Ainda restam 16 pessoas sequestradas, 8 cristãos e 8 curdos
Roma, 09 de Março de 2015 (Zenit.org)
O núncio apostólico na Síria, dom Mario Zenari, confirmou
que os cristãos raptados em 23 de Fevereiro pelo Estado Islâmico em
alguns povoados do nordeste da Síria foram libertados entre 5 e 6 de Março, nas imediações da fronteira com a Turquia e sem o pagamento de
nenhum resgate.
O núncio disse à agência de notícias Asia News que "as 52 famílias
que ficaram muitos dias nas mãos dos jihadistas estão agora em lugar
seguro. Mas ainda permanecem 16 pessoas sequestradas, a metade delas
cristãs e a outra metade curdas".
As famílias, aproximadamente 250 pessoas, foram sequestradas durante a
ofensiva dos milicianos contra povoados de maioria assíria em
Al-Hasakah, no nordeste do país. Chegou a haver boatos, depois
desmentidos, de execuções em massa.
A região é de importância estratégica porque representa uma espécie
de ponte entre as terras dominadas pelo EI na Síria e no Iraque, além de
permitir a abertura de um corredor com a Turquia para transportar
armas, reforços e combatentes.
Testemunhas locais contam que, imediatamente depois da ofensiva, mais
de 5 mil assírios, dos 30 mil que formavam uma das comunidades mais
antigas do Oriente Médio, decidiram abandonar o país. No começo deste
mês, os terroristas libertaram um primeiro grupo de 19 cristãos, depois
de receber um resgate de 1.700 dólares por cada um.
Dom Zenari observou que, "por trás do sequestro, havia a vontade dos
milicianos de usar os reféns como escudos humanos" diante dos ataques
aéreos da coligação.
Sobre a dramática situação na Síria, com ataques aéreos, disparos de
morteiros e confrontos armados, o prelado afirmou que "ontem foi uma
jornada dura, tanto para Damasco quanto para Aleppo. Ouvíamos os aviões
sobre as nossas cabeças e vários morteiros caíram em diversos pontos da
capital". E os próximos dias "não serão melhores", completou.
Confrontos e violência foram registados também no norte, em
Aleppo, dividida há tempos em sectores controlados pelas forças de
segurança fiéis ao presidente Assad e por grupos rebeldes.
Na semana passada, fracassou a tentativa de mediação de uma trégua
proposta pelo enviado das Nações Unidas, Staffan De Mistura. O diplomata
pretendia conseguir um cessar-fogo em Aleppo para permitir a chegada de
ajuda humanitária, além de elaborar um rascunho de acordo político. No
entanto, os rebeldes e os combatentes islamistas não aceitaram a trégua
proposta pela ONU.
Desde o início da revolta contra o presidente sírio Bashar al Assad,
em 2011, mais de 3 milhões de pessoas abandonaram a Síria e 7,6 milhões
tiveram de migrar no interior do país. As vítimas do conflito passam de
200 mil. Muitas delas são civis.
(09 de Março de 2015) © Innovative Media Inc.
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