quinta-feira, 18 de julho de 2019

Praticar a hospitalidade


Palavra e Pão 77                                                                                             XVI Domingo do Tempo Comum

1 - Entre, quem é?
Lembro-me de que assim dizia a minha mãe, a quem batia à nossa porta. De facto, para nós cristãos, acolher quem se aproxima é quase o mesmo que receber Cristo, é quase a mesma coisa que receber Deus. Esta mesma atitude podemos vê-la, na primeira leitura da missa do próximo domingo, em Abraão, sentado diante da sua tenda, à sombra do carvalho de Mambré. Ele vê aqueles três homens desconhecidos, caminhando no meio do calor do dia, e pede-lhes que parem um pouco e que descansem, pois não é por acaso que estão passando hoje diante dele. Abraão viu três, mas apenas falou com um, e os padres da Igreja veem, neste pormenor da narrativa, a revelação do mistério de Deus, Uno e Trino que vem anunciar a Abraão o nascimento de seu filho Isaac.

Um filho, nesta altura em que nem ele nem Sara sua mulher estão em idade de procriar? Abraão, diz S. Paulo na carta aos Romanos, esperando contra toda a esperança, acreditou e tornou-se pai de muitos povos (…). E foi sem vacilar na fé que considerou o seu corpo já morto- ele tinha perto de cem anos- e o seio de Sara também já amortecido. Perante a promessa de Deus fortaleceu-se na fé, dando glória a Deus, e, de facto, Sara concebeu e deu à luz Isaac, o filho da promessa ( Cf. Rm 4, 18-20 ).

Quantas vezes se continua a repetir, na história da humanidade, este mesmo gesto de hospitalidade em pessoas até ali fechadas em si mesmas e estéreis que se abrem á fé e se tornam extraordinariamente fecundas por terem acolhido Deus em suas vidas! Pelo contrário, vemos também que o fechamento de tantos países aos refugiados e o atual inverno demográfico da nossa sociedade portuguesa são consequência da ausência de Deus e deste viver egoísta, sem abertura à vida, praticado por tanta gente que deixou de confiar em Deus para confiar apenas nas suas contas e programas.

2 – Na leitura do Evangelho vemos a hospitalidade de Marta que recebe em sua casa o Senhor Jesus. Atarefada com muito trabalho e vendo a sua irmã Maria sentada aos pés de Cristo, escutando-O atentamente, Marta pede ao Senhor que mande Maria levantar-se para a vir ajudar. Esta lógica de Marta foi contrariada e reorientada pela resposta que Jesus lhe deu: andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não  lhe será tirada (Lc 10, 41-42).

Como é normal, caros irmãos e irmãs, são várias as interpretações desta palavra do Senhor. Penso que, para nós hoje, será bastante compreender que a hospitalidade física de Marta é boa, mas deve levar-nos à hospitalidade espiritual de Maria que escuta o Senhor e guarda a sua palavra. A hospitalidade de Marta dá muito trabalho, a de Maria enche de paz. A de Marta, que recebeu Jesus em sua casa, é necessária, mas incompleta, porque, tomada pelo muito serviço, fica impedida de acolher o Senhor, escutando e guardando em seu coração a sua Palavra. Na hospitalidade de Marta a presença do Senhor é passageira, mas na de Maria, o Senhor permanece. Na hospitalidade de Marta tudo gira em torno dela, mas na de Maria é o Senhor que está e permanece no centro. Por isso, porque nos descentra de nós mesmos e nos ajuda a viver do Pai e para o Pai, Cristo é, para nós, a melhor parte. Porque Ele nos leva ao centro da nossa existência, à única coisa necessária que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, é bom que Ele sempre permaneça em nós, é bom que não nos seja tirado ( Lc 10,42)!

3 – No meio de vós, Cristo, esperança da glória! E nós O anunciamos, advertindo todos os homens e instruindo-os com toda a sabedoria, a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo ( Cl 1,27-28 ). No meio de vós, Cristo. Entronizado no meio de vós, em vossos corações, não em outro lugar qualquer, afirma S. Paulo na segunda leitura, da Carta aos Colossenses. O centro da nossa vida é Cristo crucificado, morto e ressuscitado por nós, em nosso favor, no seu Mistério Pascal. Acolher Jesus leva-nos a viver crucificados com Ele, com Ele mortos e ressuscitados, e com Ele já glorificados.

A vida cristã, caros irmãos e irmãs, leva-nos à união com o Senhor Jesus, centro da nossa existência, leva-nos a viver d’Ele e para Ele, tal como S. Paulo se expressa, falando da sua própria experiência: agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós, e completo na minha carne, o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu Corpo que é a Igreja.

Temos um longo caminho a percorrer. Mas, imitando Abraão, Maria e Paulo, pratiquemos desde já uma verdadeira hospitalidade para com o Senhor escutando como dirigida a nós a sua palavra proclamada nas celebrações e guardando-a no nosso coração. E recebamo-l’O conscientemente quando comungamos o seu Corpo na Santa Eucaristia.


