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terça-feira, 15 de abril de 2014

A Páscoa e a fé no Ressuscitado

Depois de um itinerário acompanhando Jesus durante a Quaresma, chegamos à Páscoa, para Jesus meta do seu caminho, para nós início de um novo caminho, ou melhor, de um itinerário com um horizonte e meta distante, mas real. Na verdade, ficamos a saber que o sofrimento e a morte fazem parte do caminho, mas não são a meta final, pois é a vida que sai vitoriosa. Paulo diz-nos na primeira carta aos Coríntios (15, 14) que, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e a nossa fé e os seus discípulos seriam as pessoas mais infelizes do mundo.

Porque Cristo ressuscitou, está vivo, os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo de hoje e todos aqueles que os antecederam, biliões de pessoas, muitas delas entregando a sua vida pela sua fé na ressurreição, não fogem das situações de contrariedade e sofrimento. Ontem como hoje os discípulos missionários de Jesus Cristo mantém-se junto dos povos em guerra ou a sofrer com a pobreza e cataclismos da natureza, na Síria, no Sudão, nos Camarões, etc. Recordemos apenas um S. João de Brito, que preferiu o martírio na Índia ao conforto da corte real em Lisboa, ou a Madre Teresa de Calcutá junto dos pobres no Bangladesch, ou o jesuíta holandês Frans van der Lugt morto à bala há poucos dias na Síria e tantos outros que anualmente são martirizados pela fé no Morto Ressuscitado junto dos povos e das pessoas que sofrem! De modo especial desejo fazer memória agradecida pela vida do saudoso Papa João Paulo II, que no dia 27 de Abril será proclamado santo da Igreja Católica. Baleado na Praça de S. Pedro quando saudava e abençoava a multidão, no dia 13 de maio de 1981, milagrosamente salvo pela protecção da Nossa Senhora, como ele próprio afirmava, visitou na cadeia quem o pretendia matar e perdoou-lhe, como o fez Jesus na Cruz, perdoando a quem o crucificou: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.

O que leva estas corajosas testemunhas a manter-se junto do povo nessas situações de sofrimento? O amor de Jesus Cristo em quem acreditam e querem seguir de perto, na certeza de que só o amor que leva ao dom e entrega da vida sai vitorioso dos poderes da morte, da violência e do ódio e nos dá a alegria da fé, que proclama: Cristo ressuscitou, está vivo, aleluia.

É esta profissão de fé, num mundo deprimido por muitas crises, pessoais, familiares, sociais, políticas, alimentares, económicas e financeiras, que nos leva a levantar a cabeça e continuar com alegria e esperança o caminho da vida, perdoando, reconciliando, partilhando e acreditando na vitória do amor e da vida sobre o ódio, o egoísmo e a morte.

Neste sentido, como bispo de Beja enviado para o Alentejo para aqui ser testemunha de Cristo ressuscitado, quero pedir aos meus colaboradores e diocesanos que não se cansem de caminhar no meio deste povo, sempre atentos aos sinais de Deus na vida das pessoas, que anseiam e gritam pela verdadeira liberdade e realização plena da vida pessoal e comunitária. Caminhemos juntos, escutemo-nos, demos as mãos, olhando para Cristo, espelhado na vida dos pobres, dos doentes, dos solitários, dos presos, das crianças, dos jovens, das famílias e dos idosos e proclamemos, por palavras, mas mais por gestos e obras, a vitória da vida em Cristo ressuscitado e naqueles que acreditam.

A todos alegres festas pascais, pois Cristo está vivo, ressuscitou e a nossa fé não é vã, mas uma certeza dum caminho firme e seguro.


† António Vitalino, Bispo de Beja

Nota semanal em áudio:



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