| Foto: Arlindo Homem/Agência ECCLESIA |
Festival «Terras sem Sombra» esteve na Andaluzia e vai percorrer oito municípios na Diocese de Beja
Sevilha, Espanha, 05 fev 2017 (Ecclesia) – O Festival ‘Terras sem
Sombra’ (FTSS) proporcionou este sábado uma noite diferente em Sevilha,
com o concerto ‘Imenso Sul’ onde juntou dois grupos de Cante Alentejano
ao Flamenco, no Consulado-Geral de Portugal.
À Agência ECCLESIA, o diretor artístico do FTSS disse que o Cante
Alentejano causou “uma grande sensação” pelo “poder das vozes baixas” e
pela “capacidade de comunicação” que têm os seus cantadores.
“Tudo se uniu a uma cantadora mítica como Esperanza Fernández. O
público, e eu em primeiro, levamos as mãos aos olhos porque estávamos a
chorar de emoção”, destacou Juan Angel del Campo sobre “uma noite
mágica, distinta de tudo”.
O concerto “único” juntou o Património Imaterial da Humanidade Cante
Alentejano – do Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento,
acompanhados por Pedro Mestre, e o dos Cantadores do Desassossego – e o
Flamenco da sevilhana Esperanza Fernández, e também o interprete de
viola da gamba Fahmi Alqhai.
Para o mestre Francisco Torrão, dos Cantadores do Desassossego, foi
“extremamente importante” esta apresentação, que “aproxima mais” o
Alentejo e a Andaluzia.
“Foi muito gratificante verificar que não tem havido um processo de
aculturação. Foi relevante escutar uma andaluza a cantar modas
alentejanas. De facto, a música é universal e aproxima os povos”,
acrescentou.
Esperanza Fernández recordou que teve a “sorte” de ter tido uma
experiência com um coro alentejano, em 2005, que “foi fantástica”; no
final do concerto deste sábado, sentia-se “orgulhosa e como em casa
outra vez”.
Para Pedro Mestre “é, sem dúvida, sempre gratificante” o Cante poder
envolver outras realidades como o Flamenco e juntar ainda a viola
campaniça que acompanhou uma das modas com que representaram o Alentejo
com “cantes de trabalho, lazer e convívio”.
“Toda a gente saiu de alma cheia. O cante sai da sala cantando, os
cantadores satisfeitos, harmoniosos e acabam com força e vontade de
continuar”, referiu à Agência ECCLESIA, destacando a sala excelente pela
acústica, que era acolhedora, “o ambiente propício para o cante” porque
estiveram “próximos das pessoas”.
José António Falcão, diretor-geral do FTSS, comentou que “existe um
imenso Sul” que também invade a música e iluminou quem esteve no
Consulado-Geral de Portugal, em Sevilha.
“O concerto traduziu-se por elevado nível artístico, não era fácil.
Existe aqui uma herança comum, há um fundo lírico e também um conjunto
de manifestações que a ele estão associadas que convergiram com uma
grande facilidade”, desenvolveu.
Espanha é este ano o país convidado do evento e desde quinta-feira que uma “embaixada cultural” apresenta o certame em Sevilha.
José António Falcão fez um balanço positivo do périplo, considerando
que “portas que estavam fechadas abriram-se” porque os municípios -
Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira,
Serpa, Castro Verde e Beja – avançaram “como perspetiva de região e não
apenas um ou dois pontos do vasto território”.
“Além disso, através desta combinação de arte, património e
biodiversidade o Alentejo está a mostrar o melhor que tem”, observou.
‘Do espiritual na arte – Identidades e práticas musicais na Europa dos séculos XVI-XX’ é o lema do FTSS
que se realiza entre 11 de fevereiro e 1 de julho, iniciativa promovida
pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de
Beja.
CB/OC
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