+ J. Marcos, bispo de Beja



Homilia



na celebração dos 249 anos da restauração da diocese
Sé de Beja
-10 de julho de 2019-

1 -  Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,
e dai graças ao Seu Nome Santo!
A sua ira dura apenas um momento,
e a sua benevolência a Vida inteira.
Ao cair da noite vêm as lágrimas,
mas ao amanhecer volta a alegria!

Sr. Vigário Geral, Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cónegos, Reverendos Padres e Diáconos, Religiosos e Religiosas, Seminaristas, todos vós, fiéis leigos desta diocese de Beja, aqui presentes.

Cantemos ao Senhor e demos-Lhe graças! Para isso nos reunimos frequentemente, para isso estamos hoje aqui, marcando, deste modo, o início das comemorações deste ano de festa em toda a diocese. Cantemos ao Senhor pela sua grande misericórdia para connosco, manifestada nestes 250 anos ao longo dos quais tantas vezes as lágrimas nos visitaram, mas em que também as consolações e as alegrias do Senhor chegaram até nós.

Ouvimos há momentos, na belíssima leitura do profeta Isaías, o Senhor  manifestando o seu amor de Esposo a Jerusalém, sua Esposa da juventude, que por causa dos seus comportamentos pecaminosos tinha sido levada para o cativeiro de Babilónia. Cheio de amor,  o Senhor voltou a chamá-la e a edificá-la como sua Esposa querida. São três os momentos desta história: o tempo do primeiro amor, o tempo do cativeiro, e, por fim, o tempo do reencontro e do amor fiel.

 Não vedes, caros irmãos e irmãs, na história do povo de Israel, o desenho da história da nossa diocese? Nascida no longínquo século V, conhecemos os nomes de alguns dos seus bispos que participaram em concílios e assinaram as suas atas. De Apríngio de Beja, homem notável, elogiado por Santo Isidoro de Sevilha pela sua erudição e sabedoria, chegou-nos o seu famoso comentário ao livro do Apocalipse. Foram esses os tempos do primeiro amor.

Com a conquista muçulmana, no século VIII, pouco a pouco, a diocese pacense, tão ilustre na Lusitânia romana e nos tempos visigóticos, deixou de aparecer. No ano de 851, foi martirizado em Córdoba, pelos muçulmanos, o seu filho Sisenando, diácono e estudante de teologia. No século X, a recém-criada diocese de Badajoz considerou-se herdeira da diocese de Beja e assumiu para os seus bispos o título «pacense», até então atributo dos bispos de Beja. Com a reconquista, a cidade de Évora ganhou proeminência em relação a Beja e praticamente todo o Alentejo ficou integrado na sua enormíssima diocese. No século XVI, o Cardeal D. Henrique tentou em vão restaurar esta diocese, mas tal apenas foi possível em 1770,  no reinado de D. José.

A alegria própria deste regresso do cativeiro tornou-se visível no primeiro bispo da diocese restaurada, D. Frei Manuel do Cenáculo. Mas ainda seria necessário atravessar praticamente todo o difícil século XIX para que os bispos de Beja pudessem, de facto, trabalhá-la pastoralmente.

Celebrar os 250 anos da restauração desta diocese não é possível sem referirmos os Senhores D. António Xavier de Sousa Monteiro e D. Sebastião Leite de Vasconcelos, e obviamente, o grande bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, e os seus sucessores (D. Manuel dos Santos Rocha, D. Manuel Falcão e D. António Vitalino) e tantos padres, religiosos, religiosas e leigos que deram a sua vida pelo Evangelho no Baixo Alentejo! . Quantas vicissitudes sofridas, quantos projetos e trabalhos empreendidos, quantas perseguições e difamações suportadas, quantos combates travados dentro e fora da diocese, a todos os níveis, para lhe criar condições de sobrevivência, para nela fazer crescer e frutificar a vida cristã!

Como se ajustam à realidade histórica desta Diocese estas palavras da 1ª leitura, proclamadas há momentos: Como à mulher abandonada e de alma aflita, o Senhor volta a chamar-te. Num acesso de ira, escondi de ti a minha face, mas na minha misericórdia eterna, tive compaixão de ti, diz o Senhor, teu Redentor. (…) Ainda que sejam abaladas as montanhas e vacilem as colinas, a minha misericórdia não te abandonará, a minha aliança de paz não vacilará, diz o Senhor, compadecido de ti.

2 – Ao iniciarmos hoje a celebração dos 250 anos da restauração da nossa diocese, talvez não seja descabido perguntarmo-nos: o que é uma diocese?

Podemos ler, no cânone 369 do Código de Direito Canónico:

Uma diocese é a porção do povo de Deus que é confiada ao bispo para ser apascentada com a cooperação do presbitério, de tal modo que, aderindo ao seu pastor e por este congregada no Espírito Santo, mediante o Evangelho e a Eucaristia, constitua a Igreja particular, onde verdadeiramente se encontra e atua a Igreja de Cristo una, santa, católica e apostólica (can. 369).

Estas palavras, apresentam a diocese, antes de mais, como uma porção do povo de Deus confiada a um pastor, o bispo diocesano, que a apascenta com a cooperação do presbitério. Esta porção do povo santo de Deus constitui-se como Igreja particular onde se encontra e atua verdadeiramente a Igreja de Cristo.

