Parar e
reflectir, pois amar a verdade implica também vivê-la!
Para Sua Santidade, o Papa Francisco, «o jornalista
tem um papel de grande importância e ao mesmo tempo de grande responsabilidade,
uma vez que, de alguma forma, escreve o primeiro esboço da História».
«O profissionalismo dos jornalistas assenta na
necessidade de não se submeter às lógicas dos interesses de partes, sejam eles
económicos ou políticos”. (…) Os jornalistas que desempenham o seu trabalho
“com profissionalismo, continuam a ser um elemento fundamental para a
vitalidade de uma sociedade livre e pluralista”, por isso nos diz com
muita insistência, que nesta profissão também é muito importante “parar e
reflectir”.
“Amar a verdade, viver com profissionalismo, o que vai além
das leis e das normas, e respeitar a dignidade humana, o que é mais difícil do
que se possa pensar à primeira vista”, são para o Papa os três pilares sobre os
quais se deve apoiar a profissão.
Amar a verdade não
significa somente afirmar, mas viver a verdade. Testemunhá-la com o próprio
trabalho. A questão não é ser ou não um fiel, destacou o Papa, mas ser ou não
honesto consigo mesmo e com os outros. Na vida não é tudo branco ou preto.
Também no jornalismo é preciso saber discernir as nuances narradas. “O verdadeiro trabalho ou a missão do jornalista
é chegar o mais próximo possível da verdade dos factos e não dizer ou escrever
coisas que já sabe não serem bem verdade”.
Viver com profissionalismo
significa compreender e interiorizar o sentido profundo do próprio trabalho.
Isto é, não submeter a própria profissão às pressões do poder vigente. A tarefa
do jornalismo, a sua vocação, é promover a dimensão social do homem, favorecer
a construção de uma verdadeira cidadania. “Deveria fazer-nos pensar que, no decorrer da história, as ditaduras não
só tentaram apropriar-se dos meios de comunicação, mas também impor novas
regras à profissão jornalística.”
Quanto ao último elemento, respeitar a dignidade humana, o Papa
recordou que é importante em qualquer profissão, mas de modo especial no
jornalismo, porque atrás de qualquer notícia há sentimentos, emoções, há a vida
das pessoas com toda a humanidade que lhes assiste.
O jornalismo não se pode tornar numa
arma de destruição, nem deve alimentar o medo ou a suspeição, mas simplesmente
contar a verdade dos factos, vinda de fontes fidedignas.
Francisco anseia que o jornalismo seja
um instrumento de construção e de paz; que não ateie o fogo das divisões, mas
favoreça uma cultura do encontro, pelo que convidou os católicos de todo o mundo a rezarem pelos
jornalistas, para que o seu trabalho seja marcado pelo “amor à verdade” e
“sentido ético”.
Este pedido foi recentemente
dirigido à Rede Mundial de Oração do Papa, um movimento do Apostolado da Oração
(AO), e foi apresentada no Vídeo do Papa, onde a mensagem de Francisco é
acompanhada de imagens de redações e de profissionais da Comunicação Social. De
acordo com o AO, organização ligada aos Jesuítas, estima-se que façam parte da
Rede Mundial de Oração do Papa mais de 30 milhões de pessoas, em dez idiomas,
incluindo o português.
Sem mais delongas,
unamo-nos à intenção de Oração do Santo Padre para este mês de Outubro e
rezemos para que o Senhor conceda aos profissionais dos media o
tão desejado, quanto necessário, «respeito pela verdade» e «forte sentido
ético».*
*Baseado em excertos de textos pronunciados pelo Papa
Francisco ao Jornalistas durante o seu Pontificado
José
M. Esteves
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