos e dias de festa, devem ser observadas as normas dadas pelas Conferências Episcopais. Se as três ou as duas leituras previstas para os domingos ou dias da semana não podem, senão com dificuldade, ser compreendidas pelas crianças, convém ler somente duas ou uma delas; entretanto, nunca falte a leitura do Evangelho.

43. Se todas as leituras determinadas para o dia não forem adequadas à compreensão das crianças, é permitido escolher as leituras ou a leitura, seja do Lecionário do Missal Romano, seja directamente da Bíblia, mas levando-se em conta os diversos tempos litúrgicos. Recomenda-se, porém, às Conferências Episcopais que elaborem lecionários próprios para as missas com crianças. Se, por causa da capacidade das crianças, parecer necessário omitir um ou outro versículo da leitura bíblica, far-se-á com cautela e de tal maneira que “não se mutile o sentido do texto ou a mente e o estilo da Escritura".

44. Entre os critérios de selecção dos textos bíblicos, há que se pensar mais na qualidade que na quantidade. Uma leitura breve nem sempre é mais adequada por si mesma à capacidade das crianças do que uma leitura mais prolongada. Tudo depende da utilidade espiritual que a leitura lhes pode proporcionar. 

45. Evitem-se as paráfrases da Sagrada Escritura, uma vez que no próprio texto bíblico “Deus fala a seu povo... e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis”. Recomenda-se, entretanto, o uso de versões talvez existentes para a catequese das crianças e que tenham sido aprovadas pela autoridade competente.

46. Entre uma leitura e outra, devem-se cantar alguns versículos de salmos escolhidos cuidadosamente para a melhor compreensão das crianças, ou um canto ao estilo dos salmos, ou o “Aleluia” com um verso simples. Porém, as crianças sempre devem tomar parte nestes cantos. Nada impede que um silêncio meditativo substitua o canto. Se for escolhida somente uma única leitura, o canto poderá ser executado depois da homilia.

47. Grande importância merecem os diversos elementos que servem para a melhor compreensão das leituras bíblicas, a fim de que as crianças possam assimilá-las e compreendam, cada vez melhor, a dignidade da Palavra de Deus. Entre estes elementos, estão as exortações que precedem as leituras e dispõem as crianças para ouvir atenta e frutuosamente, seja explicando o contexto, seja conduzindo ao próprio texto. Se a missa é do santo do dia, para a compreensão e ilustração das leituras da Sagrada Escritura pode-se narrar algo referente à vida do santo não só na homilia, como também nas monições antes das leituras bíblicas. Quando o texto da leitura assim o permitir, pode ser útil distribuir entre várias crianças suas diversas partes, tal como se costuma fazer para a proclamação da paixão do Senhor na semana santa.

48. Em todas as missas com crianças deve-se dar grande importância à homilia, pela qual se explica a Palavra de Deus. A homilia destinada às crianças pode realizar-se, algumas vezes, em forma de diálogo com elas, a não ser que se prefira que escutem em silêncio.

49. Quando, ao final da Liturgia da Palavra, proclama-se o credo, pode-se empregar com as crianças o Símbolo dos Apóstolos, posto que faz parte de sua formação catequética.

O directório faz outras recomendações práticas, tais como: "Pode ser muito útil confiar algumas tarefas ou serviços nessas missas para as crianças: elas podem, por exemplo, levar as ofertas e executar algum canto da missa" (nº 18).

Da mesma forma, nas situações em que as crianças não são separadas dos adultos: "Se o número de crianças é grande, pode ser oportuno preparar a missa de modo a corresponder melhor às suas necessidades. Neste caso, a homilia deve ser dirigida a elas, mas de modo que os adultos também possam beneficiar-se [...]” (n° 19).

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Os leitores podem enviar perguntas para liturgia.zenit@zenit.org. Pedimos mencionar a palavra "Liturgia" no campo assunto. O texto deve incluir as iniciais do remetente, cidade, estado e país. O pe. McNamara só pode responder a uma pequena selecção das muitas perguntas que recebemos.