Como facilmente podemos ver, a diocese é uma realidade que supõe o bom relacionamento entre o bispo e os fiéis que ele apascenta, e também entre os presbíteros e o bispo de quem são extensão, e, ainda, entre os presbíteros e os fiéis que eles pastoreiam, unidos ao bispo. Estes bons relacionamentos que têm a sua origem no Espírito Santo que nos congrega e é oferecido pela pregação do Evangelho e pela celebração da Eucaristia, são manifestação da comunhão fraterna dos filhos adotivos de Deus Pai. Assim, a tarefa primordial do bispo da Diocese tem de ser, necessariamente, o cultivar desta comunhão de todos, no Senhor, de modo a podermos anunciar as maravilhas que ele realizou em nosso favor, e de que somos testemunhas. Esta comunhão é fruto da vida cristã, fruto daquela fé que nos justifica, daquela esperança sobrenatural que não engana, e do amor que Deus derramou em nossos corações, pelo Espírito Santo (Cf. Rm 5, 1-4). É uma realidade sobrenatural, teologal, não atingível pelas forças humanas, mas indispensável à vida do homem sobre a terra, e que, por isso mesmo, devemos pedir e suplicar insistentemente ao Espírito Santo. Mais do que fruto do nosso trabalho, é obra do Espírito Santo em nós, para o mundo. E, no entanto, o Espírito não tem braços nem pernas, além dos nossos, para realizar as suas obras.

3 - O Evangelho que escutámos, a parábola do Semeador, mostra-nos Jesus Cristo, Ele mesmo Palavra eterna do Pai, que por amor de nós homens, e para nossa salvação desceu dos Céus e se fez homem para semear a Palavra do Reino dos Céus nos mais diversos terrenos do mundo, que somos nós.

Aquela terra boa que o Senhor compara a um coração nobre e generoso onde é possível recolhermos cem por um, é vista na Igreja Católica como sendo imagem do Coração Imaculado da Virgem Santa Maria que escutou a Palavra do Anjo Gabriel e deu ao mundo Cristo Jesus, nosso Senhor.

 Que terreno és tu, querido irmão, querida irmã? Não sejamos o caminho calcado pelos homens e incapaz de acolher a semente do Evangelho, embora nesta diocese não faltem, infelizmente, muitos exemplos desse terreno. Penso efetivamente, caros fiéis aqui reunidos, que a maior parte de nós nos encontramos representados no segundo e no terceiro terrenos desta parábola.

Os do segundo terreno são os superficiais, são aqueles que escutam com alegria, mas em quem a palavra não pode aprofundar, porque há rochas escondidas que a impedem. Essas rochas, só o Senhor pode quebrá-las. E os do terceiro terreno, como o próprio Senhor explicou no Evangelho, são terra boa onde crescem, juntamente com a palavra escutada, silvas e cardos que a abafam e impedem de dar o fruto esperado. Como ensina o Evangelho, todos serão ensinados por Deus, mas uma vida cristã de prática habitual pode ir mondando essas ervas daninhas que impedem a boa semente de frutificar.

4 – Se, por sermos cristãos, podemos e devemos ver-nos representados nos terrenos sobre os quais a semente é lançada e vai crescendo, nós os pastores e todos vós que tendes a missão de anunciar o Evangelho, escutemos também aquilo que Jesus diz acerca do Semeador. Diz que ele saiu a semear a sua semente. Sublinho, caros irmãos, o sair para semear, e também que semeia a sua semente com muita generosidade, também em terras humanamente pouco ou nada preparadas para produzirem bom fruto.

Como afirma sabiamente o Padre António Vieira, um é o que tem o nome de lavrador e outro o que lavra; um é o que tem o nome de semeador e outro o que semeia. O que lavra não fica em casa, sai. E semeia, não a semente dos outros, mas a sua própria semente, os frutos que a Palavra de Deus produziu na sua vida. Ele é testemunha de que aquela semente que lança à terra, a palavra que proclama, é a Verdade. Diz e faz aquilo que anuncia!

Ao longo destes duzentos e cinquenta anos, a Palavra de Deus foi anunciada com amor nestes concelhos do distrito de Beja e do distrito de Setúbal que formam a nossa diocese, nem sempre com o sucesso que humanamente seria de esperar, mas sempre como fonte e alimento da fé em que todos nós fomos batizados e vivemos. Tomemos, irmãos, como programa pastoral permanente para a nossa diocese de Beja este evangelho do Semeador que semeia a boa semente da Palavra de Deus, e ponhamo-lo em prática. Segundo a promessa do Senhor que escutámos na profecia de Isaías: Ainda que sejam abaladas as montanhas e vacilem as colinas, a minha misericórdia não te abandonará, a minha aliança de paz não vacilará, diz o Senhor, confiemos que, pela intercessão da Virgem Santa Maria e de S. José nosso padroeiro, e também pela de S. Sisenando, padroeiro da cidade de Beja, não faltarão, no futuro desta diocese, os frutos de uma seara abundante.

+ J. Marcos, bispo de Beja




Há vida, há festa!

