terça-feira, 30 de junho de 2015

Laudato Si’, entre ética ambiental e Bioética

Pe. Joseph Tham, L.C. comenta a Encíclica e apresenta o Curso Internacional sobre o tema “Bioética, questões ambientais e ecologia humana”, do 30 de junho ao 10 de Julho no Regina Apostolorum em Roma

Roma, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Valentina Raffa

Qual a relação entre a bioética e a recente encíclica do Papa Francisco Laudato Si’? Qual é o critério ético com o qual é possível abordar e resolver os problemas ambientais? O que diz o magistério da Igreja sobre questões ambientais? Quais soluções propõe? O que é a ecologia humana e como ela difere da mentalidade dos ecologistas e dos tecnocratas? Estas e outras questões ZENIT dirigiu ao Pe. Joseph Tham, LC, decano da Faculdade de Bioética do Ateneu Regina Apostolorum, em Roma.

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ZENIT: Qual é a sua impressão sobre a última encíclica do Papa Francisco dedicada à questão ambiental?

Pe. Joseph Tham: A longa espera que precedeu a publicação dA Laudato si' gerou uma grande expectativa na mídia. Ao lê-la, encontrei, em muitos assuntos, uma continuidade com pontificados anteriores, especialmente com os escritos de São João Paulo II e o Papa Bento XVI. Ao mesmo tempo, há uma abordagem nova e prática nas propostas do Papa.

ZENIT: Onde está a semelhança entre esta encíclica e os pronunciamentos anteriores?

Pe. Joseph Tham: A continuidade com os ensinamentos anteriores do Magistério da Igreja é clara. O uso do termo "ecologia humana" que se refere à centralidade da pessoa humana, na questão ecológica, foi usado por João Paulo II. Se é verdade que os seres humanos são a causa do desequilíbrio atual, cujas consequências caem sobre os mesmos homens e sobre toda a natureza, são, ao mesmo tempo, protagonistas da mudança. Dessa forma a questão ecológica se desloca para o âmbito moral, como o Papa Bento XVI escreveu em várias ocasiões. Outro tema desenvolvido na Doutrina Social da Igreja e tomado aqui é o do "desenvolvimento integral". Refere-se ao fato de que a questão ecológica não pode ser separada de outras questões conexas que dizem respeito à ética social, à economia, à pobreza, à bioética e à religião que juntas, contribuem para o bem comum. Laudato Si’ cita as palavras de Bento XVI: “O livro da natureza é uno e indivisível” (LS n. 6).

ZENIT: Como a questão ecológica está ligada à bioética?
Pe. Joseph Tham: o Papa Francisco enfatiza a correlação entre essas dimensões e a influência mútua. O problema ecológico não pode ser separado da questão da educação, da pobreza e das estruturas sócio-económicas disfuncionais. Da mesma forma, a encíclica inclui reflexões sobre temas relacionados com a bioética. O Papa, por exemplo, denuncia a destruição dos embriões humanos ou o abandono das pessoas com deficiência que, se formos à raiz, são devidos à própria "cultura do descartável" que provoca o abandono e a exploração do meio ambiente (LS, 117, 120, 136).

O Papa também acusa as organizações internacionais, certas atitudes que promovem o controle populacional e a "saúde reprodutiva" como uma solução para a pobreza. O problema está na injusta distribuição da riqueza e dos recursos, com o consequente impacto ambiental, e não na superpopulação (LS n. 50). Em termos de uma relação adequada entre as pessoas e seu meio ambiente, muitos comentaristas têm se centrado na questão do sistema econômico injusto. Surpreendentemente, o papa insere nesse discurso um desequilíbrio que muitos comentaristas preferem ignorar, a ideologia de gênero que distorce a relação própria entre o homem e a mulher (LS n. 155).

ZENIT: Pode-se dizer que a Laudato Si’ faça a conexão entre a questão ecológica e a questão da dignidade humana?

Pe. Joseph Tham: Certamente, o papa colocou a questão antropológica no centro da encíclica. Precisamos reconhecer que somos todos irmãos e irmãs, com a mesma dignidade. Na tradição judaico-cristã, os homens são considerados especiais entre todas as criaturas porque foram criados à imagem e semelhança de Deus. Deveremos, portanto, evitar a posição de certos grupos ambientalistas que lutam contra a crueldade nos animais, mas, paradoxalmente, apoiam a destruição de vidas humanas, especialmente nas fases iniciais da vida (LS n. 90). Respeito pela dignidade humana significa também contrariar a mentalidade moderna que reduz tudo ao nível de coisas que estão disponíveis para qualquer pessoa, incluindo os seres humanos. Também foi um tema recorrente deste pontificado criticar a assim chamada "cultura do descartável" que está ao nosso redor como coisas para usar, consumir, destruir (LS n. 123). O utilitarismo e o relativismo são as teorias mais comuns da bioética de hoje, enquanto os debates geralmente giram em torno do direito a utilizar as novas tecnologias no começo da vida, no fim da vida e na reprodução humana. Do ponto de vista do utilitarismo, tais ações são éticas se trazem resultados e utilidade. O relativismo nega a possibilidade de se chegar a uma verdade universal desses dilemas.

ZENIT: Como é que a questão da tecnologia está ligada a esta análise?

Pe. Joseph Tham: Uma das seções mais interessantes da encíclica fala sobre a questão da tecnologia. O Papa Francisco está ao afirmar que o progresso moderno nos trouxe muita comodidade, sanou muitas dificuldades e ampliou nossas vidas. No entanto, enquanto a tecnologia tem, sem dúvida, melhorado a qualidade de vida, estamos apenas começando a reconhecer os muitos problemas ambientais que resultaram. Nesta seção, o Papa cita longamente o pensamento do filósofo e teólogo Romano Guardini. Há uma certa ambivalência na tecnologia, por causa do seu poder destrutivo. Em todo poder existe uma grande responsabilidade que é, muitas vezes, esquecida na realidade globalizada de hoje. No mundo das ciências, da medicina e da política, parece reinar uma "mentalidade tecnocrática". Assim, perdemos de vista o sentido do contexto mais amplo e tendemos a procurar resultados imediatos ou gratificações instantâneas, muitas vezes com resultados desastrosos (LS 102-114)

ZENIT: Como podemos escapar deste perigoso uso irresponsável da tecnologia?

Pe. Joseph Tham: É um problema difícil, que foi colocado pelo filósofo Heidegger em sua famosa última entrevista, intitulada: "Só um Deus nos pode salvar". Ele previra, mais de meio século atrás, que a tecnologia é uma espécie de prisão onicompreensica da qual a modernidade não pode escapar. Sendo agnóstico, a sua resposta sarcástica "só um Deus pode nos salvar" não se refere ao "Deus" da revelação. Explica, de fato, mais tarde que consiste no “pensar, poetar ou contemplar", em vez de fazer novas investigações tecnológicas. A sua resposta não é então tão fácil de se entender, mas eu acho que Heidegger teve uma intuição que podemos encontrar também na Laudato Si’ quando o Papa nos convida a elevar-nos até a nossa mais alta vocação à transcendência e espiritualidade.

ZENIT: Que papel pode ter a religião ou a espiritualidade em questões ambientais?
Pe. Joseph Tham: O Papa, fiel a seu homônimo e ao título desta encíclica, remonta a São Francisco de Assis, para propor uma solução para esta questão espinhosa. Ele acredita que a novidade e a criatividade do espírito humano possam superar a tentação do materialismo e das soluções técnico científicas (LS 81). A exegese do livro do Gênesis e as reflexões teológicas enfatizaram a relação harmoniosa entre a humanidade, a natureza e o Criador. Deus nos deu o dom da natureza, algo para cuidarmos e cultivarmos. Devemos estabelecer um relacionamento com o nosso meio ambiente não de poder e dominação, mas de harmonia e administração. Laudato Si’ é um apelo a louvar o Criador pela beleza da sua criação. O Papa nos pede para recuperar o sentido de admiração e reverência pelo nosso ambiente natural. Nessa contemplação podemos reencontrar o nosso verdadeiro lugar na natureza e redescobrir a relação entre nós mesmos e com os demais e, finalmente, com toda a criação.

ZENIT: O que significa "conversão ecológica"?

