Estava a ouvir falar de fraternidade e uma frase
entrou no meu espírito como uma descarga que não me largou mais – a crueldade
da indiferença.
Não mais me saiu do pensamento, a ideia de como
poderemos ser cruéis sem nos apercebermos.
Nestas deambulações do espírito, veio-me à
memória um cartão, que uma senhora no autocarro me ofereceu, um dia, era eu
bastante jovem. O cartão dizia: sorri ainda que o teu sorriso seja triste, pois
mais triste que um sorriso triste, é a tristeza de não saber sorrir. Na altura
pensei que era bem fácil fazê-lo. Hoje, mais avançada nos anos, sei que nem
sempre é fácil sorrir, mas também penso - se sou filha de Deus, se Ele vai
nascer na noite de Natal, e nasce todos os dias na minha alma, quando comungo,
porque não havemos de sorrir. E se mesmo assim não conseguirmos, peçamos ajuda
a Maria que ela não irá deixar-nos mal.
Fraternidade é olhar o outro com amor fraterno,
olhar e tratar, o outro que vive comigo em casa, o outro que trabalha comigo, o
outro que me serve, o outro que encontro no autocarro…
E poderia continuar a definir o outro como
qualquer ser humano que se cruza no meu caminho. Se assim for e espero que seja
para todos nós, haverá Tertulianos a dizer: vede como eles se amam.
Este será o nosso espírito de verdadeiro Natal,
tempo da verdadeira paz e assim eliminar-se-á para sempre a crueldade da
indiferença.
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Maria Teresa Conceição
professora aposentada
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