Entrevista com o número um do dicastério vaticano para as Comunicações Sociais. É necessário o empenho de comunidades que acolham as pessoas que encontram Jesus na web
Cidade do Vaticano, 16 de Março de 2015 (Zenit.org) Sergio Mora
A força motriz da comunicação na Igreja é a atracção e não a
propaganda religiosa, e isso requer o nosso testemunho pessoal.
Portanto, os católicos devem estar presentes nas oportunidades e
desafios apresentados pelo continente digital, dando testemunho mais do
que ‘bombardeando’ informações. Foi o que disse o presidente do
Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Monsenhor Claudio
Maria Celli, nesta entrevista concedida à Zenit, ressaltando que é
necessário o empenho de comunidades que acolhem de maneira fraterna e
concreta esses homens e mulheres que encontram Jesus na web.
Zenit: Quais são os desafios e as novidades na comunicação da Igreja?
Mons. Celli: Eu acho que um dos grandes desafios que enfrentamos hoje
é a presença da Igreja no contexto criado pelas novas tecnologias. Com
certeza, a Igreja tem como referência o testemunho pessoal, e o Papa
Francisco voltou a lembrar, como fez seu antecessor, Paulo VI na
Evangelii nutiandi, que a Igreja comunica por atracção e não por
propaganda religiosa. Portanto, isso é importante: atracção significa que
os outros vão entender a mensagem através do nosso testemunho. Esta é a
principal força da comunicação da Igreja.
Depois, temos a media tradicional, acho que a imprensa, o rádio e a
televisão, embora seja inegável que hoje as novas tecnologias da
comunicação, deram origem ao que chamamos de continente digital. Então,
eu diria que é o grande desafio, mas também uma grande oportunidade.
Zenit: E sobre as redes sociais?
Mons. Celli: No grande contexto das redes sociais, somos chamados a
testemunhar os valores em que acreditamos. E por isso, o Papa Francisco na sua primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais,
disse: "Não tenham medo de entrar nas redes sociais". Não é um convite ingénuo. Nós todos sabemos os riscos e os perigos que existem nas redes
sociais, na internet.
Papa Francisco expressa de modo muito simpático, ele diz que o
problema não é ‘bombardear’ as redes sociais com mensagens religiosas,
mas é uma questão mais profunda, é dar testemunho. Resumir a vida, a
minha vida e o Evangelho. Porque as pessoas hoje em dia, como nos
recordava o Papa Paulo VI, acreditam mais nas testemunhas do que nos
mestres. E se acredita no mestre é porque é testemunho.
Zenit: É importante que as conferências episcopais, dioceses e paróquias estejam na web?
Mons. Celli: Mais uma vez, eu acho que a questão não é apenas dar
informações, mas dar testemunho de vida. É verdade que, lamentavelmente,
nem todas as dioceses têm o seu site e muito menos as paróquias. Mas
acredito que, também aqui, como já foi dito, temos que aceitar o
desafio, avaliar e apreciar as oportunidades oferecidas, para dialogar
com aqueles que nunca colocaram os pés na igreja, mas acedem a um site.
Zenit: A web é suficiente?
Mons. Celli: É preciso reconhecer que a vida cristã não pode ser
vivida apenas na frente de uma tela de computador. A vida cristã exige
que vivamos em comunidade. Então, eu posso encontrar Jesus graças à
grande ajuda da internet, mas depois, eu tenho que encontrar uma
comunidade que me acolha e me permita percorrer um caminho concreto de
fé. Portanto, deste ponto de vista, congratulo-me com estes esforços e
tentativas de tornar a Igreja presente na web, com sites agradáveis,
bonitos e estimulantes, que levam a uma reflexão, permitindo que os
homens e mulheres de hoje encontrem Jesus e o conheçam melhor. Mas
depois, vem o compromisso para que existam comunidades capazes de
acolher fraternalmente e concretamente estes homens e mulheres que
encontraram Jesus através da web.
Zenit: Quem trabalha com a informação deve ser imparcial, sem ser indiferente, como fazer isso?
Mons. Celli: Somos chamados a ser servos da verdade. Recordo as belas
palavras de Bento XVI, quando disse que a nossa comunicação deve estar a
serviço da verdade sobre o homem. A imprensa, todos os nossos
instrumentos de comunicação devem estar à disposição da verdade sobre o
homem. É o grande desafio, pois, sem dúvida, corremos riscos. Se o
critério é o ganho pessoal ou certos resultados económicos, acabo não
respeitando o homem. Mas a nossa informação, a nossa comunicação - eu
prefiro falar comunicação do que informação- deve ser centrada no homem e
sempre dizer a verdade sobre o homem. Defender o homem e fazer com que o
homem possa, no contexto de hoje, ter a chance e a oportunidade de
crescer para realizar plenamente sua vocação.
Zenit: Como o senhor percebe o trabalho da agência ZENIT?
Mons. Cell: Isso eu diria que é propaganda... E sou grato àqueles que
trabalham no campo da comunicação com competência profissional. Mas
diria que hoje há um grande desafio: aceitar, no contexto actual, o
serviço à verdade, este serviço a Jesus Cristo. E eu sempre me lembro do
que disse Papa Francisco a um repórter: Temos que ser servos de
verdade, da bondade e da beleza.
Porque estes três conceitos, estas três realidades se encontram em
uma unidade profunda, o que é bonito, o que é verdade e o que é bom. Eu
acredito que a nossa comunicação deve ser para o homem de hoje, e a
serviço destas três realidades.
(16 de Março de 2015) © Innovative Media Inc.
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