
Bispos europeus
7MARGENS | 30/03/2025
Os bispos europeus, reunidos em assembleia plenária em Nemi (Itália), reconhecem “nestes tempos incertos” “a necessidade de uma União Europeia forte, capaz de proteger, não apenas os seus cidadãos, mas também os valores que defende”, mas lembram que “a vocação original da UE é ser um projeto de paz”, por isso “quaisquer investimentos necessários, proporcionais e adequados para a defesa europeia não devem ser feitos à custa dos esforços de promoção da dignidade humana, da justiça, do desenvolvimento humano integral e do cuidado com a criação”.
O comunicado final da reunião que se teve lugar entre 26 e 28 de março sublinha ainda que essenciais “para evitar uma perigosa corrida armamentista que não serviria a causa da paz, mas apenas interesses comerciais”, são essenciais “mecanismos de controlo eficazes e um compromisso firme com a diplomacia”. Os bispos pedem mesmo que “não enfraqueça o compromisso histórico da UE com a solidariedade, especialmente com as regiões mais vulneráveis do mundo, bem como com aqueles que sofrem de pobreza ou que buscam refúgio” na Europa.
Sem referirem o novo posicionamento político de Washington, os bispos, representando as conferências episcopais dos 27 Estados-membros, reconhecem “os esforços da UE para aumentar sua competitividade e sua capacidade de ação autónoma em resposta às mudanças atuais na economia global e em termos geopolíticos”, mas instam a que “essas iniciativas não comprometam a credibilidade da UE como líder global na promoção de direitos humanos, da justiça social e da sustentabilidade ambiental”.
Olhando diretamente para o que se passa no seu continente, os prelados referem “a guerra em curso contra a Ucrânia e a incerteza enfrentada pelo povo ucraniano à luz dos recentes desenvolvimentos geopolíticos são um lembrete particularmente trágico (…) do aumento da tensão global, fomentado pelo crescente isolacionismo e pelo aprofundamento das fissuras, que corrói o multilateralismo e enfraquece os princípios democráticos”, originando “uma competição implacável e confrontos violentos, frequentemente em flagrante violação do direito internacional”.
No início dos trabalhos, na quarta-feira 26 de março, assembleia ouviu o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, dizer que perante as crises que a Europa enfrenta “o diálogo continua a ser o único caminho viável” e, alertando contra políticas nacionalistas, exortar os líderes políticos a “porem de lado as divisões e barreiras ideológicas” em favor desse mesmo diálogo. No dia seguinte, os bispos ouviram Mario Monti, ex-primeiro-ministro da Itália e ex-comissário europeu para o Mercado Único e a Concorrência abordar o difícil futuro das relações transatlânticas e os importantes desafios da competitividade económica.
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