Pe. Joseph Tham: Na última parte da encíclica, o Papa Francisco exortou os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a uma conversão ecológica. Se é verdade que somos em parte responsáveis ​​pelas muitas feridas infligidas a natureza, também é verdade que podemos ser a solução para estes problemas, uma vez que houver uma mudança do coração. Esta mudança significa reconhecer que a ecologia é acima de tudo uma questão ética e a humanidade não pode ser dominada pelo utilitarismo, pelo consumismo e pelas soluções tecnológicas. Embora o dano ao meio ambiente seja resultante de nossas ações, somente através de um virtuoso crescimento e aumentando a força moral, poderemos reparar o dano. As virtudes específicas que o Papa indica são as da sobriedade em nosso uso da tecnologia e dos recursos, contra uma cultura de desperdício, e humildade para reconhecer o nosso lugar no universo para evitar arrogância e insensibilidade para com as necessidades dos outros e do ambiente.

ZENIT: O que a Faculdade de Bioética do Ateneu faz para abordar a questão ambiental?

Pe. Joseph Tham: O 14º Curso Internacional de Verão de atualização em Bioética que será do 30 junho ao 10 julho, na sede do nosso Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em Roma, será dedicado ao tema "Bioética, questões ambientais e ecologia humana". A nossa Faculdade de Bioética deseja a colaboração com outras organizações internacionais para acolher os estudantes, jovens, mas não só, provenientes de todo o mundo. Como é típico da nossa faculdade, vamos abordar a complexa questão ambiental, com uma metodologia interdisciplinar. Esta abordagem interdisciplinar nos permitirá dar um sentido às preocupações que estão em primeiro plano como a poluição, a gestão de recursos, a questão da energia, as alterações climáticas, a biodiversidade, as biotecnologias ambientais e o tratamento dos animais.

Como aprendemos nos 13 cursos anteriores, é essencial integrar o conhecimento científico de ponta com a sabedoria perene da filosofia e da teologia. O curso de verão está destinado a todas aquelas pessoas que podem ter uma influência na abordagem da sociedade a estas questões importantes. Portanto, convidamos médicos, trabalhadores da saúde, pessoas que trabalham em biotecnologia, professores de ciências, sacerdotes e religiosos, advogados e todos aqueles interessados ​​no debate cultural para se juntar a nós nestes dias estimulantes de estudo e intercâmbio.

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Para mais informações: info.bioetica@upra.org



Uma cultura para um novo humanismo

As conclusões do XII Simpósio Internacional de Professores

Roma, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Mons. Lorenzo Leuzzi

Com um tema que recordou o evento jubilar do ano 2000, "A universidade por um novo humanismo", o XII Simpósio Internacional de Professores se colocou a serviço do congresso eclesial italiano a ser realizada em Florença, no mês de novembro, com o tema "Em Jesus Cristo, o novo humanismo".

O primeiro convite da Igreja a notarmos o surgimento de um novo humanismo está no documento conciliar Gaudium et Spes, no parágrafo 55: "... Testemunhamos o nascimento de um novo humanismo, no qual o homem se define acima de tudo pela sua responsabilidade para com seus irmãos e para com a história".


Com palavras eficazes, o papa Francisco parafraseou a reflexão concilitar reiterando que estamos "numa mudança de época e não numa época de mudança" (22 de setembro de 2013).


Suas palavras destacam que o adjetivo "novo" é o centro da reflexão: por que este humanismo é "novo"?


Não se trata de uma novidade sociológica, mas histórica: estamos numa mudança de época; existe realmente algo que marca uma profunda diferença entre esta época e as anteriores.


Que novidade é esta? É o fato de que o homem pode realmente ser mais (PP 19, CV 29), pode fazer-se na história (faciendum), pode experimentar a superação dos seus limites "naturais" e enfrentar o risco de "imanentizar-se na história", como lembra o papa Francisco na Evangelii Gaudium (94).


Todas as expectativas e aspirações do ser humano nesta sociedade são manifestações do desejo do homem de ser mais, um desejo que já estava no plano original de Deus: o homem é sujeito histórico (cf. Gn 2-3).

 
O discernimento desta mudança de época é muito desafiador. Primeiro, porque por trás do humano existe a realidade histórica. Segundo, porque, sem conhecer a mudança de época, não se entendem as expectativas do homem contemporâneo. Terceiro, porque há um grande risco de que a fé cristã perca a sua especificidade, repropondo uma antropologia abstrata e antirrealista, tanto no âmbito filosófico quanto no teológico. Em Aparecida (28 de julho de 2013), o papa Francisco destacou as tentações antirrealistas da filosofia e da teologia com sérias repercussões na vida cristã e na ação evangelizadora da Igreja.


O "novo"

É novo porque a sociedade é nova: ela vive a transição do estático para o dinâmico; é novo porque a existência humana não é mais animada pela ética; é novo porque a identidade, a estabilidade e a eternidade do homem não são mais garantidas, mas devem ser promovidas.


A contribuição da fé cristã

A vida em Cristo é ser mais; a vida em Cristo é garantia da identidade, estabilidade e eternidade do homem; a vida em Cristo é participação na construção da realidade histórica eclesial.


É oportuno reler o parágrafo 22 da Gaudium et Spes não só em sentido personalista, mas também histórico, da presença na história do Verbo-Logos, primeiro na pessoa de Jesus de Nazaré e depois na realidade histórica que é a nova criação, isto é, a Igreja.


Por que não emerge esta novidade da vida cristã? Porque a sociedade estático-sacral tem obscurecido a novidade do cristianismo. O cristianismo serviu durante séculos à sociedade correndo o perigo de perder a sua identidade.


A nova criação

A novidade cristã está na nova criação, sem a qual o cristianismo hoje se tornaria um fenómeno religioso em fase de extinção. Daí a distinção entre geração, manifestação da maternidade da Igreja e agregação (manifestação de um fenómeno religioso).


Descobrir a nova criação é condição prévia não só para promover o "novo humanismo", que na Igreja não é (ou não deveria ser) novo, mas que é "novo" em sentido temporal na sociedade pela mudança de época. Em outras palavras, é a sociedade que segue a Igreja e não o contrário, porque a Igreja sempre foi histórico-dinâmica. A sociedade vive a mudança de época e pergunta se o cristianismo pode ajudá-la a compreender a si mesma. A novidade está na sociedade. Na Igreja, a novidade é permanente.


O batizado, "homem novo"

A pessoa batizada tem uma existência real nova, que a torna capaz de construir a Igreja promovendo a sua identidade, estabilidade e eternidade.


A vida nova é uma vida de participação para construir a realidade histórica que é a Igreja. Ao construir a Igreja, o batizado constrói a si mesmo e realiza a sua plenitude histórica.


O cristianismo conhece a sociedade contemporânea porque a nova criação é vida histórico-dinâmica, como aquela que, a partir da revolução industrial, vai emergindo na sociedade.


Não é questão de cumprir novas "profecias", mas de oferecer o que o próprio cristianismo já tem, que não é um património religioso ou cultural, mas a presença do Verbo-Logos na história, tanto como Salvador quanto como forma da sociedade.


O cristianismo deve oferecer esta forma social que pode garantir ao homem a sua identidade, estabilidade e eternidade. É o primeiro e decisivo ato de caridade para com a humanidade.


Após os acontecimentos de 1989, 2001 e 2008, o novo humanismo é decisivo: os três pilares do humanismo são animados por práticas sociais que não são capazes de garanti-los. É o que a Evangelii Gaudium chama de "imanentismo antropocêntrico" ​​(EG 94). É um humanismo que se apresenta como novo porque pode permear a sociedade que se tornou dinâmica, mas que é destrutivo para a convivência humana. É o imanentismo antropocêntrico que promove a orfandade na sociedade e na Igreja.


Novo humanismo e cultura: da cultura-civilização à cultura-conhecimento

Para elaborar um humanismo que satisfaça as expectativas do "novo", é preciso entender a transição de uma cultura alicerçada na civilização para uma cultura alicerçada no conhecimento. Isto não significa que a cultura-civilização não contivesse conhecimento. A diferença é que a cultura-conhecimento não está a serviço da conservação, mas do projeto. Sem a cultura-conhecimento, não é possível projetar e construir a sociedade.


É tempo de síntese, não de análise.


O papel da Universidade

Por vocação, a Universidade é lugar de síntese, onde as várias disciplinas convergem na busca da realidade. A referência ao novo humanismo é uma grande oportunidade não só para redescobrir a originalidade da universidade, mas também para finalizar a convergência das disciplinas académicas a fim de desenvolver um projeto capaz de promover o homem todo e todos os homens. Este foi o grande desafio do XII Simpósio Internacional de Professores.