Carta aos Diocesanos de Beja
por ocasião das celebrações dos 250 anos da
restauração da Diocese


Amados irmãos e irmãs:

Louvai o Senhor porque é bom cantar, é agradável e justo celebrar o seu louvor (Sl 147A, 1).

Festejar os 250 anos da diocese
1. Venho convocar-vos para a celebração dos 250 anos da restauração da nossa diocese de Beja. São antiquíssimas as suas raízes e há testemunhos de que, mesmo no tempo de domínio muçulmano, a fé cristã, embora muito condicionada, permaneceu nestas paragens. A restauração da diocese de Beja em finais do século XVIII, pouco antes da Revolução Francesa e num momento de difícil relacionamento entre o poder civil e a Igreja, separando-a da arquidiocese de Évora, não foi um processo fácil. Eram os tempos da perseguição dos jesuítas e da supressão da Companhia de Jesus (1773). Em D. Frei Manuel do Cenáculo, homem culto, teve a renovada diocese o seu primeiro bispo, cheio de zelo pelo bem das suas ovelhas. O século XIX, que viu o triunfo dos liberais e a extinção das Ordens Religiosas, foi um tempo em que esta diocese, tantas vezes mal pastoreada, esteve a ponto de ser suprimida de novo. Graças a Deus e à ação decidida de muitos homens, entre os quais avulta o Cónego Boavida, tal não aconteceu. Com o Sr. D. José do Patrocínio Dias, e com os bispos que lhe sucederam (D. Manuel dos Santos Rocha, D. Manuel Franco Falcão e D. António Vitalino Dantas, atualmente bispo emérito), a diocese de Beja foi consolidada. Chegamos assim aos 250 anos da sua restauração. É a vida de um quarto de milénio que, com muita alegria, vos convido a festejar.

Podemos dizer, com toda a verdade, que esta igreja diocesana foi moldada pela pregação e pela ação, pelo suor e pelas lágrimas, não só dos seus bispos mas também dos padres, dos religiosos e religiosas e leigos que, em cada tempo, os acompanharam. Somos herdeiros, queridos irmãos e irmãs, de uma história difícil, por vezes dramática. Convido-vos assim a glorificar a bondade e a misericórdia de Jesus Cristo Nosso Senhor, continuamente manifestadas e oferecidas aos fiéis nas comunidades celebrantes desta diocese. Foi nessa perspetiva que preparámos as celebrações do próximo ano de 2019-2020. Louvemos a fidelidade do Senhor para com esta Igreja diocesana e peçamos-Lhe também perdão pelos nossos pecados e pelos pecados daqueles que nos precederam.

Conhecer a sua história
2. Festejar a existência da nossa diocese é celebrar a sua vida como Igreja de Cristo. De facto, é só a Ele, Ressuscitado e fonte de Vida, que sempre celebramos. Convido-vos a conhecê-l’O melhor nas suas obras de amor para connosco, a mastigar a sua mensagem e a esperar o cumprimento das suas promessas, e a amá-l’O com aquele amor primeiro que todos devemos dar só a Deus. Conhecer o Senhor Jesus pelos testemunhos que d’Ele nos chegaram dos primeiros cristãos e que foram reunidos nos quatro Evangelhos e nos outros escritos do Novo Testamento leva-nos a compreender que Moisés e os Profetas e toda a Escritura, é d’Ele que falam. E esse conhecimento que d’Ele nos dão as Escrituras é precioso para nós, porque nos ajuda a ler e a compreender a linguagem das suas obras, transformando assim as histórias das nossas vidas em história de salvação.

Para que a história da nossa diocese seja assim interpretada, vivida e celebrada, precisamos de a conhecer. A propósito, quero anunciar-vos, caros irmãos e filhos, que em breve tereis nas mãos um resumo da História da nossa diocese feito pelo Padre Luís Miguel Taborda Fernandes e pelo Cónego António Mendes Aparício, aos quais agradeço o esforço feito para tornar possível este desejo meu e de muitos de vós. Será, para muitos, uma surpresa grande conhecer algo acerca de Apríngio de Beja, bispo notável do tempo dos visigodos, cuja ciência e erudição foram elogiadas pelo seu contemporâneo Santo Isidoro de Sevilha, de D. Frei Manuel do Cenáculo e de D. António Xavier de Sousa Monteiro, para não falarmos dos grandes bispos do século XX, mais conhecidos de todos. Quantas vicissitudes, projetos e trabalhos empreendidos, quantas perseguições e difamações suportadas, quantos combates travados dentro e fora da diocese, a todos os níveis, para lhe criar condições de sobrevivência e para nela fazer crescer a vida cristã!
Sim, nós reconhecemos que a existência da diocese de Beja, das nossas comunidades paroquiais e de cada um de nós, é querida pelo Senhor, que muito nos ama. Por isso, basta-nos o facto de estarmos vivos para nos levar a festejar, agradecidos, esta data.

