quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Noite de Natal

“Na família, é necessário usar três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave. Quando numa família não somos invasores e pedimos “com licença”, quando na família não somos egoístas e aprendemos a dizer “obrigado” e quando na família nos damos conta de que fizemos algo incorrecto e pedimos “desculpa”, nessa família existe paz e alegria. Não sejamos mesquinhos no uso destas palavras, sejamos generosos repetindo-as dia-a-dia, porque «pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos. Pelo contrário, as palavras adequadas, ditas no momento certo, protegem e alimentam o amor dia após dia.”

Venceu-me o cansaço e acabei por adormecer mas martelavam na minha cabeça estas palavras do ponto 133 do “Amoris laetitia” do Papa Francisco. Este ponto serviu-me para fazer o exame da noite e talvez por isso tivesse um sonho que me levou a Belém da Palestina. No meu sonho, vagueei pelas ruas e vi um casal que me pareceu jovem e que conversavam apesar de terem um ar ainda mais cansado do que eu. A rapariga estava sentada num burrinho que o jovem, que se chamava José, conduzia. Não resisti e escondi-me para ouvir a conversa, pois apercebi-me que ele pedia desculpa àquela que era a sua mulher. Prestei mais atenção e reparei que estava grávida. Ele pedia desculpa pois não conseguira encontrar alojamento e o filho que esperavam não tardaria a nascer. Todos lhes fecharam as portas e ninguém quis ajudá-los. Maria, assim se chamava a jovem, respondia e dizia que só tinha de agradecer todo o desvelo que o marido lhe prestara na viagem, que fora longa pois vinham de Nazaré.

- Não te preocupes José, pois Deus providenciará, nunca nos faltou e nunca nos faltará ainda que tudo aponte o contrário.

- Olha, vamos procurar aquela gruta de que nos falaram. 

Não resisti e apresentei-me.

- Perdão, ouvi a vossa conversa e gostaria de ir convosco se me permitirem acompanhá-los. Gostaria tanto de vos ajudar, embora seja um pouco desajeitada.

A resposta foi um sorriso maravilhoso de ambos, acompanhado de um muito obrigado.

Encontramos a gruta onde estavam uma vaca e um burrinho e ajudei José a improvisar um berço na manjedoura dos animais.

Chegou a meia-noite e tive o privilégio de viver a noite mais maravilhosa de toda a minha vida: parecia que todas as estrelas do firmamento se concentraram sobre aquela gruta. Acompanhando aquele espectáculo de luz um coro de anjos cantava “ Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. Pedi a Maria que me deixasse embalar o Menino e apertei-O contra o meu coração. Vieram pastores e pastoras cheios de presentes e enquanto me comprazia com aquela festa em família, pensei que todas as festas dos poderosos não tinham o esplendor daquela noite de Natal.


Maria Teresa Conceição
professora aposentada








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