Rumo ao Jubileu da Misericórdia

O conhecimento não é marginal à misericórdia. Pelo contrário, é a chave interpretativa da novidade do Evangelho da misericórdia. A misericórdia supera o assistencialismo. O caminho que aguarda os professores universitários é o compromisso da transição da misericórdia-assistencialismo para a misericórdia-projeto.



A dor do papa Francisco pelas tragédias na Tunísia, na França e no Kuwait

Em telegramas para os núncios dos três países, ele garante orações pelas vítimas e repudia os atos bárbaros

Cidade do Vaticano, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Staff Reporter

O papa Francisco se une à dor do mundo pelos massacres que golpearam na última sexta-feira a Tunísia (tiroteio na praia de Sousse), a França (decapitação de um homem numa fábrica perto de Lyon) e o Kuwait (bomba em uma mesquita), todos perpetrados por terroristas.

Em três telegramas, assinados pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin e dirigidos aos respectivos núncios apostólicos, o papa condenou a violência que gera tanto sofrimento e pediu do Senhor o dom da paz. Invocando a bênção de Deus sobre as famílias das vítimas, o Santo Padre também pediu que Deus os conforte, confiando à Sua misericórdia as almas dos mortos.


Em particular na mensagem pela trágica perda de vidas no ataque contra a mesquita na Cidade do Kuwait, o papa oferece as suas fervorosas orações pelas vítimas e pelos membros das suas famílias e denuncia com veemência os atos bárbaros. Francisco pediu que o núncio transmita a sua proximidade espiritual às famílias atingidas e encoraje o povo do Kuwait a não se desanimar em face do mal.



O desafio do Islão hoje

Entrevista ao reitor do Pontifício Instituto Oriental sobre o Islão, Ramadão, religião, paz e violência

Roma, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Sergio Mora

Estamos no mês do Ramadão para os muçulmanos. Para entender melhor o que significa esta festa no contexto muçulmano e dos cristãos orientais, entrevistamos o Pe. Samir Khalil Samir, SJ, pró-reitor e interim do Pontifício Instituto Oriental, que explicou aos leitores de ZENIT o que publicamos abaixo.

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ZENIT: O que é o Ramadão?

- Padre Samir: o Ramadão é um mês de jejum e oração que os muçulmanos fazem todos os anos, durante um mês lunar como nos antigos calendários. Jejua-se desde o amanhecer, pelas 5hs da manhã, até o anoitecer.

ZENIT: É como o jejum quaresmal?

- Padre Samir: Exatamente como os cristãos orientais fazem o jejum hoje, não só os monges, mas também as famílias. No Egito, na Igreja Copta, os cristãos não colocam nada na boca, nem de comer nem de beber, a partir da meia-noite até as duas da tarde, e os monges até o anoitecer. E depois fazem um jantar muito leve, e nada de carne, nem manteiga ou queijo, nada produzido com animais. Para os cristãos a quaresma são uns 47 dias, porque o domingo não conta como jejum.

ZENIT: Então, existe um significado muito semelhante?

- Padre Samir: Sim, é muito parecido, uma penitência que é feita para purificar-se, e normalmente a tradição espiritual muçulmana convida os fieis a utilizar a noite para meditar o Corão. Na verdade poucas pessoas do povo o fazem, só alguns ímãs sufis, que correspondem aos místicos.

Para os muçulmanos e os cristãos, mas também para os judeus e outras religiões, é um tempo para estar cada vez mais perto dos pobres e dos sofredores. A diferença com o jejum cristão é que no Ramadão come-se mais do que em qualquer outro período do ano, e é um período festivo. Em certo sentido, pode-se dizer que de tarde se recupera o que não se pode comer durante o dia, também quando vai dormir ou meia noite ou às duas da manhã. Este é o costume normal dos muçulmanos nos países árabes que conheço.

ZENIT: Os Muçulmanos vêem a religião como uma mensagem de paz?

- Padre Samir: No Alcorão existem fragmentos que falam de paz e outros que falam de guerra, contra os inimigos da fé. Contra os incrédulos, o Alcorão diz: sejam rápidos e matem-nos onde os encontrarem” "(Alcorão 4, 89) e"sejam rápidos e matem-nos no local onde os encontrem” (Alcorão 4, 91).

Segundo a tradição, na segunda parte de sua vida, entre 622 e 632, data de sua morte, Maomé fez uns sessenta ataques contra as caravanas, de saques (a palavra vem do árabe Ghazwa) por várias razões. O Alcorão também diz aos muçulmanos: "Vocês têm no Mensageiro de deus um modelo perfeito (Uswatun hasanatun)" (33,21).

A razão para essa violência é variada: de um lado pode ser a de garantir a sobrevivência, ou roubar, ou para comprar escravos e escravas, etc. Em uma palavra: pela pilhagem. Portanto, foi ‘revelado’ a Maomé o capítulo 8, chamado de "A pilhagem” (al-Anfal), pelo qual Deus revela ao Seu mensageiro que tem direito ao quinto de todo o espólio na primeira eleição! (Alcorão 8, 41). Os ataques podem ser destinados à conversão das tribos árabes que não acreditaram no único Deus.

Temos duas biografias muçulmanas de Maomé escritas por volta do 750: uma se intitula a biografia do Profeta (al-Sīrah al-Nabawiyyah) de Ibn Ishaq, e a outra O Livro dos saques (Kitab al-Maghazi) de al-Waqidi, onde descreve uns sessenta. Não é possível dizer que o Islã não conheça a guerra e não convide para a guerra. Mas não é possível dizer que o Islão seja somente guerra. Existe um e outro, de acordo com o momento da vida de Maomé.

E este é um dos grandes problemas dos nossos irmãos muçulmanos. Porque é fácil para alguns dizer que o Islão é uma religião de guerra, para converter todos para a única e verdadeira religião dentre as três reveladas (judaísmo, cristianismo e islamismo) e fazer a guerra em nome disso. Infelizmente vemos com o ISIS, com o Boko Haram, com o Al-Qaeda, e com muitos outros.

ZENIT: Mas o que a maioria dos muçulmanos acha?

- Padre Samir: Eu acho que a maioria dos muçulmanos não concorda com esta guerra. Não que excluam qualquer guerra; alguns dirão que pode se fazer somente uma guerra preventiva. Nunca os textos propõem também guerras agressivas. De fato, o califa Abu Bakr, o primeiro sucessor de Maomé, logo após sua morte, decidiu fazer as guerras que nós chamamos em Árabe «ḥurūb ar-riddah», as guerras para trazer de volta aqueles que tinham se distanciado do pacto com os muçulmanos dentro do Islão.

Portanto, isso cria problemas, porque cada um pode reivindicar uma citação baseada tanto no Alcorão, como nos fatos de Maomé, ou nos provérbios (i Hadith) de Maomé.

ZENIT: Então?

- Padre Samir. O Islão precisa de uma reforma profunda, e isso é dito por muitos muçulmanos. Recentemente, o presidente do Egito, Abd al-Fattah al-Sissi, em seu famoso discurso do 28 de dezembro de 2014, retomado mais fortemente o 11 de janeiro de 2015, no Cairo, pronunciou na frente de centenas de ímãs da universidade islâmica mais famosa do mundo, Al-Azhar, disse:: "Devemos fazer uma revolução no Islão para interpretar corretamente o Corão e a tradição".

ZENIT: Ou seja, dar o contexto histórico ...

- Padre Samir. A guerra não resolverá nada, porque amanhã virão outros para fazê-la. O problema é repensar o Islão e dizer: é verdade que o profeta fez guerras, é verdade que o Corão tem passagens que são, não só defensivas, mas também agressivas, é verdade que o Alcorão convida a fazer a guerra contra aqueles que não acreditam no Deus verdadeiro. Mas isso foi no século VII, em uma tradição beduína, onde os ataques a caravanas e as guerras estavam muito generalizadas.

ZENIT: Para nós serve com a Bíblia...

- Padre Samir: No Antigo Testamento temos passagens nas quais Deus incita a guerra através de Moisés, seu profeta, (Deuteronómio 20, 10-14) ou a terrível passagem da conquista da Terra Santa, em Josué 11, 16- 20. Mas a maioria de nossos irmãos judeus não vê isso como ipsis litteris, e dizem "este é um fato histórico de três mil anos atrás".