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Os desafios dos maronitas na diáspora (Parte II)

Entrevista com dom Habib Chamieh, bispo da comunidade maronita de Buenos Aires


Roma, 27 de Setembro de 2013


Publicamos hoje a segunda e última parte da entrevista com dom Habib Chamieh, bispo dos maronitas de Buenos Aires. A primeira parte foi publicada em 25 de Setembro.

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O encontro dos bispos abordou temáticas ecuménicas e inter-religiosas?
Dom Chamieh: Sim, falamos das relações ecuménicas com os irmãos ortodoxos e protestantes. Mas eu gostaria de destacar em especial a interessante fala do cardeal Jean Louis Touran, que abordou o diálogo com o Islão e disse que nós temos duas tarefas fundamentais: a primeira é ajudar os muçulmanos a viver uma abertura cultural, porque o fundamentalismo se nutre e se aproveita da ignorância das pessoas. A segunda é ajudar os cristãos, que muitas vezes são analfabetos nos assuntos religiosos, para serem mais firmes e conscientes da sua fé. Eu acho interessante lembrar também que nós dedicamos um bom espaço à relação do ministério episcopal com a media e ao encorajamento do compromisso activo dos leigos na vida das dioceses.

O papa Francisco criticou, por exemplo, os bispos que parecem mais “chefes de escritório” do que pais e pastores do povo de Deus. Quais foram os pontos do discurso do papa que mais o impactaram?
Dom Chamieh: Como novo bispo, eu fiquei mais tocado pelo convite do papa a não viver o ministério como uma ambição. É importante a comparação que ele fez sobre o bispo que aspira sempre a uma diocese "melhor" do que as outras, que, segundo o papa, é uma coisa parecida com o marido que está sempre olhando para a mulher dos outros. Eu vou guardar no coração, com certeza, a exortação do papa a não viver o episcopado com "mentalidade de príncipe". No papa Francisco nós tocamos com as mãos o desejo e a vontade de reforma. E o estilo dele, como bispo de Roma, que vive na simplicidade, na pobreza e perto do povo de Deus, já é um grande exemplo e uma exortação para nós.

O papa falou de três atitudes fundamentais no bispo: acolher com magnanimidade, caminhar junto com o rebanho e permanecer com o rebanho. Qual é a importância dessa presença qualitativa e qualificada nas “periferias existenciais”?
Dom Chamieh: É bom levar em conta que, quando o papa Francisco fala das periferias existenciais, ele fala com conhecimento de causa. Ele foi o arcebispo de uma grande metrópole e entende não só a importância, mas também a indispensabilidade de uma proximidade concreta do povo de Deus, das várias pobrezas, não só materiais, mas principalmente existenciais, de solidão, doença, falta de trabalho, etc. O papa nos transmite uma experiência que ele mesmo viveu em pessoa. Esse estilo de presença não é necessário apenas para o povo, mas é também o modo necessário para abrir o bispo à experiência verdadeira de Jesus Cristo.

Antes de ser bispo, o senhor já viveu uma experiência missionária com os maronitas no Uruguai. Quais foram os desafios?
Dom Chamieh: Eu fui missionário no Uruguai durante três anos. O Uruguai é um país particular porque é a única nação realmente laica na América do Sul. Existe um forte anticlericalismo lá, uma marginalização da Igreja. A laicidade deles é comparável à francesa, que é a chamada laicidade negativa. Esse clima, lamentavelmente, envolveu um afastamento progressivo dos fiéis da vida da Igreja. O mesmo fenómeno aconteceu com os maronitas de lá. Os desafios foram dois: o primeiro, que muitos dos maronitas chegaram ao Uruguai faz mais de cem anos. Muitos deles nos tempos da perseguição otomana, em 1860. Quando chegaram lá, eles eram chamados de "os turcos", e, para fugir desse rótulo, muitos tentaram se integrar, se distanciando do próprio rito oriental. O segundo desafio tem a ver com o laicismo imperante, que também exerceu a sua influência negativa nos imigrantes maronitas.

