quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

“Uma mensagem viva de Amor e Misericórdia”

“Glória a Deus nas Alturas e, na terra paz aos homens”... Anunciam os Anjos aos Pastores, em Belém, na noite de Natal!

Neste mistério que celebramos, Mistério da Encarnação de Jesus Cristo, Deus manifesta-nos que a sua entrega aos homens não tem limites. Ao nascer em Belém de Judá, Jesus revela um Deus oculto na pequenez, que se deixa vencer, rebaixando-se à mais completa fragilidade.

Faz-se pequeno e pobre, ocupa o lugar de uma criança, o último lugar...

Chega disposto a compartilhar as nossas necessidades e as nossas dores!

Vem, “para que tenhamos vida e vida em abundância”...

Assim, Jesus Cristo oferece a todos uma vida nova, um dom que consiste em uma nova amizade com Deus. Não exclui, não marginaliza ninguém. Os pobres e os desprezados, sentem-se acolhidos; sentem que terminou o tempo da solidão, da vergonha, da humilhação; recuperam a dignidade que julgavam perdida.

Jesus ao fazer-se amigo das crianças e dos pobres, identifica-se com eles. “Todas as vezes que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).

É a lógica do amor: Deus que é a própria Grandeza, Beleza e Poder, oculta-se naquilo que é menor, mais frágil, mais sofrido; ensina-nos que a lógica do amor é diferente da lógica da razão ou do poder: mostra-nos que amar é colocar-se disponível, ao alcance do outro... “ Vinde a Mim, vós todos que estais sobrecarregados e aflitos com o peso do fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28).

Na sua passagem pela terra, Jesus não só cura os corpos dos que sofrem alguma enfermidade, como perdoa os pecados daqueles que se manifestam arrependidos. Revela-nos a alegria de Deus ao perdoar. A parábola da ovelha tresmalhada, dá-nos a conhecer a felicidade do pastor que recupera o seu animal... Ao encontrá-la, leva-a feliz, sobre os ombros...

Revela-se como pai misericordioso na história do filho pródigo. Quando o pai vê o filho sujo, fraco e andrajoso, a voltar para si, corre a abraçá-lo, sem julgá-lo, ou censurá-lo. Apenas quer recuperá-lo, voltar a viver com ele. Esse desejo apaga as feridas do sofrimento que o jovem lhe causou.

É assim o amor de Deus pelos homens. Desce dos céus para libertá-lo da sua culpa e da sua miséria. Um amor misericordioso e gratuito que desafia o nosso amor contrito e agradecido.

Veio para servir. Prestou-nos o máximo serviço com a sua morte na Cruz, redimindo-nos, ultrapassando todas as expetativas humanas. “É escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1 Cor 1, 23).

Deus, na pessoa de Jesus Cristo, põe-se de joelhos enquanto lava os pés aos apóstolos! Já crucificado, deixa-se atacar e injuriar. É um escândalo… o inverso do nosso mundo; uma mensagem de amor!...

A sua descida inicia-se quando toma a natureza humana, manifesta-se claramente no lava-pés e culmina na Paixão e Morte. “Vimos a sua glória” (Jo 1, 14), exclama S. João, referindo-se principalmente à glória da cruz. Não há dúvida: a glória de Deus é o amor!

Glória a Deus no Céu e na Terra

Dar glória a Deus nas alturas, como cantam os Anjos em Belém, mas também na terra, não é apenas uma forma de expressão. É um estilo de vida completamente novo, para que Deus nos convida. Convida-nos a entrar no seu Reino não apenas depois da morte, mas aqui e agora. Para aqueles que compreendem este chamamento, a união com Cristo chega a ser mais importante que qualquer outra coisa. É uma experiência maravilhosa que liberta de qualquer tipo de opressão!

Assim, no tempo e no espaço que agora ocupamos, podemos antecipar a realidade do Reino de Deus. Podemos converter a nossa vida em um “ensaio geral” daquilo que faremos por toda a eternidade: deixar transparecer o amor, a bondade e a misericórdia divinas. Dar glória a Deus na terra é descobrir, viver e comunicar, desde já, a Felicidade verdadeira!

O sentido do mistério de Belém, da encarnação de Deus Filho que se fez uma criança desvalida poderia ser resumido assim: “Deus chama-nos à sua própria bem-aventurança” (Catecismo da Igreja Católica, n.º 1719). Por isso, o Anjo diz aos pastores: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, Senhor. Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoira” ( Lc  2, 11 ).

E o exército celeste junta-se ao Anjo e a cada um de nós: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!”

Maria Helena Marques
Prof.ª Ensino Secundário








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