Confirmada pela Santa Sé, a reunião foi considerada “positiva” e com “bom entendimento”
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| Foto: wikipedia |
No último sábado, 30 de Março, o papa Francisco recebeu no Vaticano
dom Bernard Fellay, superior geral e sucessor de dom Marcel Lefebvre na
Sociedade de São Pio X. A notícia foi divulgada pelo jornal italiano Il
Foglio e confirmada nesta manhã pelo vice-director do Gabinete de
Imprensa do Vaticano, Greg Burke.
Em Dezembro de 2013, o site Rorate Caeli tinha noticiado um encontro
entre o papa e o superior geral em Santa Marta. Na realidade, foi uma
breve saudação no refeitório da casa vaticana onde mora o papa, durante
uma visita a Roma do superior geral, a pedido da Comissão Ecclesia Dei.
Já a reunião deste sábado foi uma conversa real entre Francisco e
Fellay, decididamente “positiva”, conforme relatado pelo jornal Il
Foglio, que também fala de “bom entendimento” entre eles.
| Padres lefebvrianos no Vaticano |
O superior dos lefevbrianos, em recente entrevista publicada no site
da fraternidade, se mostrava aberto ao diálogo e destacava o seu apreço
pelo pontífice. Disse Fellay:
“Eu não ficaria surpreso se ele nos considerasse uma das periferias a
que claramente dedica a sua preferência. Nessa perspectiva, ele usa a
expressão ‘fazer um percurso’, esperando que se chegue a uma situação
melhor”.
Francisco já tinha realizado um gesto de proximidade ao conceder aos
católicos a faculdade de confessar-se também com sacerdotes lefebvrianos
durante o Jubileu. O Santo Padre disse ainda:
“Eu confio que, no futuro próximo, poderão encontrar-se as soluções
para recuperar a plena comunhão com os sacerdotes e superiores da
Fraternidade. Enquanto isso, movido pela necessidade de corresponder ao
bem desses fiéis, por minha própria disposição estabeleço que, durante o
Ano Santo da Misericórdia, aqueles que recorrerem ao Sacramento da
Reconciliação junto aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X receberão
válida e licitamente a absolvição dos seus pecados”.
A decisão foi muito apreciada em Ecône, onde está sediada a
fraternidade. Esta, em comunicado, expressou a sua gratidão ao papa “por
este gesto paternal”. O encontro deste sábado, segundo vários
especialistas, é mais um passo para o reconhecimento canónico da
fraternidade por parte da Santa Sé. A forma seria a de uma prelatura
estabelecida ad hoc, a exemplo do Opus Dei.
Fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre em 1970, em ruptura
com as conclusões do Concílio Vaticano II, a Fraternidade Sacerdotal de
São Pio X foi excomungada latae sententiae em 1988 por João Paulo II,
quando Lefebvre consagrou quatro bispos em Ecône, entre eles o próprio
Fellay.
A excomunhão foi revogada em Janeiro de 2009 por Bento XVI, em gesto
histórico voltado a iniciar um diálogo com os lefebvrianos a fim de se
chegar, um dia, à sua plena reintegração.
“Com esta medida, no entanto, a Fraternidade ainda está em posição
irregular, porque não recebeu o reconhecimento canónico da Santa Sé”,
explica Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.
Enquanto a fraternidade não tiver estatuto canónico na Igreja, seus
ministros não exercem de modo legítimo o ministério e a celebração dos
sacramentos.
Após o levantamento da excomunhão, começou uma série de reuniões
entre especialistas da Congregação para a Doutrina da Fé e da
fraternidade para discutir e debater as questões doutrinais subjacentes à
controvérsia com a Santa Sé. Entre elas, principalmente, a relação
entre a tradição e o magistério, o ecumenismo, o diálogo
inter-religioso, a liberdade religiosa e a reforma litúrgica no contexto
do ensinamento do Vaticano II. “Estes encontros, que duraram cerca de
dois anos, tornaram possível esclarecer as posições teológicas e
destacar os pontos de convergência e divergência”, afirma Pozzo.
Em 23 de Setembro de 2014, dom Fellay e o cardeal Gerhard Ludwig
Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, examinaram
algumas questões doutrinais e canónicas e estabeleceram proceder por
etapas para superar as dificuldades e chegar à plena reconciliação.
in

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