E agora, na Argentina, a situação é diferente?
Dom Chamieh: Sem dúvida. A Argentina é uma nação com um forte senso católico. Existe abertura para o papel e para a contribuição da Igreja. Vamos lembrar que na Argentina existem cerca de dois milhões de pessoas de origem libanesa. É claro que isso não quer dizer que eles saibam falar a nossa língua ou que conheçam o nosso rito maronita. A diocese maronita na Argentina foi fundada em 1990, em tempos do papa João Paulo II. Foi fundada a eparquia de São Charbel para os maronitas. Como maronitas, nós temos quatro paróquias, duas delas em Buenos Aires.

Qual é a sua situação pessoal em Buenos Aires hoje?
Quando eu cheguei, vi que existem situações para ajustar o antes possível. Por exemplo, a sede episcopal maronita está muito longe da catedral maronita. Isso faz com que a vida de trabalho como bispo seja quase de ermitão. Uma das primeiras tarefas é encontrar uma residência com a igreja, para viver a vida de fé com os fiéis todos os dias e não só no domingo. E um dos primeiros projectos que eu quero realizar é construir um santuário para São Charbel.


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Os verdadeiros cristãos não evitam a Cruz, mas enfrentam as humilhações com alegria e paciência, disse o Pontífice

O santo padre na homilia de Santa Marta alerta também da "tentação do bem-estar espiritual" que impedem amar a Cristo com todo o nosso ser


Roma, 27 de Setembro de 2013


Os cristãos dão uma boa prova de si quando “sabem enfrentar humilhações com alegria e paciência”. Papa Francisco ressaltou este aspecto da vida de fé na missa celebrada na manhã desta sexta, 27, na Casa Santa Marta. O Papa alertou novamente para a “tentação do bem-estar espiritual”, que pode nos impedir “de amar plenamente Jesus Cristo”.

Francisco desenvolveu seu pensamento a partir do Evangelho de Lucas, no trecho em que Jesus pergunta aos discípulos o que as pessoas falam Dele e o que eles próprios pensam, até a resposta de Pedro: “O Cristo de Deus”. “Esta pergunta é dirigida também a nós”, disse o Pontífice.

“Foi o Espírito Santo que tocou o coração de Pedro para dizer quem é Jesus. Se é o Cristo, o Filho de Deus vivo, é um mistério... Quem o pode explicar? Se cada um de nós, na oração, disser ao Senhor: “Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo”, Ele responderá “É verdade”.

"Jesus pede a Pedro que não revele sua resposta a ninguém e anuncia sua Paixão, morte e Ressurreição", disse o Papa, recordando a reacção do chefe dos Apóstolos, descrita no Evangelho de São Mateus, que declara: “Isso não acontecerá jamais”. “Pedro – comentou ainda o Papa – se assusta, se escandaliza, como tantos cristãos que dizem: “Isto nunca vai acontecer!”. Este é o modo para “seguir Jesus, para conhecê-lo apenas até um certo ponto”:

“E esta é a tentação do bem-estar espiritual. Temos tudo: temos a Igreja, temos Jesus Cristo, os Sacramentos, a Virgem Maria, tudo, um bom trabalho para o Reino de Deus; somos bons, todos. Porque pelo menos temos que pensar isso, porque se pensar ao contrário é pecado! Mas não é o suficiente; com o bem-estar espiritual até um certo ponto. Como o jovem que era rico: ele queria ir com Jesus, mas até um certo ponto. Falta essa última unção do cristão, para ser um cristão realmente: a unção da cruz, a unção da humilhação. Ele se humilhou até à morte, morte de tudo. Esta é a pedra de comparação, a verificação da nossa realidade cristã: Eu sou um cristão de cultura do bem-estar? Eu sou um cristão que acompanha o Senhor até a cruz? O sinal é a capacidade de suportar as humilhações”.