Celebrar a Eucaristia
3. Festejar a Cristo Nosso Salvador é, antes de mais, celebrarmos, na Eucaristia, a sua passagem da morte para a Vida, é cantarmos a sua vitória sobre a nossa morte. Celebrando a Eucaristia, memorial da Páscoa, recebemos o seu Espírito Santo «que dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus» (Rm 8, 16s), e que vem unir-se ao nosso espírito para nos ensinar a orar. A Eucaristia foi prefigurada naquela festa celebrada no deserto pelo povo de Israel, saído do Egito (cf. Ex 5, 1-3). É a celebração própria daqueles que já saíram do Egito e vão caminhando para a Terra Prometida. Sempre que celebra a Eucaristia, a Igreja proclama e celebra a sua identidade e a sua missão. Recordar o seu passado é necessário para viver bem o presente, orientado para o seu futuro. Iluminado por Cristo, o povo cristão toma consciência das suas origens, da sua situação presente e do futuro que lhe está prometido, quando diz: «Anunciamos Senhor a vossa Morte, proclamamos a vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus»!

De facto, as origens da nossa vida cristã estão no Batismo pelo qual morremos e fomos sepultados com Cristo e com Ele ressuscitámos para vivermos, segundo o Espírito, a vida nova dos filhos de Deus. E no deserto da vida presente onde as serpentes do mal continuam a morder-nos, somos alimentados pela Palavra e fortalecidos e curados pelos Sacramentos, sobretudo pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia celebrado ao Domingo, onde o próprio Senhor Jesus nos alimenta com a sua Palavra e com o seu Corpo e Sangue. E esta celebração abre-nos à esperança, alicerçada nas promessas de Cristo e expressa nas palavras: vinde, Senhor Jesus!

Caros irmãos e irmãs: neste ano vamos fazer memória do passado desta diocese, assim como foi vivido, com os seus momentos de glória e também com as suas debilidades e fracassos. Anunciaremos a Morte do Senhor, como o lugar onde nasce a vida da Igreja e como o momento no qual Cristo Senhor, Sumo Sacerdote da Nova e Eterna Aliança, penetrou nos Céus, na presença do Eterno Pai, com o seu Sangue derramado por todos nós, alcançando-nos o perdão dos pecados e uma Redenção eterna.

Será um ano também para proclamarmos a sua Ressurreição pela qual a sua vitória sobre a nossa morte nos permitirá amar os nossos inimigos e perdoar-lhes, não sete vezes, mas setenta vezes sete, ou seja, sempre. Isso, de facto, podemos fazê-lo, porque, libertos do medo de morrer, podemos dar por eles a nossa vida.
Será também, sem sombra de dúvida, um tempo novo, projetado para a esperança da vinda de Cristo Senhor. Esta diocese de Beja é hoje um grande terreno que precisa de ser lavrado e semeado para produzir uma seara nova. Estas festas dos 250 anos da restauração da diocese deverão marcar o início desse tempo novo.

Com o coração em festa
4. As festas pedem festeiros a condizer. Uma festa grande como esta, que esperamos seja toda repassada pelo dinamismo da Páscoa de Jesus, tem poder para nos purificar e preparar para participarmos na festa eterna do Reino dos Céus. «Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor» (Rm 5, 1). Ter o coração em festa é tê-lo limpo do pecado e alegre por conhecer e pôr em prática a Lei de Jesus Cristo. É tê-lo deslumbrado pelo amor de Deus para connosco e disponível para O amar acima de tudo. Sem esse deslumbramento que é a fé, que festa poderá alguém fazer? E a fé abre o nosso coração à esperança, pois o Senhor prometeu-nos o Céu, a vida eterna. A porta que nos introduzirá na realização das promessas de Cristo é a nossa morte, a nossa passagem deste mundo para o Pai. Assim, caras irmãs e estimados irmãos, estas festas, para nos darem aquilo que esperamos delas, devemos encará-las como um intenso convite que o Senhor Jesus nos faz à conversão, à fidelidade, e ao amor a Ele e aos irmãos, ou seja, a vivermos uma vida teologal que tem nele a sua origem, o seu acontecer e o seu objetivo. As festas que nós cristãos realizamos na terra são sempre como que uma antecipação da chegada ao Céu e uma preparação para ela. O perdão dos pecados recebemo-lo no Sacramento da Penitência, que nos dá o Espírito Santo e nos prepara para a Sagrada Comunhão do Corpo e do Sangue do Senhor na festa da Eucaristia.
Participar da Eucaristia Dominical, escutar aí a Palavra do Senhor que nos converte e sentarmo-nos à sua mesa, é vivermos a nossa vida como uma festa continuada, como preparação para a festa do Céu. Somos cristãos, somos filhos adotivos de Deus. Vamos, neste ano, praticar mais a oração individual e familiar para que, recebendo o Espírito Santo, aprendamos a viver na docilidade às suas inspirações. As catequeses para adultos, inspiradas no Catecismo da Igreja Católica, serão, para muitos, uma boa introdução à oração.

