Confusão significa mistura, falta de ordem e clareza, engano, indistinção entre isto e aquilo, uma "babel” sem sentido. Em tempos repetia-se na catequese e nas conversas de Igreja, com algum humor e verdade, que havia um oitavo sacramento. Para os que ainda se lembram do catecismo os sacramentos da Igreja são sete. Dizia-se, então, que havia mais um, a ignorância. E que esta espécie de receita de misericórdia, a ignorância sem culpa, perdoava mais que os outros sacramentos. Hoje seria melhor chamar confusão relativista ao oitavo. E perdoará? Conversa, sim, conversa não, lá aparece este estado a-mental de dizer isto é gato e cão, ao mesmo tempo, é ovelha e lobo. A linguagem binária dos computadores com os dígitos 0 e 1, sim ou não, verdadeiro ou falso, tudo ou nada, ligado ou desligado, parece não aceitar a confusão da cultura actual; exige mais ordem, não aceita que 0 seja 1, o pólo positivo seja negativo. A linguagem binária não permite dizer sim e não para a mesma coisa, o nim pode ser porta de confusão. Construir com materiais em desordem, confusão e engano provoca o caos, destruição e morte como no viaduto recente caído em Calcutá. Os seres vivos e as máquinas funcionam em linguagem clara de sim ou não. O mito da torre de babel parece muito actual. Não se estará a passar hoje algo de semelhante dando a torre de progresso infindo na confusão destruidora actual? Torre até ao céu, diz a Bíblia, até ao lugar de Deus para o substituir e logo a confusão de sentidos. As torres da cultura actual pretendem excluir Deus, o criador de ordem, não de confusão e de caos. Chamar positivo ao negativo, bem ao mal, ameaça a cultura do sentido nas Américas, Europas, nos países de extremismos muçulmanas e outros. A babel alastra, oprime e mata. Deixou de haver a clareza do sim, sim, não, não, da Pedra Angular (cf At 4,11), rejeitada pelos construtores de cultura actual, Ele pediu que a nossa linguagem fosse clara, sim, sim e não, não. O resto é hipocrisia e corrupção. O Daesh tem fornecido campo farto para confusão entre religião e terrorismo. E logo vem a confusão nos países com histórias cristãs a clamar mate-se a religião, toda a religião, fiquem só os deuses humanos, secularizados, “bons vivants” à mistura com os demónios. Ainda agora por ocasião dos massacres de cristãos no Lahore, Paquistão, (cf Aleteia, 29.03.2016) vieram exemplos estúpidos e anónimos desta babel: o massacre “é uma prova cabal de que Deus não existe“; “os religiosos têm que se matar entre si até morrerem todos“. Política de falsos ateus e de falsos crentes contra autênticos crentes e autêntica religião. A babel da confusão pretende que as religiões devem acabar numa sociedade moderna por serem terroristas. Será para dizer que todos os outros terrorismos de mentira, violência e morte de laicismos ateus da história centenária são para branquear? Trás mais benefícios erradicar toda a expressão religiosa da cidade que respeitar a liberdade religiosa dos cidadãos e as suas expressões e valores? Parece haver tanta confusão nos políticos fanáticos de um lado como nos fanáticos anti-religiosos deste ocidente insano a construir uma cultura global decadente e corrupta com fragmentos confusos e caóticos. A misericórdia neste dia poderá branquear todas as ignorâncias culpadas, todas as confusões cultivadas pelos césares deste mundo, todos os ódios, para destruir a criação de Deus misericordioso? Não sei.
Funchal, Dia da Misericórdia, 3 de abril de 2016
Aires Gameiro
Aleteia, 29.03.16
Russell E. Saltzman é colunista da First Things; vive em Kansas City, Missouri. Seu Twitter: @RESaltzman. diz
Aleteia, 29.03.16
Russell E. Saltzman é colunista da First Things; vive em Kansas City, Missouri. Seu Twitter: @RESaltzman. diz
Mas não é somente pela decepção como luterano que estou me tornando católico. Há uma convicção por trás disso.
1) Alguns dos meus trabalhos no seminário, por volta do final de 1970, foram feitos no Pontifício Colégio Josephinum em Ohio. Eu tive aulas de Sacramentologia e Estudos Marianos, ministrados por dois jesuítas da velha escola. Encontrei-me em uma sala de aula, um luterano solitário, cercado por uma horda de seminaristas salesianos. Foi emocionante.
O que me impressionou foi o quão perto luteranos e católicos realmente estão em doutrinas básicas e nas respectivas formulações teológicas. Nós – romanos e luteranos – fazemos teologia da mesma forma, e, possivelmente, de uma maneira que ninguém mais faz. Prestamos muita atenção às nossas palavras. Cada palavra é pesada e comparada com palavras alternativas que possam ser usadas, mas apresentam menos precisão. Precisão na formulação, ao que parece, vai nos manter fora do inferno teológico, e se as palavras exactas não são exactamente palavras adequadas, bem, não duvido, todos nós estamos certamente condenados.
Quando você pensa sobre isso, é realmente uma abordagem muito charmosa. Isso também significa que, quando luteranos e católicos sentam juntos, eles têm uma linguagem comum e falando isso juntos muitas vezes resulta em coisas surpreendentes, como em 1999, com a doutrina da justificação.
No nível paroquial, não há confluência na forma como católicos e luteranos são. É aquela coisa da densidade eclesial que mencionei: os católicos têm, luteranos não.
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