O escândalo da Cruz, no entanto, continua a bloquear muitos cristãos. Todos - constata Papa Francisco - querem ressurgir, mas “nem todos” pretendem fazê-lo pelo caminho da Cruz. E, ainda mais, se queixam das injustiças ou afrontas sofridas, comportando-se ao contrário do que Jesus fez e pede para imitar:

“A verificação se um cristão é um cristão realmente é a sua capacidade de suportar com alegria e paciência as humilhações, já que isso é algo que não gostamos... Há muitos cristãos que, olhando para o Senhor, pedem humilhações para se assemelhar a Ele. Esta é a escolha: o cristão do bem-estar - que vai para o Céu, certo de salvar-se! – ou o cristão próximo a Jesus, pela estrada de Jesus”.


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Francisco: "Não só trabalhar como catequistas, mas principalmente sê-lo

Os participantes do Congresso Internacional sobre a Catequese recebem o Papa com grande entusiasmo


Roma, 27 de Setembro de 2013


O Santo Padre reuniu-se nessa tarde na Sala Paulo VI com 1600 catequistas de 50 países, muitos deles na companhia dos seus bispos e sacerdotes para o Congresso Internacional de Catequistas que realizou-se em Roma por causa do Ano da Fé.

Antes de começar o seu discurso, Francisco andou pelo corredor central e passou cumprimentando as pessoas que estavam lá. Os catequistas acolheram o Papa com grande entusiasmo, enquanto pediam a sua bênção e alguns davam-lhe presentes.

Monsenhor Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, disse algumas palavras no início do encontro, onde disse que esta é “uma oportunidade para retomar com entusiasmo um caminho de compromisso comum”.

O Santo Padre começou lembrando que a catequese é um dos pilares da educação da fé, que não é um trabalho como outro qualquer, mas que deve ajudar as crianças, jovens e adultos a conhecer e amar cada vez mais ao Senhor, ou seja uma das aventuras educativas mais bonitas. Da mesma forma ressaltou que não é a mesma coisa “ser” catequista que “trabalhar” como catequista, já que catequista é uma vocação.

Citando Bento XVI recordou que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atracção e o que atrai é o testemunho. Dessa forma mencionou as palavras de São Francisco de Assis quando dizia “pregai sempre o Evangelho e se fosse necessário também com as palavras”

Ser catequista - disse o papa Francisco - requer amor, o amor cada vez mais forte por Cristo e amor pelo seu povo santo e este amor necessariamente vem de Cristo. E perguntou-lhes: o que significa este vir de Cristo para um catequista? E explicou: “assim como faziam os antigos jesuítas”: em três pontos.

Em primeiro lugar recomeçar a partir de Cristo significa ter familiaridade com Ele, e acrescenta que “se estamos unidos a Ele podemos dar fruto, e esta é a familiaridade com Cristo”. E destacou assim que ter um “título de catequista” não serve, é somente um pequeno caminho, porque “não é um título, é uma atitude”. Dessa forma, perguntou aos catequistas como estão na presença do Senhor, o que fazem e se se deixam olhar por Ele. Deixar-se olhar por Cristo, destacou o santo padre, é uma forma de rezar e “isso esquenta o coração, tem acesso ao fogo da amizade, faz sentir que Ele verdadeiramente me vê, está perto de mim e me ama”.

Também reconheceu que entende que não é simples", especialmente para aqueles que são casados ​​e têm filhos, é difícil encontrar um longo momento de calma. Mas, graças a Deus, não é necessário fazer tudo da mesma forma; na Igreja há diversidade de vocações e diversidade de formas espirituais; o importante é encontrar o modo mais adequado para estar com o Senhor; e isso é possível em todos os estados de vida”.

