O secretário de Estado do Vaticano explica as actividades diplomáticas da Santa Sé a serviço da paz
Cidade do Vaticano, 12 de Março de 2015 (Zenit.org)
O cardeal Pietro Parolín, secretário de Estado do Vaticano,
concedeu na manhã desta quarta-feira uma “Lectio Magistralis” na
Universidade Gregoriana de Roma, durante uma jornada anual de estudos
dedicada a um tema que as diversas secções do ateneu analisam de vários
pontos de vista: teológico, filosófico, histórico, cultural, direito canónico, ciências sociais, psicologia, espiritualidade, etc. O tema,
desta vez, foi “A paz: dom de Deus, responsabilidade humana, compromisso
cristão”. O discurso do cardeal foi sobre a atividade diplomática da
Santa Sé a serviço da paz.
O purpurado afirmou que “a acção diplomática da Santa Sé não se
contenta em observar os acontecimentos ou avaliar a sua repercussão, nem
pode ser apenas uma voz crítica. Ela é chamada a agir para facilitar a
coexistência e a convivência entre as nações, para promover a
fraternidade entre os povos, com o termo ‘fraternidade’ sendo sinónimo
de colaboração fática, de cooperação verdadeira, concorde e ordenada, de
uma solidariedade estruturada em prol do bem comum e do bem
individual”.
A Santa Sé “age no cenário internacional não para garantir uma
segurança genérica, que se tornou muito difícil neste período de
instabilidade persistente, mas para sustentar uma ideia de paz, fruto de
relações justas, de respeito pelas normas internacionais, de tutela dos
direitos humanos fundamentais, começando pelos últimos, os mais
vulneráveis”, explicou.
Parolín destacou ainda que “a diplomacia da Santa Sé tem uma clara
função eclesial: ela é o instrumento de comunhão que une o Romano
Pontífice aos bispos que encabeçam as Igrejas locais, o que permite
garantir a vida das Igrejas locais no respeito das autoridades civis;
assim, eu me atreveria a dizer que ela é também o veículo do Sucessor de
Pedro para ‘chegar às periferias’, tanto as das realidades eclesiais
quanto as da família humana”. Ele também questiona: no âmbito da
sociedade civil, a ausência da Santa Sé nos diversos contextos
intergovernamentais deixaria privadas de quantas orientações éticas a
cooperação, o desarmamento, a luta contra a pobreza, a erradicação da
fome, a cura das doenças, a alfabetização?
O secretário de Estado do Vaticano explicou ainda que “compete à
diplomacia pontifícia a tarefa de trabalhar em prol da paz, seguindo os
modos e as regras próprios dos sujeitos de direito internacional, ou
seja, elaborando respostas concretas em termos jurídicos para prevenir,
resolver ou regular conflitos e evitar a sua possível degeneração na
irracionalidade da força das armas”. No entanto, “trata-se de uma acção
que mostra que o fim procurado é primariamente religioso, ou seja, faz
parte do ato de ser verdadeiros ‘artífices da paz’ e não ‘artífices de
guerras’ ou ‘artífices de mal-entendidos’, como recorda o papa
Francisco”.
(12 de Março de 2015) © Innovative Media Inc.
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