Em carta ao grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica Argentina, o Papa exorta a uma teologia viva nas fronteiras
Roma, 10 de Março de 2015 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio
Para o Papa Bergoglio não apenas os pastores devem ter
“cheiro de ovelha", mas também os teólogos, verdadeiramente cristãos
interessados no bem da Igreja, devem exalar "cheiro do povo e da
estrada".
A metáfora eficaz é utilizada por Francisco em carta enviada ao
Cardeal Mario Aurelio Poli, arcebispo de Buenos Aires e grão-chanceler
da Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA), por ocasião do
centenário da Faculdade de Teologia da mesma instituição.
O evento coincide com os cinquenta anos da conclusão do Concílio
Vaticano II, que produziu “um irreversível movimento de renovação que
vem do Evangelho”. Agora, disse o Papa, “é preciso seguir adiante”.
A começar pelo estudo da teologia que deve ser renovado para além da dimensão “elaborada à mesa”.
Na verdade, "ensinar e estudar teologia significa viver numa
fronteira", destaca o Papa aos estudantes e membros do corpo docente da
Argentina. Significa anunciar o Evangelho aos homens de modo
"compreensível e significativo" para garantir que corresponda às reais
necessidades do povo.
O Papa pede atenção para não cair numa teologia "que se esgote na
disputa académica ou que olha para a humanidade a partir de um castelo
de vidro”. A verdadeira teologia, esclarece o Papa, deve ser "radicada e
fundada" na Revelação e na Tradição, acompanhando todos os processos
culturais e sociais, em particular, "as transições difíceis".
Portanto, Francisco evoca uma teologia que assume “também os
conflitos”: não somente aqueles que "experimentamos dentro da Igreja",
diz ele, mas também “os que dizem respeito ao mundo inteiro e que são
vividos ao longo d os caminhos da América Latina".
Porque se a Igreja é um "hospital de campanha", chamada a salvar e
curar o mundo, a teologia é sua expressão. Mas sem a misericórdia,
enfatiza o Santo Padre, que não é "somente uma atitude pastoral, mas é a
substância própria do Evangelho de Jesus", a sua acção, bem como a do
direito e da pastoral, perde qualquer tipo de eficácia.
Correm "o risco de cair na mesquinhez ou na ideologia, que por sua
natureza quer domesticar o mistério", adverte Bergoglio. E recorda que
compreender a teologia significa "compreender Deus, que é Amor."
Por fim, o Papa espera que a Universidade Católica da Argentina não
forme um "teólogo de museu", muito menos um “estudioso que permanece
olhando da janela o desdobrar-se da história”. Pior ainda, "um burocrata
do sagrado".
O teólogo deve sair da Universidade como "uma pessoa capaz de
construir humanidade em torno de si, de transmitir a divina verdade em
dimensão verdadeiramente humana”. Em suma, um teólogo que tem cheiro de
povo e de estrada, não de madeira de mesa.
(10 de Março de 2015) © Innovative Media Inc.
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