A lareira aquecia a sala onde a avó calmamente fazia o seu
tricot para oferecer ao mais novo da família na festa natalícia.
Chega da escola a neta que, como costume, gosta muito de
conversar com a avó e senta-se junto dela para também contar e esclarecer
algumas ideias do que ouve e vê nos seus dias rotineiros.
Desta vez o tema girou à volta do Natal.
Há quem pense que o Natal se concretiza na confraternização
entre pessoas; nas reuniões familiares; na celebração da ceia com comida
abundante; na iluminação das cidades e das casas; o comércio a faturar;
corridas aos presentes à última hora, etc.
Tudo isto é bom, mesmo muito bom (com peso e medida, claro).
- Então o Natal é isto? – pergunta a neta à sua avó.
Esta, não muito surpreendida pela pergunta, parou o seu
tricot e começou a explicação que achou conveniente:
- O Natal não é «isto» e não é só «isto» … A verdadeira razão
do Natal é ser uma festa cristã, é a celebração do nascimento de Jesus, o Filho
de Deus que veio ao mundo para trazer a todos luz, paz, alegria, confraternização,
amor, serviço…
- Servir? O que é isso hoje?
Sim, a palavra serviço está muito esquecida nos nossos dias.
Foi substituída pela palavra poder que obscurece o melhor que existe na alma do
ser humano: a dignidade de todos a terem uma vida no verdadeiro sentido da
palavra.
Para os pobres, os desprezados, os esquecidos, é mais um dia
nos quais algumas organizações beneméritas servem a Ceia de Natal.
E depois?
As carências principais ficam satisfeitas nesse dia e, o dia
passou… mas a vida continua.
Servir,
palavra bonita que não pode ficar somente em retórica.
Pensemos nisso….
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Adelaide Figuinha
Professora
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