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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

“Da pertinência de pensar o óbvio”

Parar e reflectir, pois amar a verdade implica também vivê-la!

Para Sua Santidade, o Papa Francisco, «o jornalista tem um papel de grande importância e ao mesmo tempo de grande responsabilidade, uma vez que, de alguma forma, escreve o primeiro esboço da História».

«O profissionalismo dos jornalistas assenta na necessidade de não se submeter às lógicas dos interesses de partes, sejam eles económicos ou políticos”. (…) Os jornalistas que desempenham o seu trabalho “com profissionalismo, continuam a ser um elemento fundamental para a vitalidade de uma sociedade livre e pluralista”, por isso nos diz com muita insistência, que nesta profissão também é muito importante “parar e reflectir”.

“Amar a verdade, viver com profissionalismo, o que vai além das leis e das normas, e respeitar a dignidade humana, o que é mais difícil do que se possa pensar à primeira vista”, são para o Papa os três pilares sobre os quais se deve apoiar a profissão. 

Amar a verdade não significa somente afirmar, mas viver a verdade. Testemunhá-la com o próprio trabalho. A questão não é ser ou não um fiel, destacou o Papa, mas ser ou não honesto consigo mesmo e com os outros. Na vida não é tudo branco ou preto. Também no jornalismo é preciso saber discernir as nuances narradas. “O verdadeiro trabalho ou a missão do jornalista é chegar o mais próximo possível da verdade dos factos e não dizer ou escrever coisas que já sabe não serem bem verdade”.

Viver com profissionalismo significa compreender e interiorizar o sentido profundo do próprio trabalho. Isto é, não submeter a própria profissão às pressões do poder vigente. A tarefa do jornalismo, a sua vocação, é promover a dimensão social do homem, favorecer a construção de uma verdadeira cidadania. “Deveria fazer-nos pensar que, no decorrer da história, as ditaduras não só tentaram apropriar-se dos meios de comunicação, mas também impor novas regras à profissão jornalística.”

Quanto ao último elemento, respeitar a dignidade humana, o Papa recordou que é importante em qualquer profissão, mas de modo especial no jornalismo, porque atrás de qualquer notícia há sentimentos, emoções, há a vida das pessoas com toda a humanidade que lhes assiste. 

O jornalismo não se pode tornar numa arma de destruição, nem deve alimentar o medo ou a suspeição, mas simplesmente contar a verdade dos factos, vinda de fontes fidedignas.

Francisco anseia que o jornalismo seja um instrumento de construção e de paz; que não ateie o fogo das divisões, mas favoreça uma cultura do encontro, pelo que convidou os católicos de todo o mundo a rezarem pelos jornalistas, para que o seu trabalho seja marcado pelo “amor à verdade” e “sentido ético”.

Este pedido foi recentemente dirigido à Rede Mundial de Oração do Papa, um movimento do Apostolado da Oração (AO), e foi apresentada no Vídeo do Papa, onde a mensagem de Francisco é acompanhada de imagens de redações e de profissionais da Comunicação Social. De acordo com o AO, organização ligada aos Jesuítas, estima-se que façam parte da Rede Mundial de Oração do Papa mais de 30 milhões de pessoas, em dez idiomas, incluindo o português.

Sem mais delongas, unamo-nos à intenção de Oração do Santo Padre para este mês de Outubro e rezemos para que o Senhor conceda aos profissionais dos media o tão desejado, quanto necessário, «respeito pela verdade» e «forte sentido ético».*

*Baseado em excertos de textos pronunciados pelo Papa Francisco ao Jornalistas durante o seu Pontificado

José M. Esteves


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