E Cristo, não só não retomou esses discursos bélicos, mas mandou o contrário: “Ouvistes que foi dito: 'Amarás o seu próximo' e odiarás seu inimigo. Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem; assim sereis filhos do Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa mereceis? Não fazem o mesmo os publicanos? E se cumprimentais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Não fazem o mesmo os pagãos? Portanto, sede perfeitos como é perfeito o Pai que está no céu”. (Mateus 5, 43-48).

Ou: " Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica.

Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames. O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles."(Lucas 6: 27-31). Existem dezenas de outros textos que convidam não apenas para a violência, mas a destruir a violência aceitando-a.

ZENIT: Nota-se intenções de mudanças ou as declarações contra as violências são de ocasião?

- Padre Samir: Muitos muçulmanos enxergam e fazem um apelo em favor dessa mudança profunda de atitude. Muitos dos intelectuais o dizem abertamente, mas são vistos como influenciados pelo ocidente. Eu estou convencido de que muitos muçulmanos são a favor de não usar a violência em nome de Deus, mas não se atrevem a dizê-lo e os ímãs estão quase bloqueados, não se atrevem a dizer uma palavra corajosa.

ZENIT: E nesta situação de violência e guerra no Oriente Médio?

- Padre Samir: Esta guerra horrenda é fundada sobre o fanatismo religioso, e é apoiada e mantida graças aos petrodólares da Arábia e às armas ocidentais. O dinheiro vem principalmente da Arábia Saudita e do Qatar. As armas da Europa e dos Estados Unidos (e para os xiitas do Irão), passando pela Turquia. O dinheiro é usado para adquirir armas e para pagar e incentivar os jihadistas. Afinal de contas, muitas nações estão se aproveitando dessa guerra que está destruindo o Oriente Médio e, acima de tudo, estas guerras estão matando dezenas de milhares de famílias.

A causa disso tudo é ideológica, uma forma ideológica islâmica, radical, que decreta que quem não pensa e pratica um certo tipo de islâmico deve ser eliminado. Em árabe, se denomina takfir, ou seja, declarar que o outro é kafir, incrédulo. Com base na tradição islâmica (incluindo o Alcorão), o kafir deve ser eliminado. Este pensamento remonta a 14 séculos atrás e tornou-se cada vez mais generalizado em certos ambientes ao longo dos últimos 40 -50 anos (mesmo que remonte a antes), tomando como modelo o pensamento da Arábia do século VII.

ZENIT: Qual ponto importante deveriam enfatizar?

- Padre Samir: Que os muçulmanos são nossos irmãos, como os judeus, como os ateus ou descrentes. Todos, cada ser humano é meu irmão, mesmo que eu não compartilhe sua visão. Vimos nos jornais estes dias que o ISIS atacou uma mesquita do Iémene do sul, onde morreram umas trinta pessoas. Se matam também entre si, porque consideram que quem não pensa como eles é um descrente e deve ser assassinado.

A única resposta a esta ideologia é a do Evangelho, a da fraternidade universal, em termos leigos, a do humanismo.

ZENIT: A oração organizada pelo Papa Francisco no Vaticano teve um impacto?

- Padre Samir: Teve essa finalidade, embora foi manipulada pelo ímã que veio de Jerusalém e recitou um versículo do Alcorão interpretado como um verso agressivo, que não estava previsto no texto.

Mahmoud Abbas e o presidente Shimon Peres, que estavam presentes, certamente buscam a paz como muitas pessoas, tanto em Israel e quanto no mundo árabe.

É hora de deixar a ideia de vingança e de guerra. A prova é que a guerra e a violência não resolvem os problemas, mas, pelo contrário, criam mais problemas e são fonte de novas violências.


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Maria, Pedro e Paulo são nossos guias no caminho da fé e da santidade

Texto completo do Angelus. Nesta segunda-feira, Francisco pediu para que os nossos corações estejam sempre abertos para as sugestões do Espírito Santo e para o encontro com os irmãos

Cidade do Vaticano, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Staff Reporter

Na festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, o Papa rezou nesta segunda-feira a oração do Angelus da janela de seu escritório no Palácio Apostólico, diante de uma multidão na Praça de São Pedro. Dirigindo-se aos fiéis e peregrinos de todo o mundo, que o recebeu com um longo aplauso, o Pontífice disse:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A Solenidade de hoje dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo é celebrada, como vocês sabem, pela Igreja, mas é vivida com alegria particular pela Igreja de Roma, porque o testemunho deles, selado com sangue, tem nessa sua fundação. Roma nutre especial carinho e gratidão por esses homens de Deus, que vieram de uma terra distante para proclamar, com suas vidas, o Evangelho de Cristo ao qual se dedicaram totalmente. O legado glorioso destes dois Apóstolos é fonte de orgulho espiritual para Roma e, ao mesmo tempo, um convite para viver as virtudes cristãs, especialmente a fé e a caridade: a fé em Jesus como Messias e Filho de Deus, que Pedro professou primeiro e Paulo proclamou às nações; e a caridade, que essa Igreja é chamada a servir com horizonte universal.

Na oração do Angelus, em memória dos santos Pedro e Paulo associamos também a de Maria, imagem viva da Igreja, esposa de Cristo, que os dois Apóstolos "fecundaram com o seu sangue" (antífona de entrada da Missa do dia). Pedro conheceu pessoalmente a Maria e conversando com ela, especialmente nos dias antes de Pentecostes (cf. At 1,14), foi capaz de aprofundar o seu conhecimento do mistério de Cristo. Paulo, ao anunciar o cumprimento do plano de salvação "na plenitude do tempo", não deixou de recordar a "mulher" de quem o Filho de Deus nasceu no tempo (cf. Gal 4,4). Na evangelização dos dois Apóstolos aqui em Roma, há também as raízes da profunda e secular devoção dos romanos à Virgem, especialmente invocada como Salus Populi Romani. Maria, Pedro e Paulo são nossos companheiros de viagem na busca por Deus; são nossos guias no caminho da fé e da santidade; eles nos levam para Jesus, para fazer tudo o que Ele nos pede. Invoquemos a ajuda deles, para que os nossos corações possam estar sempre abertos para as sugestões do Espírito Santo e para o encontro com os irmãos.

Na celebração eucarística, que foi realizada esta manhã na Basílica de São Pedro, eu abençoei o pálio dos arcebispos metropolitanos nomeados no último ano, provenientes de várias partes do mundo. Renovo as minhas saudações e votos de felicidades a eles, aos familiares e àqueles que os acompanham nesta importante ocasião, e espero que o pálio, além de aumentar os vínculos de comunhão com a Sé de Pedro, seja estímulo para um serviço mais generoso às pessoas confiadas ao seu zelo pastoral. Na mesma liturgia eu tive o prazer de saudar os membros da delegação que chegou a Roma em nome do Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, caríssimo irmão, para participar, como todos os anos, da festa dos santos Pedro e Paulo. Também essa presença é sinal do vínculo fraterno existente entre as nossas Igrejas. Rezemos para que seja reforçado o caminho da unidade entre nós.

A nossa oração hoje é especialmente para a cidade de Roma, para seu bem estar espiritual e material: a graça divina sustente o povo romano, para que vivam em plenitude a fé cristã, testemunhada com zelo intrépido pelos Santos Pedro e Paulo. Interceda por nós a Santíssima Virgem, Rainha dos Apóstolos.

(Depois do Angelus)

Queridos irmãos e irmãs,

Saúdo a todos, famílias, paróquias, associações da Itália e de muitas partes do mundo; mas especialmente hoje saúdo os fiéis de Roma, na festa dos santos padroeiros da cidade!

Saúdo os alunos de algumas escolas católicas dos Estados Unidos e da Escócia.

Felicito os artistas que realizaram uma grande e bela exibição floral, e agradeço o "Pro Loco" de Roma por ter promovido. Muito obrigado!

Os melhores votos pela tradicional queima de fogos que terá lugar esta noite no Castel Sant'Angelo, cujos fundos arrecadados servirão a uma iniciativa de caridade na Terra Santa e no Oriente Médio.

Na próxima semana, entre 5 e 13 de julho estarei em viagem ao Equador, Bolívia e Paraguai. Peço a todos vocês que me acompanhem em oração, para que o Senhor abençoe esta minha viagem para ao continente latino-americano para mim tão caro, como podem imaginar. Exprimo ao querido povo do Equador, Bolívia e Paraguai minha alegria por estar na casa deles, e peço a eles, de forma particular, para rezarem por mim e por esta viagem, a fim que a Virgem Maria nos dê a graça de nos acompanhar com a sua materna proteção.

Desejo a todos uma boa festa. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até logo.



