Aberto ontem, em Londres, o III Encontro dos Bispos e Delegados das Conferências Episcopais da Europa para as Relações com os Muçulmanos
Roma, 02 de Maio de 2013
"O cenário internacional foi vastamente modificado depois
das ‘primaveras árabes’ no Egipto e na Tunísia, da guerra na Líbia, do
conflito na Síria e das suas repercussões em todo o Oriente Médio",
disse o cardeal Jean-Pierre Ricard, no discurso de abertura, feito ontem
à tarde, do III Encontro dos Bispos e Delegados das Conferências
Episcopais da Europa para as Relações com os Muçulmanos.
A reunião acontece em Londres para discutir a relação entre diálogo
e anúncio. Para o cardeal de Bordeaux, essas mudanças “não acontecem
sem repercutir na opinião pública dos nossos países europeus”.
Descobrimos, diz o cardeal, que “a situação dos muçulmanos e das
comunidades e associações muçulmanas é muito mais complexa e variada do
que pensávamos”. No que diz respeito à formação da identidade dos jovens
cristãos e muçulmanos em face de jovens muçulmanos em busca de
identidade, que é outra questão discutida durante o encontro, “é
interessante para nós analisar qual é o comportamento dos jovens
católicos. Estas situações, às vezes, podem têm efeitos benéficos”,
disse o cardeal.
Discursando na sessão de abertura, o cardeal Jean Louis Tauran,
presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso,
reforçou a importância do diálogo entre cristãos e muçulmanos, da visita
do papa Bento XVI ao Líbano, com a reunião entre ele e os líderes
religiosos muçulmanos, e da criação do Centro Inter-Fé em Viena, “que
poderá ser um novo canal para denunciar a violação da liberdade
religiosa e, ao mesmo tempo, incentivar e compartilhar experiências
positivas. Os crentes”, destaca o cardeal Tauran, “por saberem que o
homem não vive só de pão, estão cientes de que precisam contribuir
especificamente na vida diária e que precisam fazer isso juntos, não
como concorrentes, mas como peregrinos no caminho da verdade”.
O relatório inicial foi confiado ao pe. Andrea Pacini, secretário da
Comissão para o Ecumenismo e para o Diálogo Inter-Religioso da
Conferência Episcopal Regional do Piemonte - Vale de Aosta, na Itália.
Ele propôs uma releitura de "Diálogo e Proclamação", documento de 1991
publicado em conjunto por dois dicastérios do Vaticano (o Conselho
Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e a Congregação para a
Evangelização dos Povos).
Pacini lembrou que existem várias formas de diálogo inter-religioso: o
"diálogo da vida quotidiana", o diálogo "das obras", através do qual se
colabora para o desenvolvimento integral do homem, o diálogo do
intercâmbio teológico e, finalmente, o diálogo da experiência religiosa,
"no qual pessoas enraizadas na sua própria experiência religiosa
compartilham as suas riquezas espirituais". Para Pacini, "diálogo e
anúncio são legítimos e necessários. São intimamente relacionados, mas
não são intercambiáveis: por uma parte, o verdadeiro diálogo
inter-religioso pressupõe, por parte do cristão, o desejo de fazer
conhecer e amar Jesus Cristo cada vez mais; e por outro, o anúncio de
Jesus Cristo deve ser feito no espírito evangélico do diálogo, sem
agressividade e sem desprezo". Para Pacini, a postura suprema que
sintetiza diálogo e proclamação é o testemunho.
À noite, a baronesa Sayeeda Hussain Warsi, ministra britânica para a
Fé e para as Comunidades - Exterior e Commonwealth, reuniu-se com os
participantes para um jantar informal.
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