Programa das celebrações
5. Como é previsível, as celebrações programadas por nós para este ano têm uma acentuação marcadamente litúrgica. São as celebrações eucarísticas realizadas nas diversas comunidades, com especial destaque para as que realizaremos na Sé de Beja, presididas pelo bispo diocesano. Realizar-se-á também na Pousada de S. Francisco em Beja, nos meses de março e de abril, uma Exposição sobre a História da Diocese. Todos os arciprestados estão convidados a visitá-la, pelo menos no dia da sua peregrinação à Sé. Nos meses de maio e de junho será a peregrinação de uma imagem de Nª Sª de Fátima e de um ícone de São José, padroeiro da nossa diocese, pelos arciprestados. Haverá diversos concertos e também algumas conferências. Apresentamo-vos, de seguida, o programa, tal como foi preparado por uma equipa.

2019/10/07

16h00
Reunião do Presbitério Diocesano para apresentação das Comemorações (Casa dos Irmãozinhos de S. Francisco de Assis)

18h00
Celebração da Eucaristia

20h00
Jantar no Seminário

01/12/2019

Abertura Solene do Ano Jubilar. Eucaristia na Sé, com o presbitério

15/02/2020

Concerto: Missa a três vozes de D. António Xavier de Sousa Monteiro (séc. XIX), pelo Coro do Carmo

01/03/2020

16h00
Abertura da Exposição na Pousada de S. Francisco

06-07/03/2020

II Simpósio Diocesano promovido pelo SDEC: A audácia de evangelizar

08/03/2020

Peregrinação do Arciprestado de Moura à Sé; visita à exposição

14/03/2020

21h00
Conferência na Pousada de S. Francisco: Presença do Cristianismo ao tempo do domínio islâmico, na diocese de Beja – Eng. Cláudio Torres

15/03/2020

Peregrinação do Arciprestado de Beja à Sé; visita à exposição

21/03/2020

Peregrinação do Arciprestado de Almodôvar à Sé; visita à exposição

28/03/2020

21h00
Conferência na Pousada de S. Francisco: Os bispos de Beja no séc. XIX – Dr. Paulo Alves

04/04/2020

Dia Diocesano da Juventude; Peregrinação dos Jovens à Sé e visita à exposição

08/04/2020

Missa Crismal. Visita do clero à exposição

18/04/2020

Peregrinação do Arciprestado de Santiago do Cacém à Sé; visita à exposição

21h00
Conferência na Pousada de S. Francisco: Como olhar hoje e que lição tirar dos fatores e circunstâncias culturais, sociais, políticas e religiosas explicativas da descristianização do Alentejo no passado? – D. Francisco Senra Coelho, Arcebispo de Évora

19/04/2020

Peregrinação do Arciprestado de Cuba à Sé; visita à exposição

26/04/2020

Peregrinação do Arciprestado de Odemira à Sé; visita à exposição

01/05/2020

Solenidade de S. José, Operário, padroeiro da diocese de Beja

01-10/05/2020

Arciprestado de Beja recebe Nª Sª de Fátima e ícone de S. José

09/05/2020

Encerramento da Exposição. Concerto com Rão Kyao e Coro do Carmo

10-20/05/2020

Arciprestado de Cuba recebe Nª Sª de Fátima e ícone de S. José

20-31/05/2020

Arciprestado de Moura recebe Nª Sª de Fátima e ícone de S. José

01-10/06/2020

Arciprestado de Almodôvar recebe Nª Sª de Fátima e ícone de S. José

10-20/06/2020

Arciprestado de Odemira recebe Nª Sª de Fátima e ícone de S. José

19/06/2020

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, titular da Catedral

20-30/06/2020

Arciprestado de Santiago do Cacém recebe Nª Sª de Fátima e ícone de S. José

09-11/07/2020

Tríduo preparatório

12/07/2020

17h30
Comemoração festiva dos 250 anos da restauração da diocese

24/10/2020

Solenidade de S. Sisenando, padroeiro da cidade de Beja

22/11/2020

Solenidade de Cristo-Rei. Encerramento do Ano Jubilar

Como uma árvore…

É desejável e normal que este programa, centrado naturalmente em Beja, seja completado por atividades a realizar por toda a diocese.

Queridos irmãos, convido-vos a realizar estas festas dos 250 anos da restauração da diocese de Beja, para usar uma comparação, como uma árvore, com folhas e flores, das quais se esperam frutos abundantes, mas sem esquecer as suas raízes e o seu tronco. As raízes, que a prendem ao chão e a alimentam, são a fé que não se vê mas que dá vigor e solidez à árvore toda. O tronco, com os seus ramos, que a ergue para o Céu, é a imagem da Liturgia e da Festa que torna a Igreja visível no meio do mundo. Por eles, pelo tronco e pelos ramos, passa a seiva que alimentará as folhas, as flores e os frutos. Não nos contentemos com as palavras e os discursos, que também são necessários para nos unir, mas cultivemos sobretudo a nossa fé cristã, sem a qual a árvore não pode crescer nem frutificar.

Louvai o Senhor porque é bom cantar, é agradável e justo celebrar o seu louvor (Sl 147A, 1). Cheios da alegria que nos vem do amor do Senhor, celebremos, irmãos, os 250 anos da nossa diocese restaurada.

O Senhor vos abençoe a todos generosamente.