Francisco pede orações por sua viagem à América Latina

Pontífice exprime a sua alegria de poder estar na casa dos equatorianos, bolivianos e paraguaios

Estado da Cidade do Vaticano, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Staff Reporter

O Papa Francisco recordou nesta segunda-feira, após a oração Mariana do Angelus na Solenidade de São Pedro e Paulo, que em poucos dias realizará a sua segunda viagem à América Latina, um continente "tão caro" para ele. Francisco expressou a sua alegria de poder estar na casa dos equatorianos, bolivianos e paraguaios.

"Na próxima semana, entre 5 e 13 de julho estarei em viagem ao Equador, Bolívia e Paraguai. Peço a todos vocês que me acompanhem em oração, para que o Senhor abençoe esta minha viagem para ao continente latino-americano para mim tão caro, como podem imaginar", disse o Papa da janela do Palácio Apostólico.

"Exprimo ao querido povo do Equador, Bolívia e Paraguai minha alegria por estar na casa deles, e peço a eles, de forma particular, para rezarem por mim e por esta viagem, a fim que a Virgem Maria nos dê a graça de nos acompanhar com a sua materna proteção”, acrescentou.

Francisco realizou sua primeira viagem à América Latina em julho de 2013, quando visitou o Brasil. Desta vez, ele vai para o Equador, depois para a Bolívia e, por fim, para o Paraguai, levando uma mensagem de unidade e reconciliação.



Quem são os arcebispos que receberam o pálio?

A faixa de lã branca colocada sobre a casula simboliza a comunhão com o Papa

Roma, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Staff Reporter

Quarenta e seis arcebispos foram nomeados pelo Papa Francisco no ano passado. Todos receberam o pálio nesta segunda-feira durante a Missa concelebrada com o Santo Padre, na Basílica Vaticana, por ocasião da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

O pálio que simboliza a união do metropolitano com o Pontífice, é um tipo de colarinho ou faixa de lã branca com dois apêndices, um na frente e outro nas costas, que é colocado sobre a casula; possui seis cruzes bordadas em lã preta, uma em cada apêndice e quatro no colarinho.

Os pálios são feitos com lã de cordeiros criados no convento de vida contemplativa de Santa Inês, em Roma. Na festa de Santa Inês, 21 de janeiro, os cordeiros são levados ao Papa para serem abençoados. A lã extraída é utilizada pelas religiosas para a confecção do pálio. Após confeccionados e abençoados pelo Papa, os pálios são guardados sob o altar principal da Basílica de São Pedro até o dia da cerimónia de entrega.

Na celebração deste ano, a faixa de lã branca foi entregue e não colocada pelo Santo Padre. A imposição do pálio será feita pelo Núncio Apostólico, nas respectivas Arquidioceses de origem, para colocar em maior evidência a relação dos arcebispos com a sua Igreja local e dar a possibilidade a mais fiéis de estarem presentes neste rito.

Apresentamos a lista dos arcebispos que receberam o pálio nesta segunda-feira, 29 de junho de 2015:

  1. Arcebispo José Antônio PERUZZO, de Curitiba (Brasil)
  2. Cardeal Rainer Maria WOELKI, de Colónia (Alemanha)
  3. Cardeal, Antonio CAÑIZARES LLOVERA, de Valência (Espanha)
  4. Arcebispo Julian LEOW BENG KIM de Kuala Lumpur (Malásia)
  5. Arcebispo Eduardo Eliseo MARTÍN de Rosário (Argentina)
  6. Arcebispo Florentino Galang LAVARIAS de San Fernando (Filipinas)
  7. Arcebispo Anthony PAPPUSAMY de Madurai (Índia)
  8. Arcebispo Sevastianos ROSSOLATOS de Atenas (Grécia)
  9. Arcebispo Thomas Aquino Manyo MAEDA de Osaka (Japão)
  10. Arcebispo Carlos OSORO SIERRA, de Madri (Espanha)
  11. Arcebispo Eamon MARTIN,de Armagh (Irlanda)
  12. Arcebispo Anthony Colin FISHER, O.P., de Sydney (Austrália)
  13. Arcebispo Blase J. CUPICH, de Chicago (EUA)
  14. Arcebispo Oscar Omar APARICIO CÉSPEDES, de Cochabamba (Bolívia)
  15. Arcebispo José Antonio FERNÁNDEZ HURTADO, de Durango (México)
  16. Arcebispo Stane ZORE, O.F.M. de Liubliana (Eslovénia)
  17. Arcebispo Djalwana Laurent LOMPO, de Niamey (Niger)
  18. Arcebispo Vincenzo PELVI, de Foggia-Bovino (Itália).
  19. Arcebispo Richard Daniel ALARCÓN URRUTIA, de Cuzco (Peru)
  20. Arcebispo Jean MBARGA de Yaoundé (Camarões)
  21. Arcebispo Edmundo Ponciano VALENZUELA MELLID, S.D.B. de Assunção (Paraguai)
  22. Arcebispo Beatus KINYAIYA, O.F.M. Cap., de Dodoma (Tanzânia)
  23. Arcebispo Max Leroy MÉSIDOR, de Cap-Haïtien (Haiti)
  24. Arcebispo Kieran O'REILLY, S.M.A.de Cashel (Irlanda)
  25. Arcebispo Filomeno do NASCIMENTO VIEIRA DIAS, de Luanda (Angola)
  26. Arcebispo Martin MUSONDE KIVUVA, de Mombasa (Quénia)
  27. Arcebispo Vicente JIMÉNEZ ZAMORA, de Zaragoza (Espanha)
  28. Arcebispo Benjamin NDIAYE, de Dakar (Senegal)
  29. Arcebispo Menghesteab TESFAMARIAM, M.C.C.J., de Asmara (Eritreia)
  30. Arcebispo Stefan HESSE, de Hamburgo (Alemanha)
  31. Arcebispo Juan NSUE EDJANG MAYÉ, de Malabo (Guiné Equatorial)
  32. Arcebispo Yustinus HARJOSUSANTO, M.S.F., de Samarinda (Indonésia)
  33. Arcebispo Freddy Antonio de Jesús BRETÓN MARTÍNEZ, de Santiago de los Caballeros (República Dominicana)
  34. Arcebispo Charles Jude SCICLUNA, de Malta (Malta)
  35. Arcebispo David MACAIRE, O.P., de Fort-de-France (Martinica)
  36. Arcebispo Alojzij CVIKL, S.I., de Maribor (Eslovénia)
  37. Arcebispo Fülöp KOCSIS, de Hajdúdorog para os católicos de rito bizantino (Hungria)
  38. Arcebispo John Charles WESTER, de Santa Fé (EUA)
  39. Arcebispo Denis GRONDIN, de Rimouski (Canadá)
  40. Arcebispo Francescantonio NOLÈ, O.F.M. Conv., de Cosenza-Bisignano (Itália)
  41. Arcebispo Celso MORGA IRUZUBIETA, de Mérida-Badajoz (Espanha)
  42. Arcebispo Gustavo Rodríguez VEGA, de Yucatán (México)
  43. Arcebispo Erio CASTELLUCCI, Arcebispo eleito de Modena-Nonantola (Itália)
  44. Arcebispo Heiner KOCH, de Berlim (Alemanha)
  45. Arcebispo Lionginas VIRBALAS, S.I., de Kaunas (Lituânia)
  46. Arcebispo Thomas Ignatius MACWAN, de Gandhinagar (Índia)




São Pedro e São Paulo

“A fé em Jesus Cristo tornou São Pedro e São Paulo irmãos e o martírio os fez se tornarem uma só coisa”

Horizonte, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Fabiano Farias de Medeiros

“A fé em Jesus Cristo tornou-os irmãos e o martírio os fez se tornarem uma só coisa. São Pedro e São Paulo, tão diferentes entre eles no plano humano, foram escolhidos pessoalmente pelo Senhor Jesus e responderam ao chamado oferecendo suas vidas.” Ressaltou o Papa Francisco na solenidade de São Pedro e São Paulo, padroeiros de Roma, que é considerada uma das mais antigas da Tradição da Igreja.

Regista-se que no século IV já se tinha a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros; e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, na qual foram depositadas as relíquias dos santos. É um dia de preceito para a Igreja Católica e neste dia o Papa impõe aos arcebispos recém-ordenados o pálio. A Tradição também remonta que a festa foi uma cristianização do culto pagão à Remo e Rómulo, tidos pela mitologia como os fundadores de Roma.

