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sexta-feira, 13 de março de 2015

Cardeal Parolín: a diplomacia da Santa Sé não consiste só em observar e avaliar

O secretário de Estado do Vaticano explica as actividades diplomáticas da Santa Sé a serviço da paz


Cidade do Vaticano, 12 de Março de 2015 (Zenit.org)


O cardeal Pietro Parolín, secretário de Estado do Vaticano, concedeu na manhã desta quarta-feira uma “Lectio Magistralis” na Universidade Gregoriana de Roma, durante uma jornada anual de estudos dedicada a um tema que as diversas secções do ateneu analisam de vários pontos de vista: teológico, filosófico, histórico, cultural, direito canónico, ciências sociais, psicologia, espiritualidade, etc. O tema, desta vez, foi “A paz: dom de Deus, responsabilidade humana, compromisso cristão”. O discurso do cardeal foi sobre a atividade diplomática da Santa Sé a serviço da paz.

O purpurado afirmou que “a acção diplomática da Santa Sé não se contenta em observar os acontecimentos ou avaliar a sua repercussão, nem pode ser apenas uma voz crítica. Ela é chamada a agir para facilitar a coexistência e a convivência entre as nações, para promover a fraternidade entre os povos, com o termo ‘fraternidade’ sendo sinónimo de colaboração fática, de cooperação verdadeira, concorde e ordenada, de uma solidariedade estruturada em prol do bem comum e do bem individual”.

A Santa Sé “age no cenário internacional não para garantir uma segurança genérica, que se tornou muito difícil neste período de instabilidade persistente, mas para sustentar uma ideia de paz, fruto de relações justas, de respeito pelas normas internacionais, de tutela dos direitos humanos fundamentais, começando pelos últimos, os mais vulneráveis”, explicou.

Parolín destacou ainda que “a diplomacia da Santa Sé tem uma clara função eclesial: ela é o instrumento de comunhão que une o Romano Pontífice aos bispos que encabeçam as Igrejas locais, o que permite garantir a vida das Igrejas locais no respeito das autoridades civis; assim, eu me atreveria a dizer que ela é também o veículo do Sucessor de Pedro para ‘chegar às periferias’, tanto as das realidades eclesiais quanto as da família humana”. Ele também questiona: no âmbito da sociedade civil, a ausência da Santa Sé nos diversos contextos intergovernamentais deixaria privadas de quantas orientações éticas a cooperação, o desarmamento, a luta contra a pobreza, a erradicação da fome, a cura das doenças, a alfabetização?

O secretário de Estado do Vaticano explicou ainda que “compete à diplomacia pontifícia a tarefa de trabalhar em prol da paz, seguindo os modos e as regras próprios dos sujeitos de direito internacional, ou seja, elaborando respostas concretas em termos jurídicos para prevenir, resolver ou regular conflitos e evitar a sua possível degeneração na irracionalidade da força das armas”. No entanto, “trata-se de uma acção que mostra que o fim procurado é primariamente religioso, ou seja, faz parte do ato de ser verdadeiros ‘artífices da paz’ e não ‘artífices de guerras’ ou ‘artífices de mal-entendidos’, como recorda o papa Francisco”.

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