Beja, 10 de julho de 2019
+ J. Marcos, bispo de Beja



sábado, 13 de julho de 2019

Comunicar melhor e com mais proximidade na Igreja

Olá Bom Dia
O Dia Mundial das Comunicações Sociais da Igreja está próximo…
O Secretariado Nacional das Comunicações Sociais vai promover a 30 de maio um debate sobre o tema ‘Esta é a rede que queremos’, como forma de assinalar o Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS) 2019.
O encontro, no auditório da Rádio Renascença, em Lisboa, tem início marcado para as 17h00, incluindo um debate sobre a mensagem do Papa, a entrega do Prémio de Jornalismo ‘D. Manuel Falcão’ e a apresentação do livro “Fake Pope”, do jornalista italiano Nello Scavo.

Todavia, hoje, a comunicação na Igreja vai estar também em debate juntando jornalistas e responsáveis pela comunicação de duas dioceses portuguesas.
«Como melhorar a comunicação da Igreja? 3 sugestões» é o nome da reflexão que decorre no Oratório São José Maria, em Lisboa, às 19h00, com entrada livre. Na mesa redonda vão estar o padre Paulo Terroso, do departamento arquidiocesano das comunicações sociais da Braga, Rita Carvalho, do gabinete de comunicação dos Jesuítas, também Carlos Liz, consultor em estudos de opinião e de mercado, ainda a jornalista do jornal «Expresso» Rosa Pedroso Lima, também o consultor de comunicação «All comunicação» José Aguiar e o padre Miguel Neto, do gabinete de informação da diocese do Algarve.

Já sabe que o nosso site https://www.agencia.ecclesia.pt/ está em permanente atualização com a atualidade religiosa. Na RTP2, pelas 15.00, o programa ECCLESIA leva até si as notícias e pelas 22:45, na Antena 1, oiça-nos nas ondas radiofónicas.
Propostas para hoje
Luis Filipe Santos


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Uma portuguesa distinguida na América

Olá bom dia
O 10 de junho ainda está longe, mas as homenagens sucedem-se. A reitora da Universidade Católica Portuguesa foi agraciada com a atribuição do grau de doutora ‘Honoris Causa’ no Boston College e foi a oradora convidada da cerimónia de graduação dos diplomados, sendo a sétima mulher e a primeira não-americana a fazê-lo em 156 anos da universidade.
Em Lisboa, o Centro de História da Universidade de Lisboa está a homenagear o seu antigo colaborador frei Francolino Gonçalves, com um simpósio internacional que reúne vários amigos do biblista português. Frei Francolino Gonçalves é dominicano e viveu 40 anos em Jerusalém, onde desenvolveu grande parte do seu trabalho científico.
O Papa quis lembrar que a vida tem de ser sempre homenageada. Ou pelo menos respeitada. Foi por isso que apelou ao respeito pela vida “até à morte natural”, rejeitando a "cultura do descarte”, num dia em que foi interrompida a alimentação e hidratação artificial a Vincent Lambert, francês de 42 anos que se encontra em estado vegetativo há dez anos.
Alguns acontecimentos que marcaram a jornada informativa desta segunda-feira, que pode encontrar no portal da Agência ECCLESIA, ver no programa que passa na RTP2, que esta terça-feira, às 15h00, destaca os 50 anos da Faculdade de Teologia e o livro "Ética Médica", e ouvir na Antena 1, às 22h45, esta semana a partilhar histórias de imigrantes e refugiados que estão entre nós.
Entretanto, tome nota desta data, 30 de maio, e apareça no auditório da Renascença, às 17h00, para um encontro promovido pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais no âmbito do Dia Mundial das Comunicações Sociais, que ocorre no domingo seguinte: debate sobre a mensagem do Papa, entrega do Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão e  apresentação do livro "Fake Pope", de Nello Scavo. 
Votos de um ótimo dia!
Paulo Rocha

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Fátima: Bispo de Beja consagrou diocese a Nossa Senhora