São Pedro foi pescador e foi o apóstolo escolhido por Deus para que sobre ele fosse fundada a Igreja: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". Por este motivo recebeu o título de "Príncipe dos Apóstolos" e sendo o primeiro Bispo de Roma, confirmou a primazia do Papa e da diocese de Roma sobre toda a Igreja Católica. Foi martirizado pela crucificação, a qual pediu para ser feita de cabeça para baixo, pois não era digno de morrer como Jesus.

São Paulo, de perseguidor de cristãos, tornou-se o "Apóstolo dos Gentios" e empreendeu diversas viagens apostólicas e missões em favor do anúncio da Palavra de Deus. Escreveu diversas cartas, exortando, ensinando e motivando as comunidades a permanecerem firmes na fé. Por ser cidadão romano, foi condenado a uma chamada “morte nobre” pela decapitação.

Sobre o sangue destes mártires foi edificada a Igreja que os reconhece como colunas de nossa fé e princípio da universalidade, caridade e unidade. Sobre isso falava Santo Irineu de Lião: “A Igreja espalhada em todo o mundo conserva esta doutrina e esta fé com diligência, formando quase uma única família: a mesma fé com uma só alma e um só coração, a mesma pregação, ensinamento, tradição como se tivesse uma só boca.”



"Ensinar a oração, orando; anunciar a fé, acreditando; testemunhar, vivendo"

Texto completo. Na Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Francisco recorda que "passaram reinos, povos, culturas, nações, ideologias, potências, mas a Igreja, fundada sobre Cristo, não obstante as inúmeras tempestades e os nossos muitos pecados, permanece fiel ao depósito da fé"

Cidade do Vaticano, 29 de Junho de 2015 (ZENIT.org) Staff Reporter

A Missa por ocasião da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo foi celebrada pelo Papa Francisco na manhã desta segunda-feira, 29 de junho, na Basílica Vaticana. 46 Arcebispos metropolitanos nomeados durante o ano receberam o pálio das mãos do Pontífice. Apresentamos a seguir o texto completo da homilia pronunciada pelo Pontífice.

A leitura tirada dos Atos dos Apóstolos fala-nos da primeira comunidade cristã assediada pela perseguição. Uma comunidade duramente perseguida por Herodes, que «mandou matar à espada Tiago (...) e mandou também prender Pedro (...). Depois de o mandar prender, meteu-o na prisão» (12, 2-4).

Mas não quero deter-me nas atrozes, desumanas e inexplicáveis perseguições, infelizmente ainda hoje presentes em tantas partes do mundo, muitas vezes sob o olhar e o silêncio de todos. Prefiro hoje venerar a coragem dos Apóstolos e da primeira comunidade cristã; a coragem de levar por diante a obra de evangelização, sem medo da morte nem do martírio, no contexto social dum império pagão; venerar a sua vida cristã, que para nós, crentes de hoje, é um forte apelo à oração, à fé e ao testemunho.

Um apelo à oração. A comunidade era uma Igreja em oração: «Enquanto Pedro estava encerrado na prisão, a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (Act 12, 5). E, pensando em Roma, as catacumbas não eram lugares para escapar das perseguições, mas principalmente lugares de oração, para santificar o domingo e para elevar, do seio da terra, uma adoração a Deus que nunca esquece os seus filhos.

A comunidade de Pedro e Paulo ensina-nos que uma Igreja em oração é uma Igreja de pé, sólida, em caminho! Na verdade, um cristão que reza é um cristão protegido, guardado e sustentado, mas sobretudo não está sozinho.

E a primeira leitura continua: «Diante da porta estavam sentinelas de guarda à prisão. De repente apareceu o anjo do Senhor e a masmorra foi inundada de luz. O anjo despertou Pedro, tocando-lhe no lado (…) e as correntes caíram-lhe das mãos» (12, 6-7).

Pensamos porventura nas vezes sem conta que o Senhor respondeu à nossa oração enviando-nos um Anjo? Aquele Anjo que, inesperadamente, vem ao nosso encontro para nos salvar de situações difíceis? Para nos arrancar das mãos da morte e do maligno; para nos apontar o caminho perdido; para reacender em nós a chama da esperança; para nos fazer uma carícia; para consolar o nosso coração dilacerado; para nos despertar do sono existencial; ou simplesmente para nos dizer: «Não estás sozinho».

Quantos anjos coloca Ele no nosso caminho, mas nós, dominados pelo medo ou a incredulidade ou então pela euforia, deixamo-los fora da porta – precisamente como aconteceu a Pedro quando bateu à porta da casa e «uma serva chamada Rode veio atender. Reconheceu a voz de Pedro e com alegria, em vez de abrir, correu a anunciar que Pedro se encontrava em frente da porta» (12, 13-14).

Nenhuma comunidade cristã pode prosseguir sem o apoio da oração perseverante! A oração que é o encontro com Deus, com Deus que jamais desilude; com o Deus fiel à sua palavra; com Deus que não abandona os seus filhos. Assim Jesus nos punha a questão: «E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite?» (Lc 18, 7). Na oração, o crente exprime a sua fé, a sua confiança, e Deus exprime a sua proximidade, inclusive através do dom dos Anjos, os seus mensageiros.

Um apelo à fé. Na segunda leitura, São Paulo escreve a Timóteo: «O Senhor, porém, esteve comigo e deu-me forças, a fim de que, por meu intermédio, o anúncio [do Evangelho] fosse plenamente proclamado (…). Assim fui arrebatado da boca do leão. O Senhor me livrará de todo o mal e me levará a salvo para o seu Reino celeste» (2 Tm 4, 17-18). Deus não tira os seus filhos do mundo ou do mal, mas dá-lhes a força para vencê-los. Só quem acredita pode verdadeiramente dizer: «O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 22/23, 1).

Ao longo da história, quantas forças procuraram – e procuram – aniquilar a Igreja, tanto a partir do exterior como do interior, mas todas foram aniquiladas e a Igreja permanece viva e fecunda! Inexplicavelmente, permanece firme para poder – como diz São Paulo – aclamar, «a Ele, a glória pelos séculos dos séculos» (2 Tm 4, 18).

Tudo passa, só Deus resta. Na verdade, passaram reinos, povos, culturas, nações, ideologias, potências, mas a Igreja, fundada sobre Cristo, não obstante as inúmeras tempestades e os nossos muitos pecados, permanece fiel ao depósito da fé no serviço, porque a Igreja não é dos Papas, dos Bispos, dos padres e nem mesmo dos fiéis; é só e unicamente de Cristo. Só quem vive em Cristo promove e defende Igreja com a santidade da vida, a exemplo de Pedro e Paulo.

Em nome de Cristo, os crentes ressuscitaram os mortos; curaram os enfermos; amaram os seus perseguidores; demonstraram que não existe uma força capaz de derrotar quem possui a força da fé!

Um apelo ao testemunho. Pedro e Paulo, como todos os Apóstolos de Cristo que na vida terrena fecundaram a Igreja com o seu sangue, beberam o cálice do Senhor e tornaram-se os amigos de Deus.

Em tom comovente, Paulo escreve a Timóteo: «Quanto a mim, já estou pronto para oferecer-me como sacrifício; avizinha-se o tempo da minha libertação. Combati o bom combate, terminei a corrida, permanecia fiel. A partir de agora, já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Senhor, justo juiz; e não somente a mim, mas a todos os que anseiam pela sua vinda» (2 Tm 4, 6-8).

Uma Igreja ou um cristão sem testemunho é estéril; um morto que pensa estar vivo; uma árvore ressequida que não dá fruto; um poço seco que não dá água! A Igreja venceu o mal, através do testemunho corajoso, concreto e humilde dos seus filhos. Venceu o mal, graças à convicta proclamação de Pedro: «Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo», e à promessa eterna de Jesus (cf. Mt 16, 13-18).

Amados Arcebispos que, hoje, recebestes o pálio! Este é o sinal que representa a ovelha que o pastor carrega aos seus ombros como Cristo, Bom Pastor, sendo, pois, símbolo da vossa tarefa pastoral; é «sinal litúrgico da comunhão que une a Sé de Pedro e o seu Sucessor aos Metropolitas e, através deles, aos outros Bispos do mundo» (Bento XVI, Angelus do dia 29 de Junho de 2005).

Hoje, com o pálio, quero confiar-vos este apelo à oração, à fé e ao testemunho.