O segundo elemento foi esse: recomeçar de Cristo significa “imitá-lo no sair de si e ir ao encontro do outro”. Uma experiência, explicou o Papa, um pouco paradoxal. Isto é “porque quem coloca no centro da própria vida a Cristo se descentraliza! Quanto mais você se une a Jesus e Ele se transforma no centro da sua vida, mais Ele faz com que você saia de si mesmo, se descentralize e se abra aos outros”.

Francisco explicou essa ideia dizendo que o coração do catequista vive sempre esse movimento de ‘sístole - diástole': união com Jesus e encontro com os outros. E falou do kerygma , que é um dom que o catequista recebe e um dom que ele dá.

E em terceiro lugar, "recomeçar a partir de Cristo significa não ter medo de ir com Ele para as periferias. Aqui, o papa falou sobre a história de Jonas, um homem piedoso, que quando o Senhor o chama para pregar em Nínive não se sente capaz, “Nínive está fora dos seus esquemas, está na periferia do seu mundo”. Com este exemplo o papa disse para não ter medo de sair dos nossos esquemas para seguir a Cristo, “porque Deus não tem medo das periferias”. E acrescentou que Deus é sempre fiel, não é fechado e nem rígido, vem ao nosso encontro, nos compreende. Também destacou a criatividade do catequista elemento chave do seu trabalho. “Se um catequista se deixa levar pelo medo, é um covarde; se um catequista está feliz por ser uma mera estátua de museu; se um catequista é rígido, torna-se seco e estéril” advertiu Francisco aos presentes. E do mesmo modo, recordou que “prefere uma Igreja acidentada do que uma Igreja doente”. E nesse trabalho, “nossa beleza e nossa força” é que “se saímos para levar o Evangelho com amor Ele caminha connosco” e “vai na frente” sempre. O santo padre destacou que Deus sempre nos precede e que se temos medo de ir a uma periferia, na verdade Ele já está lá.

Ao finalizar, o bispo de Roma agradeceu aos catequistas e convidou-lhes a permanecer com Cristo, ser uma só coisa com Ele, segui-lo e imitá-lo.


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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Não apenas turistas, mas peregrinos

Entrevista com Frei Paolo Martinelli por ocasião do "Festival franciscano", realizado em Rimini


Padova, 26 de Setembro de 2013


“Começar consigo; sem que a meta seja si mesmo; conhecer a si, mas não se preocupar consigo mesmo.” São Francisco certamente não leu O caminho do homem de Martin Buber (Qiqajon 1990), mas certamente caminhou 'transcendendo' a si mesmo.

Lê-se no comunicado do Festival Franciscano 2013, elaborado entre outros por frei Paolo Martinelli, capuchinho, presidente do Instituto de espiritualidade franciscana na Faculdade Antonianum, em Roma.

MSA (Mensageiro de Santo António): O que significa caminhar para São Francisco?
Martinelli: Em sua experiência e na dos franciscanos, caminhar é um sinal de itinerância, isto é, da vida como itinerário, com uma meta e um destino: o mundo está passando, não é negativo, mas não é o objectivo final. Para certas filosofias o universo em si é negativo, mas não é assim em Francisco. Basta pensar no Cântico do Irmão Sol: a existência terrena, mesmo marcada pelo pecado, é vontade de Deus.

Atravessar significa não parar?
Sim, não parar: a melhor forma para viver no mundo é atravessá-lo, vivendo todas as circunstâncias com uma perspectiva final. O caminho é sempre sentido como antecipação do sabor da meta, onde as coisas são belas porque levam para outro lugar.

O objectivo, portanto, está além desta vida...
Definitivamente. A existência franciscana tem um valor escatológico, isso não significa automaticamente a vida após a morte: o que vivemos tem um significado que vai além do imediato.