Comunidade católica alentejana prepara-se para assinalar no próximo ano o 250.º aniversário da sua restauração
Foto: Diocese de Beja
Fátima, 01 jul 2019 (Ecclesia) – O bispo de Beja consagrou a diocese alentejana a Nossa Senhora, durante a peregrinação daquela comunidade católica ao Santuário de Fátima que decorreu este sábado e domingo, subordinada ao tema “Com Maria adoramos o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.
Na oração de consagração, no dia 29 de junho, D. João Marcos recordou “de modo especial” todas as “famílias” da região, “as crianças, os jovens, os idosos, os doentes, os imigrantes e deslocados das suas terras”, e também todos os “bispos, sacerdotes, diáconos e seminaristas” diocesanos.
“Virgem Maria, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja e nossa Mãe Santíssima, em vossas mãos colocamos, cheios de confiança, a conclusão deste Ano Pastoral na nossa diocese. Conhecemos as nossas limitações e a nossa debilidade e entrevemos as dificuldades e a grandeza do trabalho a realizar para que nos tornemos realmente comunidades vivas e evangelizadoras, solidamente enraizadas na fé, dinamizadas pela esperança”, enunciou aquele responsável católico.
Recorde-se que a Diocese de Beja prepara-se para assinalar no próximo ano o seu 250.º aniversário de restauração.
Durante a celebração eucarística de domingo, em Fátima, o bispo de Beja como que traçou o caminho para o futuro, recordando que a vida cristã implica uma entrega total e inegociável a Deus, a exemplo dos Pastorinhos.
Na homilia da Missa, divulgada pelo gabinete de comunicação do Santuário de Fátima, D. João Marcos realçou que para aquilo que a missão cristã exige “não basta o entusiasmo do momento” nem tão pouco apenas “bons desejos”.
“Quando Jesus nos chama para O seguirmos, para vivermos segundo a vontade do Pai, não sobra espaço para negociar seja o que for: é pegar ou largar. Quem se propõe segui-Lo, levado por entusiasmos e boa vontade , esses serão os primeiros a abandoná-Lo nos momentos difíceis””, salientou aquele responsável católico.
Foto: Diocese de Beja
O bispo de Beja lembrou depois a atitude dos Pastorinhos de Fátima, que após presenciarem as aparições de Nossa Senhora foram confrontados com vários desafios mas nunca desistiram daquilo que Maria lhes tinha pedido.
Jacinta, Lúcia e Francisco souberam resistir “aos confrontos com a família e com as autoridades para corresponderem à vontade e ao amor de Deus”, lembrou D. João Marcos, que alertou para o “perigo” de hoje se viver uma “escravatura efetiva que, sob a roupagem do amor, não nos deixa livres para amarmos a Deus”.
“O seguimento de Jesus não é para nos enchermos a nós mesmos, exige o esvaziamento de nós próprios e dos nossos projetos. Só assim seremos totalmente livres”, acrescentou.
D. João Marcos questionou ainda os participantes sobre “o verdadeiro sentido da peregrinação”, dirigindo-se de forma especial aos membros da Diocese de Beja.
“Porque viemos hoje a Fátima, porque nos sentimos bem aqui, sentimos paz e recuperamos forças ou para seguirmos Jesus? interpelou.
A Eucaristia em Fátima contou com a presença de uma candeia com a Luz de Belém, trazida para o Santuário por um grupo de Caminheiros do Corpo Nacional de Escutas.
Estes jovens estiveram na Cova da Iria por ocasião de uma iniciativa intitulada ‘Raide 100”, destinada a assinalar os 100 anos daquela secção específica do CNE, que integra escuteiros entre os 18 e os 22 anos.
JCP


in



Beja: Diocese vai celebrar 250 anos da sua restauração

D. João Marcos vai apresentar programa das comemorações
Beja, 10 jul 2019 (Ecclesia) – A Diocese de Beja vai celebrar os 250 anos da sua restauração, reconhecendo uma “história difícil e dramática” mas que importa assinalar junto do povo que “deseja e precisa da mãe Igreja”, e apresenta hoje o programa das comemorações.

“A Igreja sempre foi mãe, neste novo contexto sublinha a dimensão da maternidade, porque as pessoas no fundo, desejam e precisam dessa maternidade. Estas festividades poderão ajudar nesse sentido”, explica à Agência ECCLESIA D. João Marcos, bispo diocesano desde 2016.
“Estamos num tempo novo, de término e início de outras. Vamos devagarinho, mas há vida, há festa”, sublinha, recordando uma nota escrita aos diocesanos onde convida “diocesanos e não diocesanos” para um programa de celebração, com início marcado para 1 de dezembro e encerramento a 22 de novembro de 2020.
Para contar a história da diocese estará patente uma exposição, na pousada de São Francisco, desde 1 de março a 9 de maio, que será objeto de visita dos seis arciprestados de Beja.
A par da exposição, estão previstas conferências com convidados que falarão da história mas também do futuro da diocese, a última a cargo do Arcebispo de Évora, D. Senra Coelho, sobre «Como olhar hoje e que lição tirar dos fatores e circunstâncias culturais, sociais, políticas e religiosas explicativas da descristianização do Alentejo no passado?»
Reconhece D. João Marcos a raiz católica de muitos diocesanos mas, afirma, “a semente não germinou”.
“A maioria das pessoas reconhece-se católica e foi batizada, apesar de essa semente não ter germinado. Esse é o problema deste Portugal que temos hoje, dos católicos portugueses que somos e desta diocese”, lamenta.

O bispo titular desde 2016 acredita que conhecer a história da diocese irá ajudar os cristãos a um relacionamento e prática mais assídua, contando para isso com a publicação, “em setembro”, de um livro da autoria do padre Luís Taborda, pároco de Castro Verde, e o cónego António Aparício.
O próximo ano vai ainda ser marcado pela oração.
“A diocese é convidada a praticar a oração: nas laudes, vésperas, antes das refeições, orações em família. Vemos que o ir à missa é o único momento de oração dos que praticam e é muito pouco”, lamento o responsável.
Numa carta dirigida aos diocesanos, D. João Marcos aponta a diocese como um terreno a ser “semeado”.
“A diocese é hoje um grande terreno que precisa de ser lavrado e semeado para produzir uma seara nova. Estas festas dos 250 anos da restauração da diocese deverão marcar o início desse tempo novo”, afirma.
LS


in