A Igreja quer-vos homens de oração, mestres de oração: que ensinam ao povo que o Senhor vos confiou que a libertação de todas as prisões é apenas obra de Deus e fruto da oração; que Deus, no momento oportuno, envia o seu anjo para nos salvar das muitas escravidões e das inúmeras cadeias mundanas. E sede vós também, para os mais necessitados, anjos e mensageiros da caridade!

A Igreja quer-vos homens de fé, mestres de fé: que ensinem os fiéis a não terem medo de tantos Herodes que afligem com perseguições, com cruzes de todo o género. Nenhum Herodes é capaz de apagar a luz da esperança, da fé e da caridade daquele que crê em Cristo!

A Igreja quer-vos homens de testemunho: como dizia São Francisco aos seus frades, pregai sempre o Evangelho e, se for necessário, também com as palavras! (cf. Fontes Franciscanas, 43). Não há testemunho sem uma vida coerente! Hoje sente-se necessidade não tanto de mestres, mas de testemunhas corajosas, convictas e convincentes; testemunhas que não se envergonham do Nome de Cristo e da sua Cruz, nem diante dos leões que rugem nem perante as potências deste mundo. Seguindo o exemplo de Pedro e Paulo e de muitas outras testemunhas ao longo de toda a história da Igreja; testemunhas que, embora pertencendo a diferentes confissões cristãs, contribuíram para manifestar e fazer crescer o único Corpo de Cristo. Apraz-me sublinhá-lo na presença – sempre muito grata – da Delegação do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, enviada pelo querido irmão Bartolomeu I.

O motivo é muito simples: o testemunho mais eficaz e mais autêntico é aquele que não contradiz, com o comportamento e a vida, aquilo que se prega com a palavra e aquilo que se ensina aos outros!

Ensinai a oração, orando; anunciai a fé, acreditando; dai testemunho, vivendo!

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana



«Impresa Orante» se extiende por Italia: rezar en grupo en la empresa... incluso por tu competidor

Un Rosario con meditaciones adaptadas a lo laboral

Un rosario semanal entre empresarios y trabajadores y quizá una misa mensual conjunta puede lograr cambios milagrosos

«Empresa orante», o lo que es lo mismo, «Pon a trabajar la oración».

Si el fundador de la «Ferrero» –piamontés de Alba– no escondía su devoción mariana, hasta el punto de que quiso una estatua de la Virgen de Lourdes en cada uno de los establecimientos de su empresa, llega ahora desde el Piamonte el llamamiento de un grupo de empresarios a sus colegas de toda Italia para que se unan a ellos con el fin de crear una red de oración pensada ad hoc para el mundo del trabajo.

«Visto el esfuerzo que tenemos que hacer a causa de una economía confusa y alterada en su naturaleza –explica una de las promotoras, Mariachiara Martina, titular de Fioredentro, empresa del sector de la moda– hemos decidido jugar la partida sacando una carta inesperada: la oración y, en particular, la oración del rosario recitada en la empresa una vez a la semana».

En cuatro meses ya está en 6 ciudades y crece
La iniciativa nació en febrero en Turín, en la Obra de los Padres Josefinos de Murialdo. Cuatro meses después, el equipo Empresa Orante (IO sus siglas en italiano) se ha ampliado.

Han nacido células en Nichelino -en la zona de Turín-, en la provincia de Cuneo, en Savona y en Milán. Seguirán Padua y Verona. A través de su sitio internet www.impresaorante.org llegan peticiones de información desde Rímini, Prato, Catania, Cosenza, Roma, incluso desde los Estados Unidos.

Mariachiara Martina y el padre Danilo Magni, director de la Obra de Murialdo y director espiritual del IO están viajando por la península para dar a conocer la propuesta. Hace algunos días estuvieron en Piacenza, invitados por el Ucid (ucid.it, Unión Cristiana de Emprendedores y Dirigentes) y la Oficina diocesana para las comunicaciones sociales.


 
La belleza de una oración especial
«La belleza de Empresa Orante es la contemporaneidad y el aspecto coral del momento de oración –subraya Martina–, pero también la unión al rezar por una única gran intención: hacer renacer la economía según nuevos parámetros, para que sea medio de gratificación y promoción de la dignidad del hombre. El deseo es hacer que los emprendedores de un mismo territorio se comprometan, para poder así compartir el Rosario, en turnos, en las distintas realidades empresariales, con la ayuda de meditaciones sobre los Misterios que han sido redactadas teniendo en cuenta los problemas del mundo del trabajo. Además, se propone la celebración de la misa una vez al mes».

¿Cosa de ingenuos en una crisis que parece no tener fondo? Las voces de los "orantes" -directores de empresas como dependientes- piensan todo lo contrario.

«No rezo en la iglesia -sólo en los funerales-, por lo que éste es para mí un momento que me acerca a Dios –confía Mario–. Le estoy aconsejando a mi mujer que participe, si bien a ella le parece increíble que en el trabajo se dedique este tiempo a la oración. Y sin embargo lo que marca la diferencia es precisamente el lugar».

Rezar por tu competidor
«Te cambia el modo de ver el mundo de los negocios –dice Tiziana, empresaria, relatando su experiencia–. Así, cuando sabes que tu competidor de toda la vida ha tenido que cerrar, no te alegras, sino que rezas por él, por su familia, que como la tuya ha dedicado a este sector cuarenta años de su vida».

«No todos en la empresa participan en la célula –dice otra “orante”–, pero ha sucedido que con ocasión de una feria importante a la que teníamos que participar ha venido una compañera para pedirnos que rezáramos por ellos, que sí iban, para que pudiera ser una ocasión útil con el fin de superar un periodo difícil. La feria fue muy bien, como no sucedía desde hacía tiempo».

(Publicado originariamente en italiano en Avvenire, traducción de Helena Faccia Serrano, Alcalá de Henares)

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Campeón de baloncesto y médico del Real Madrid, murió su hijo y una experiencia mística le tocó

Alfonso del Corral: «Sentí a Alguien que compartía mi dolor»

Alfonso del Corral en Cambio de Agujas - consiguió fama como jugador del Real Madrid, pero su mensaje de consuelo es el de Cristo
ReL 29 junio 2015

10 consejos prácticos y realistas para enfrentar la muerte y el duelo de forma cristianas 30 años Alfonso del Corral fue campeón de Liga y de la Copa del Rey de baloncesto jugando en el Real Madrid, en 1984-85 y también al año siguiente. Wikipedia explica que "destacaba por su tranquilidad y por su capacidad de concentración. Sus armas sobre la cancha eran una tremenda fuerza física, una explosiva salida al contraataque y una gran agresividad en defensa".

Cuando dejó de ser jugador, desarrolló una carrera profesional como responsable de los servicios médicos del Real Madrid de 1994-2007. Actualmente es director de la Unidad de Traumatología, Ortopedia y Medicina Deportiva en el Hospital Ruber Internacional de Madrid. Cuenta su experiencia de fe en el programa de testimonios “Cambio de Agujas” de HM Television.


Familia, deporte y disciplina
Aunque creció en una familia numerosa católica, explica que su fe era “de tradición, no vivida”. Como deportista de élite e hijo de militar, su vida era disciplinada y sus valores exigentes, pero “sólo rezaba cuando había algún problema”. El deporte le ayudaba a desahogarse cuando algún sufrimiento emocional le tocaba en su juventud.


“El deporte es un arma estupenda, te da fuerza, te da seguridad. Me enamoré apasionadamente del baloncesto, lo vivía como una religión”, recuerda. 

Alfonso del Corral le hace la vida imposible a Drazen Petrovic
He sido jugador del Real Madrid y he estado ahí cuatro temporadas. He estado con jugadores que tenían más cualidades, más talento, así que yo lo compensaba con más esfuerzo, más entrenamiento, más voluntad de victoria. Esa fue mi historia”.

El éxito no le cegó porque le llegó ya bastante maduro y poco a poco. “También mi padre siempre me avisaba de la vida, de los golpes que puede dar la vida y eso me hacía ser cauto y prudente”.


Una familia alegre... y un niño especial
En lo familiar y lo profesional las cosas iban bien. “Me casé muy joven con la mujer de mi vida, porque yo la conocí con 20 o 21 años. Ella tenía 17.Y con ella formé una familia, en la que hemos tenido cinco hijos. Álvaro era el tercero”.


