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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O Natal versus e os Direitos Humanos

Aproxima-se a época do ano de que mais gosto. O Natal. Tudo possui outro encanto, tem mais luz, cor, solidariedade e amor. Celebramos o nascimento do Menino Jesus, que tem o condão de nos tornar mais humanos, mais atentos à família e ao que acontece ao nosso redor. Também nos encontramos a vivenciar estes momentos de grande riqueza espiritual, sejam quais forem as circunstâncias, melhores ou piores, em que nos encontramos, mas que nos enchem de esperança num futuro mais promissor, junto do Presépio, em frente ao Menino envolto em faixas nas palhinhas num estábulo em Belém. Constitui um verdadeiro testemunho vivo para não perdermos a esperança. Sempre que menciono o Natal vem-me ao pensamento a música Adeste Fideles que ouvia por ocasião do Natal na Praça de S. Pedro em Roma, junto do Presépio, que considero a música mais bonita desta época, diz-se que composta pelo Rei D. João IV decorria o ano 1640 em que foi publicada. Ouso mencionar, e do modo como recordo alguns dos seus excertos: “Vinde, vinde alegres e triunfantes, vede o nascido rei dos anjos, Deus de Deus, luz da luz, vinde e adoremos o Senhor.

Volvidos 2018 anos, muitos acontecimentos, mutações, surgiram por esse mundo fora que seria impossível descrever… Importa sim dar ênfase a que continuamos a celebrar o nascimento de Jesus. Este ano gostaria de associar o Natal aos Direitos Humanos. Talvez por ter tido a oportunidade de participar a convite da Via Vitae-Associação Portuguesa a Favor da População Sénior, na Assembleia da República, na Sala do Senado, no passado dia 9 de Novembro na conferência que assinalou os 40 anos da adesão de Portugal à Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH), organização conjunta do Ministério da Justiça e da Ordem dos Advogados. No decorrer do dia foram abordados os seguintes temas bem pertinentes: O lugar da CEDH no ordenamento jurídico português de direitos humanos; a criação do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, Direito ao Processo Equitativo; Pessoas vulneráveis no âmbito da Convenção; Biomedicina e Direitos Humanos; Prisões.

Considerei que a celebração se revestiu do maior interesse bem como todas as intervenções. Foi um longo caminho a percorrer até Portugal poder reunir as condições necessárias para a sua adesão à Declaração Universal dos Direitos Humanos, que celebra os 70 anos da sua criação tendo sido adotada e proclamada pela Assembleia das Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948. Ainda se encontra bem presente na nossa memória os horrores da I e da II Guerra Mundial, o holocausto e todos os atropelos aos direitos humanos vivenciados em tantos países. Recordo um pouco da introdução da Declaração. “Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que homens e mulheres gozem da liberdade da palavra, de crença e de liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser comum…”

Relativamente à Convenção Europeia dos Direitos Humanos foi adotada pelo Conselho da Europa com sede em Estrasburgo em 4 de Novembro de 1950. Posteriormente seria criado o Tribunal Europeu dos Direitos do Humanos para onde são encaminhados os processos que os europeus consideram que o Estado-membro violou os seus direitos. Só em 1976 seria aprovada em Portugal esta Convenção, que entrou em vigor no dia 9 de Novembro de 2018.
Recordo algumas frases que registei: “Todo o poder tem tendência para o obstrutivo. Tal como as construções na areia são efémeras”; “Afirmar reiteradamente os valores recordando que os valores humanos são cardeais”; “Os direitos humanos criam uma nova permeabilidade jurídica”, “A grande importância do direito constitucional mais adequado ao novo paradigma”; “O percurso foi longo e proveitoso mas há ainda um caminho a percorrer incentivando para a promover a defesa da Convenção e a garantia dos direitos humanos. Devemos isso às gerações de hoje e aos cidadãos de amanhã que devem poder usufruir destes direitos”; “Atenção prioritária aos mais desfavorecidos”; “Houve um incomensurável progresso desde 1948, mas vivemos tempo de angústias, estamo-nos a afastar das mulheres e homens de então”,  “Portugal colocou ao serviço dos Direitos Humanos os seus melhores”; “O mais importante foi aprender a dizer não, quando é não”; Bem-hajam, os que têm de lembrar o que tem de ser lembrado, como foi lento e difícil o caminho percorrido”; “As batalhas de ideias ganham-se ou perdem-se lutando”. “Um sentido renovado e renovador do futuro”. “ Montesquieu: “O pior governo é o que exerce a tirania em nome das leis e da justiça”; “Para sermos livres temos de ser esclarecidos”. “A globalização, o terrorismo, o desemprego é a expansão de uma comunicação de massas”. “Reconhecer a primazia da dignidade da pessoa humana”.

Indubitavelmente foi um dia muito rico e esclarecedor. Não consigo retratá-lo nem quero, em toda a sua profundidade. Apenas recriar a esperança no futuro. É bom saber que há tantas pessoas envolvidas e empenhadas em lutar pela promoção dos direitos humanos. O Papa Francisco relativamente aos direitos humanos disse que “são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas económicas injustas, que originam grandes desigualdades”.

Concluo este artigo, regressando ao tema do Natal, recordando que devemos vivê-lo enquanto mensagem de esperança, de vida, de alegria, de amor à família e ao próximo, recriando a consciência da necessidade da reconstrução dos valores: a paz, a solidariedade, o amor, em prol do bem-estar da humanidade. Que Jesus Menino, cujo nascimento vamos comemorar em breve, nos ajude com a sua luz a iluminar o caminho. Um Feliz e Santo Natal para todos!

Maria Helena Paes



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