O senhor mencionou a vida após a morte: muitas vezes é representada como fixo e imóvel. Nada a ver com o "caminhar" então...
Somos herdeiros de uma cultura que separou o elemento histórico do sobrenatural, por isso, mesmo a vida após a morte é apresentada como imponderável, estática e abstracta. Se fosse assim, também seria pouco desejável... Em vez disso, os santos nos dão uma percepção de Deus extremamente vital e vivo, portanto, o caminho que o homem percorre na existência, de alguma forma antecipa a existência de Deus, que é vida em si. Deus é a profundidade máxima de tudo que vivemos no mundo, justamente porque é a origem e o destino. A ideia da Trindade, um Deus que é comunhão, evento eterno de amor, tem uma radical atracão vital. Cria o mundo como exuberância de vida, tal como a liberdade que participamos.

Mesmo os cristãos são acusados de "estagnação ". Em qualquer caminho de peregrinação, evidente que sim, os cristãos estão a percorrer, mas também as pessoas que estão “em busca”, como se o cristão não procurasse mais nada.
A realidade é, paradoxalmente, o oposto. Ter descoberto a resposta oferecida por Deus sugere ainda mais a pergunta, mas não fecha a partida, que é continuamente despertada pelo encontro com o Senhor. Santo Agostinho compreendeu: a busca do homem em relação a Deus está continuamente aberta, porque Ele é infinito, nunca se torna um 'conceito' para colocar no bolso.

O cartaz do Festival identifica três formas de caminhar: a do errante, a do turista e a do peregrino. Quais são as diferenças?
O errante não tem uma meta,o turista conhece a meta, mas não permite a mudança da viagem. Somente o peregrino intercepta o trajecto do desejo profundo, permanecendo fiel ao coração do homem. Nesta dimensão antropológica comum a todos, o cristão acrescenta um elemento: a peregrinação conta a verdadeira relação com Cristo, Aquele a quem deve sempre seguir e reencontrar.

Como cultivar um espírito de peregrino na vida quotidiana?
Através da pobreza, que é guardião do espírito de itinerância. A alternativa é deter-se em alguma coisa e criar uma meta falsa. Se nos prendemos em coisas, esperando o que não podem nos dar, no final,o caminho torna-se cheio de decepções.


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Positivas as palavras do novo presidente do Irão

Pontifício Conselho Justiça e Paz não duvida da sinceridade de Hassan Rohani, mas só os factos a confirmarão


Roma, 26 de Setembro de 2013


O cardeal Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, afirmou que, desde a eleição do novo presidente do Irão, Hassan Rohani, esperava-se um novo tipo de primavera, muito embora o líder do país islâmico tenha reiterado o direito de dar continuidade ao seu programa nuclear com fins pacíficos.

"Na ONU, a mensagem foi bastante conciliadora, apesar de que Israel não acredite muito nisso", comentou o cardeal. "Não tenho motivos para duvidar da sinceridade das palavras dele; temos que ver se ele vai agir de modo coerente com o que declarou na ONU".

O novo presidente do Irão, Hassan Rohani, declarou que o país "não desenvolverá armas nucleares em nenhuma circunstância", em entrevista à rede de televisão NBC, dos EUA. Rohani asseverou que tem "total autoridade para chegar a um acordo com o Ocidente", deixando claro, ao mesmo tempo, que conta com o apoio absoluto do líder supremo iraniano, a cargo do programa nuclear.

Esta entrevista foi a primeira de Rohani a um meio de comunicação estadunidense desde a sua eleição, em Junho, com pouco mais de 50% das preferências dos eleitores. Logo que foi eleito, manifestou a vontade de "apresentar o verdadeiro rosto do Irão como país culto e amante da paz".