Álvaro era un niño especial. “El niño tenía ángel, era muy cariñoso. Era muy fuerte, iba a ser muy grande y muy fuerte. Y siempre muy vitalista. Un día se metía en medio de nuestra cama de matrimonio y nos abrazaba. Decía: “¿No os dais cuenta que yo he venido a uniros?”. Y es verdad. Es verdad. Porque mi matrimonio, a lo mejor, se hubiera perdido, si no hubiese sido por este sacrificio enorme. O sea, que el niño tuvo una misión aquí. Y fue la de cambiarnos a todos, transformarnos, unirnos y caminar hacia el encuentro de Dios”.


Álvaro murió a los 6 años.

“Para los padres es un dolor insoportable.
No se superan estas cosas. Dicen: “¿Lo has superado?”. “No”. Se acepta, pues, por dos motivos: Uno es por un motivo humano. Y es que el amor de los demás o el amor a los demás te permite seguir caminando. Y otro, por un motivo divino, que es la presencia, la cercanía y el acompañamiento del Señor en tu vida”.

Alfonso del Corral, como médico del
Real Madrid, con David Beckham

Un día que empezó bien, y acabó terriblemente
Fue un impacto tremendo. Era su primer año al frente de los servicios médicos del Real Madrid, le acaban de dar el “cum laude” por su tesis doctoral, sus padres estaban encantados, el Real Madrid ganaba por 3-0 en un importante partido… y en ese momento le avisan de que el niño está en el hospital, muy mal. Tras seis horas de esfuerzos médicos, Álvaro murió.

 
El médico Del Corral describe con exactitud su dolor, físico, que no deja respirar y oprime el corazón.

Una frase bíblica... y una experiencia mística
Después de 3 días con ese dolor, “mi mujer y yo tuvimos una pequeña discusión. Y entonces, en medio de la irritación, pues no sé, me senté en un cuarto, había una Biblia y la abrí. Entonces, me parece que era San Mateo, era el evangelio en el que el Señor dice: “Yo soy el Camino, la Verdad y la Vida”. Cuando leí esa frase, paré de leer. Me quedé un poco pensativo, pero seguía con el mismo dolor, con la misma agonía, con el mismo sufrimiento y salí a caminar”.


“Entré en una iglesia de Madrid, en la calle Alcalá, que hace esquina con Gran Vía. No me acuerdo bien cual era. Estaba muy oscura. Prácticamente no sé lo que había, sí que había una lucecita del sagrario, del Santísimo y en toda la iglesia no había nada, solo se veía la luz, degeneraba un poco, y se veía una frase. ¡Otra vez la misma frase!: “Yo soy el Camino, la Verdad y la Vida”. Bueno, también seguía sintiendo el mismo dolor, el mismo sufrimiento, la misma agonía… ¡Pero qué cosa más rara! Y me acosté. Por supuesto, no dormía”.


“Dormía muy poco. Y me parece que era al alba, era junio pues sería a las cuatro, a las cinco de la mañana, serían las cinco, cinco y media, no podía dormir, paseaba y entonces entré en el cuarto del niño, y, mirando sus cosas, me quedé mirando una serie de cosas y, de pronto, al coger una cosa, se me cayó un cuaderno del niño. Era un cuaderno de escritura del niño. Y en el cuaderno de escritura, iba poniendo: la rosa, la manzana. Y, cuando abro la última hoja, la última cosa que escribió el niño es: “Yo soy el Camino, la Verdad y la Vida”. Y, con la escritura del niño, que la primera era muy buena y la última ya era una escritura que iba bajando, en ese momento, yo sentí una experiencia de Dios”.


“Sentí una presencia del que yo llamo “El Resucitado”. El dolor no es que desapareciera, es que, o cambió, o yo sentí la presencia de “Alguien”, que compartía conmigo ese dolor. Que, a partir de ese momento, yo sabía que había Algo y ese Algo lo iba a encontrar”.

Volcado en la lectura y en saber más
“Entonces yo empecé a leer muchísimo. No sabía quién era. La palabra, la expresión es de Jesucristo. Pero esa experiencia que, mucha gente dice que son delirios, alucinaciones, el síndrome del duelo, yo sé que es real. Dieciocho años después, yo aseguro que es verdad. Me pueden partir las piernas, pero eso era real. No es una frase, es algo que yo experimenté. Pero, es que, después de dieciocho años yo sé que el Señor vive. Leí muchísimo. Y me leí todo tipo de religiones, todo tipo de pensadores. Pero, cuando leía las palabras del Señor, cuando leía las epístolas, los Hechos de los Apóstoles, yo sentía fuego en mi interior, como dicen los discípulos de Emaús. Sentía un fuego. Otras cosas eran muy bonitas, pero no tenían ese fuego”.


“Son años en los que yo no dormía, seis o siete años en que leía y devoraba todo, leía todo lo que caía en mis manos. Me acostaba tarde, leyendo, y me levantaba temprano para leer. Dormía tres horas al día. Y entonces, empecé a esperar un poco, a experimentar y a gozar con todos esos sagrados misterios”. 

"El sufrimiento te abre los ojos"
Médico y padre herido por la muerte de un hijo, llegó a algunas conclusiones sobre el sufrimiento.

“El sufrimiento es horroroso. Pero el sufrimiento, la enfermedad, el dolor y la muerte son la cara de una realidad efímera. El sufrimiento, curiosamente, no deja indiferente a todo el mundo. A algunas personas, el sufrimiento los destruye; a otras muchas, que no son creyentes, los cambia, los hace mejores seres humanos, les quita una parte de esa soberbia, esa prepotencia, porque el sufrimiento te abaja, te hace más cercano. El sufrimiento te abre los ojos, porque vivimos borrachos. Y, mucho más, el hombre occidental vive inmerso en esta situación”.


“Para el cristiano, para el creyente de verdad, el sufrimiento, evidentemente, te conecta. Sobre todo, si tú experimentas que no estás solo en ese sufrimiento, esa es la gran diferencia. Nadie te va a quitar el sufrimiento, el sufrimiento está ahí. La diferencia es que el Señor murió en la Cruz precisamente para darnos ese sentido. Nadie entiende la cruz. Pero, ¿por qué tiene que morir en la cruz? ¿Por qué Dios ha permitido morir en esa cruz? Porque es fundamental, es el centro de nuestra historia, como dice San Pablo. Hay que aceptar esa cruz. No es fácil porque todos queremos la buena vida, es decir, vivir bien, no tener enfermedades, no sufrir. Y el Señor te ayuda a llevar esa cruz. Por eso, murió Él en esa cruz. Este es el punto de encuentro entre Dios y el hombre”.


Cottolengo: inspiración en el compartir
A Alfonso del Corral le inspiran las personas con vocación a compartir y aliviar el sufrimiento, como el Padre Alegre y sus Cottolengo (www.cottolengopalegre.org). Le inspira también la confianza de estas instituciones en la Providencia: “ellas no pueden pedir. Y eso comporta que hay noches que no hay nada que comer”.


También le emocionan muchos enfermos del Cottolengo que anuncian que rezarán por él. “Cuando vuelvo, claro, luego en el coche, lloro a moco y baba. Aquello es Evangelio, sin matices, sin frases hechas, sin tópicos, sin nada. No sé, es verdadero y auténtico. No son perfectos, claro, ni las monjas, ni los enfermos, naturalmente. Pero, aquello es extraordinariamente maravilloso y, como eso, hay mucho en el mundo”.


Cuando has perdido un hijo
A menudo hay personas que le piden palabras para consolar a padres que han perdido un hijo. Pero no hay consuelo humano y menos con palabras, aunque sí dolor compartido y esperanza en Cristo.


“Yo solo les puedo decir que les quiero, que sé perfectamente lo que están pasando. Que es un dolor horroroso, que no es humano, que no se puede aceptar porque humanamente es inaceptable y, que yo, desde aquí, les diría que rezo por ellos. Ya sé que ellos no quieren eso ahora. Y que, si pudiera, les abrazaría. No hay frases ni tópicos. No soy quien para darles un consejo: solo les puedo decir que Cristo vive, que hay esperanza. Que es inaceptable y que ahora mismo no tendrán ni fuerzas y, por tanto, que no me vengan con tópicos ni con frases hechas. Pero que el Señor está ahí, que el Señor está esperándoles con su niño ahí, en el Cielo. Y eso lo creo profundamente. Que tengan esperanza. Y que si tienen un poquito de fe, que recen, que recen mucho. Que la oración es tremenda. Y que apuesten por la vida, que el Señor les devolverá ciento por uno. Que sigan amando, que sigan apostando por la vida. Que si pueden tener hijos, que tengan hijos. Que cada hijo es un regalo inmenso de Dios”.


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