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sábado, 4 de maio de 2013

Os 10 deputados da esquerda contrários ao matrimónio gay votaram pensando nas crianças

«A diferença sexual estrutura a humanidade»

São quatro comunistas, dois radicais e quatro socialistas, um deles sobrinho-neto do ex-presidente François Mitterrand.

Actualizado 28 de Abril de 2013

J.M. Ballester Esquivias / ReL


Foram dez. Dez deputados de distintos grupos da esquerda da Assembleia Nacional francesa que desafiaram as instruções dos seus chefes e votaram contra o projecto de lei de "matrimónio" gay, promessa estrela de François Hollande na sua campanha eleitoral do ano passado.

Entre eles encontra-se Jérôme Lambert, deputado socialista da Charente e sobrinho neto do ex-presidente François Mitterrand. Lambert reconhece que teria votado a favor da lei se esta não tivesse contemplado a adopção. “Nego-me a que existam duas categorias de crianças e não quero que se possa procriar com assistência médica ou gerar por conta alheia”, explicou ao Le Point. Lambert justifica a sua postura em princípios contrários à “mercantilização do vivo e ao eugenismo”.

Na mesma linha manifesta-se Patrice Carvalho, pertencente ao grupo Esquerda Democrática e Republicana, que reúne, entre outros, os deputados vinculados ao Partido Comunista. Carvalho, que se define como agnóstico, também teme pelas crianças de casais gays. “Ai, quando chegarem ao colégio e lhes digam ´filho de maricas´ ou ´filho de lésbica´”.

Entre os que votaram contra ou se abstiveram figuram vários deputados dos territórios e províncias do ultramar. Um deles, Bruno Nestor-Azérot explica que nas suas terras a prática totalidade da população está contra a lei. “Porque sou um homem de esquerda, prefiro o humano e o humanismo ao que leva esta lei”. Além disso, pensa que há um risco de ruptura moral, por uma parte, e por outra, critica que a lei seja contrária a todos os usos e costumes da sua terra, a Martinica.

De volta à metrópole, o socialista Jean-Philippe Mallé - que se decantou pela abstenção - alega que “em chave antropológica, a diferença sexual estrutura a humanidade” e reconhece a influência que teve nele um artigo publicado no Le Monde pelo filósofo Paul Thibaud. “A lei é um abuso dos adultos sobre as crianças: já seja homossexual ou heterossexual, não existe um ´direito´ à criança”, escrevia uma das cabeças pensantes da revista Esprit.

Os 10 deputados da esquerda que disseram "não" a Hollande são:
  1. Bernadette Laclais (Socialista)
  2. Jerôme Lambert (Socialista)
  3. Patrick Lebreron (Socialista)
  4. Gabrielle Louis-Carabin (Socialista)
  5. Ary Chalus (Radical Republicano)
  6. Thierry Robert (Radical Republicano)
  7. Bruno Néstor-Azérot (Esquerda Democrática e Republicana)
  8. Patrice Carvalho (Esquerda Democrática e Republicana)
  9. Alfred Marie-Jeanne (Esquerda Democrática e Republicana)
  10. Jean.Philippe Nilor (Esquerda Democrática e Republicana)

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