Durante o seu primeiro pronunciamento nas Nações Unidas, o presidente iraniano afirmou que "podemos chegar a um acordo para gerir as nossas diferenças, desde que haja confiança mútua e transparência". Do mesmo modo, Rohani reconheceu a existência do holocausto judeu. "Qualquer crime que ocorreu na história contra a humanidade, incluindo o crime que os nazistas cometeram contra o povo judeu, assim como contra os não judeus, é condenável", disse ele em entrevista à rede CNN.


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Igreja latino-americana reforça a pastoral dos migrantes e refugiados

Lançado o site "Migrantes Hoje"


Roma, 26 de Setembro de 2013


Lançado o site Migrantes Hoje, num contexto em que 3,2% da população mundial é composto por migrantes internacionais: 80 milhões a mais desde 1990

Nesta terça-feira, 24, foi apresentado em Bogotá o novo site Migrantes Hoje, iniciativa do Departamento de Justiça e Solidariedade (DEIXUS) do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), que conta com a participação de uma rede formada por instituições eclesiais que trabalham com e em prol do migrante.

Na carta de apresentação, o presidente do DEIXUS-CELAM, dom Pedro Barreto Jimeno, SJ, manifestou o desejo de que a nova plataforma virtual "seja um serviço para as conferências episcopais e um local de encontro, apoio, informação e diálogo para os migrantes e refugiados que precisam de protecção legal e acolhimento humano, assim como para todos os que trabalham com eles".

"Que a Igreja seja uma voz profética e um lugar de braços abertos para defender a vida desses nossos irmãos", escreveu o arcebispo de Huancayo e primeiro vice-presidente da Conferência Episcopal Peruana.

Durante a apresentação, realizada online com a participação de jornalistas de todo o continente, foi possível conhecer melhor a iniciativa e os integrantes do conselho editorial, além dos representantes das diversas redes que trabalham hoje na pastoral do migrante na América Latina.

Os organizadores dedicaram palavras de gratidão à Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que, com seu apoio financeiro, permitirá "prestar um serviço de comunicação, informação, contacto, comunhão, formação e acompanhamento religioso, social e cultural" aos migrantes e refugiados, junto às suas famílias.

Colocar o migrante no centro
O padre Pedro Hughes, secretário executivo do DEIXUS, manifestou a sua satisfação com a culminação do projecto, que se materializa hoje em um portal a serviço do continente e talvez de outros continentes.

A continuidade do trabalho está garantida, afirmou Hughes, por ter sido construído com raízes bíblicas: no Antigo Testamento, a voz dos profetas sempre se levantou em favor do órfão, da viúva e dos estrangeiros ou migrantes. A solidez desta pastoral cresce à luz dos evangelhos, "porque Cristo não apenas se aproxima do refugiado e do migrante, mas se identifica com eles e os coloca no centro da atenção", enfatizou.

Hughes ressaltou ainda a recente visita do papa Francisco à ilha italiana de Lampedusa, onde "pediu perdão pelo que os países com mais poder económico fizeram aos irmãos que hoje vivem nas periferias geográficas e existenciais e com os quais é necessário ser responsáveis". O sacerdote fez um apelo para que a questão dos migrantes e refugiados "seja uma preocupação central na Igreja, para que o migrante se sinta em casa, acolhido sempre com um abraço de boas-vindas".

Recursos disponíveis
Na esperança de que o novo site se torne uma importante ferramenta de visibilidade para esta questão social, os organizadores o desenharam para oferecer notícias, reflexões e serviços fornecidos pelos centros de acolhimento em todo o continente americano. Está prevista ainda a disponibilização de estatísticas e informações legais.

Segundo os novos dados apresentados neste mês pela Organização das Nações Unidas, mais pessoas estão vivendo fora dos seus países natais. Em 2013, são 232 milhões de pessoas, ou 3,2% da população mundial, em comparação com 175 milhões no ano 2000 e 154 milhões em 1990.

