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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Altamente…

Estar de férias e na praia implica, mais cedo ou mais tarde, uma ida ao cabeleireiro. 

Naturalmente chegou esse dia e lá fui eu, escolhendo aquele que se me afigurou mais confortável, em temos de distância e de espaço físico. Num ambiente normal, sem hora marcada, impunha-se algum tempo de espera o qual aproveitei para ir observando…

Desde homens com filhos para cortarem o cabelo, a senhoras com netas, filhas e amigas, de tudo ali havia no seu simples e fresco trajo de praia, mas francamente adequado, tamanhos correctos, texturas equilibradas, cores fantásticas que favoreciam os bronzeados e estabeleciam um sentido coerente entre o estético e o ético. De referir que até as profissionais que ali trabalham estavam elegantemente vestidas nas suas roupas funcionais, revelando a sua maneira de estar na vida, no trabalho e na sociedade.

Porém (e é esta conjunção adversativa o mobile do meu artigo), uma coisa aparentemente banal se revelou altamente perverso naquele espaço de tempo; foi a preponderância de inúmeras revistas, dessas que por aí andam muito badaladas, com papel de excelente qualidade mas que contrasta com as fotos que apresentam as quais eu defino com toda a segurança como “altamente porno”…

Fiquei tranquila por ver as pessoas, homens incluídos, a passarem as folhas com o ar mais enfadado e indiferente que se possa imaginar.

Ok, revistas de sala de espera, para matar o tempo, mas qual será a ideia – se é que em algumas cabeças ainda passam ideias sem silicone – de se fotografar ou ser fotografado, de publicar ou ser publicado naqueles aparatos, tão escandalosamente infelizes ou patologicamente narcísicos?

É que se há pessoas que conseguem fazer um afastamento crítico e discernir o que é normal do que não é, há outras que se deixam influenciar, contagiar e imitam exactamente o que de pior lhes servem, como também os jovens adolescentes, que como todos nós sabemos, têm uma maior tendência para seguir os maus exemplos…

Não escrevo por uma questão de pudor – nem sei se esta palavra já caiu em desuso – ou de desabafo, mas sim porque considero que esta forma de fazer notícias seja em papel ou em imagens televisivas, revela pouca integridade moral e desencadeiam comportamentos aberrantes e agressivos, nomeadamente no campo sexual. Vejamos o flagelo da pedofilia, pornografia, prostituição, violações, maus tratos e violência doméstica e por domesticar…não esquecendo ainda o horror dos raptos e do tráfico de jovens e de mulheres para negócios deste cariz. 

Não estamos a brincar, mas a deixar conspurcar o que de mais belo e melhor o ser humano tem, por isso é bom que pensemos nas consequências, a curto e a medio prazo, deste desleixo, permissivismo e indiferença com que nos habituámos a viver e a deixar andar. E depois não nos queixemos…
 

Maria d´Oliveira

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