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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Padres e freiras “decidiram permanecer” em Gaza e “continuar a cuidar de todos”

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O pároco da Sagrada Família, Gabriel Romanelli, com algumas das crianças refugiadas na paróquia, a 24 de agosto 2025. Foto: Direitos reservados

Declaração conjunta de católicos e greco-ortodoxos

 | 27/08/2025

Deixar a Cidade de Gaza e tentar fugir para o sul seria nada menos que uma sentença de morte. Por essa razão, o clero e as freiras decidiram permanecer e continuar a cuidar de todos” os que se encontram no complexo ortodoxo grego de São Porfírio e no complexo católico da Sagrada Família. A decisão foi comunicada numa declaração conjunta do patriarca Grego-Ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III, e do patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, publicada nesta terça-feira, 26 de agosto.

“Desde o início da guerra, o complexo ortodoxo grego de São Porfírio e o complexo da Sagrada Família têm sido um refúgio para centenas de civis. Entre eles, idosos, mulheres e crianças. No complexo latino, acolhemos há muitos anos pessoas com deficiência, que estão sob os cuidados das Irmãs Missionárias da Caridade. Assim como outros moradores da Cidade de Gaza, os refugiados que vivem nessas instalações terão que decidir, de acordo com sua consciência, o que farão. Entre aqueles que buscaram abrigo dentro dos muros dos complexos, muitos estão debilitados e desnutridos devido às dificuldades dos últimos meses”, explicam os líderes cristãos.

Adiantando que, no momento em que publicavam a declaração, “ordens de evacuação já estavam em vigor para vários bairros da Cidade de Gaza”, e continuavam a chegar “relatos de bombardeamentos pesados “, os patriarcas ortodoxo e latino de Jerusalém concluem que “a operação [anunciada por Israel de assumir o controlo da cidade de Gaza] não é apenas uma ameaça”. “Há mais destruição e mortes numa situação que já era dramática antes desta operação”, constatam.

Mas apesar de reconhecerem não saber “o que acontecerá no terreno, não só para a nossa comunidade, mas para toda a população”, Teófilo III e Pizzaballa estão seguros de que “não pode haver futuro baseado no cativeiro, na deslocação de palestinianos ou na vingança”. “Este não é o caminho certo. Não há razão para justificar o deslocamento em massa deliberado e forçado de civis”, afirmam.

As irmãs da Caridade ajudam a cuidar das crianças e pessoas com deficiência na paróquia da Sagrada Família, em Gaza. Foto DR

As Missionárias da Caridade ajudam a cuidar das crianças e pessoas com deficiência na paróquia da Sagrada Família, em Gaza. Foto: Direitos reservados

A declaração termina com apelos a ambos os lados do conflito: “É hora de pôr fim a esta espiral de violência, pôr fim à guerra e priorizar o bem comum do povo. Já houve devastação suficiente, nos territórios e na vida das pessoas. Não há razão para justificar a manutenção de civis como prisioneiros e reféns em condições dramáticas. Agora é hora de curar as famílias que sofrem há tanto tempo em todos os lados.”

“Com igual urgência, apelamos à comunidade internacional para que aja pelo fim desta guerra sem sentido e destrutiva, e pelo retorno das pessoas desaparecidas e dos reféns israelitas”, acrescentam ainda os líderes cristãos.   

Já esta quarta-feira, no final da audiência geral, o Papa Leão XIV uniu-se aos patriarcas de Jerusalém e fez, também ele, mais “um forte apelo tanto às partes envolvidas quanto à comunidade internacional, pelo fim do conflito, que já causou tanto terror, destruição e morte”. “Imploro que todos os reféns sejam libertados, que um cessar-fogo permanente seja alcançado, que a entrada segura de ajuda humanitária seja facilitada e que o direito humanitário seja plenamente respeitado, em particular a obrigação de proteger os civis e as proibições de punições coletivas, o uso indiscriminado da força e o deslocamento forçado de populações”, disse.



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