As mesmas informações indicam que os países desenvolvidos acolhem 136 milhões de migrantes internacionais, enquanto 96 milhões são acolhidos pelos países em desenvolvimento. A maioria dos migrantes internacionais está em idade de trabalho (20 a 64 anos) e representa 74% do total. Em termos mundiais, os homens representam 52% e as mulheres 48% de todos os migrantes internacionais.


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Vaticano organiza seminário sobre a dignidade da mulher

Conselho Pontifício para os Leigos quer repropor o estudo da carta apostólica Mulieris dignitatem, do beato João Paulo II


Roma, 26 de Setembro de 2013


O Conselho Pontifício para os Leigos quer repropor o estudo da carta apostólica Mulieris dignitatem, do beato João Paulo II, no ano do vigésimo quinto aniversário da publicação. Desta vez, o foco da reflexão é a significativa frase que dá título ao seminário: “Deus confia o ser humano à mulher”.

Nesta frase, explica o dicastério, "poderíamos dizer que o papa recopila as intuições da reflexão que ele propôs 'em forma de meditação' ao longo do documento, e esclarece pontos sobre a específica dignidade e vocação da mulher".

O seminário analisará as mudanças históricas na imagem da mulher, indagará se essas mudanças significaram uma renúncia das mulheres ao seu papel e avaliará as múltiplas faces da crise cultural de hoje. Reflectirá ainda sobre o papel da mulher na construção da civilização do amor, tentará colocar alguns princípios teóricos necessários para a salvaguarda do humanum e apresentará propostas para uma nova civilização do amor.

O intercâmbio de ideias e o debate também terão espaço no seminário. Espera-se, assim, que o encontro amplifique o convite do papa Francisco, feito na missa de início do pontificado a todos os homens e mulheres de boa vontade: ser “guardiões da criação, do plano de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do meio ambiente”, sem permitir “que os sinais de destruição e de morte acompanhem o caminho deste nosso mundo”.

Para o aprofundamento na carta apostólica de João Paulo II, um comunicado publicado pelo dicastério explica que “a partir de uma breve referência às mudanças na vida da mulher durante os anos precedentes, o papa chama a nossa atenção para aquilo que, no meio de tantas mudanças, permanece firme porque é fundado em Cristo, o mesmo ontem, hoje e pelos séculos”.

Prosseguindo, o papa polaco apresenta o conceito da “ordem do amor”, que o ajuda a definir o que é específico da feminilidade. A mulher tem, em palavras de João Paulo II, "uma espécie de 'profetismo' particular na sua feminilidade (MD, 29), porque, de modo particular, é ela que recebe amor para poder amar, e não apenas na relação específica do casamento, mas como a sua característica mais universal, que, por isso, pode ajudar a compreender a especificidade feminina".

A partir do papel específico da mulher na “ordem do amor” e de uma reflexão sobre o paradigma bíblico da mulher, João Paulo II propõe neste documento uma importante conclusão: “A força moral da mulher, a sua força espiritual, se une à consciência de que Deus lhe confia de modo especial o homem, o ser humano. Naturalmente, cada homem é confiado por Deus a todos e a cada um. Esta entrega, porém, refere-se especialmente à mulher, especialmente em razão da sua feminidade, e isso decide principalmente a sua vocação” (MD, 30).

Esta frase será o ponto de partida para o estudo proposto pelo Conselho Pontifício para os Leigos aos participantes no próximo seminário de estudos. Com o passar dos anos, diz o comunicado, “parece crescer cada vez mais entre os nossos contemporâneos o que o papa Bento XVI chamava de ‘estranho ódio de si mesmos’, que se traduz em múltiplas expressões de mal-estar, como a crise de identidade masculina e feminina, a crescente influência da ideologia de géneros, a difusão da cultura da morte (aborto, mentalidade contraceptiva, eutanásia), a deterioração das relações humanas provocada pela ‘revolução sexual’, a emergência educativa, a lei que se torna aliada do subjectivismo ético, para mencionar somente algumas”.


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