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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Fraternidade

Estava a ouvir falar de fraternidade e uma frase entrou no meu espírito como uma descarga que não me largou mais – a crueldade da indiferença.

Não mais me saiu do pensamento, a ideia de como poderemos ser cruéis sem nos apercebermos.

Nestas deambulações do espírito, veio-me à memória um cartão, que uma senhora no autocarro me ofereceu, um dia, era eu bastante jovem. O cartão dizia: sorri ainda que o teu sorriso seja triste, pois mais triste que um sorriso triste, é a tristeza de não saber sorrir. Na altura pensei que era bem fácil fazê-lo. Hoje, mais avançada nos anos, sei que nem sempre é fácil sorrir, mas também penso - se sou filha de Deus, se Ele vai nascer na noite de Natal, e nasce todos os dias na minha alma, quando comungo, porque não havemos de sorrir. E se mesmo assim não conseguirmos, peçamos ajuda a Maria que ela não irá deixar-nos mal.

Fraternidade é olhar o outro com amor fraterno, olhar e tratar, o outro que vive comigo em casa, o outro que trabalha comigo, o outro que me serve, o outro que encontro no autocarro…

E poderia continuar a definir o outro como qualquer ser humano que se cruza no meu caminho. Se assim for e espero que seja para todos nós, haverá Tertulianos a dizer: vede como eles se amam.

Este será o nosso espírito de verdadeiro Natal, tempo da verdadeira paz e assim eliminar-se-á para sempre a crueldade da indiferença.

Maria Teresa Conceição
professora aposentada



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