quarta-feira, 8 de março de 2017

«Terras sem Sombra»: Música sacra no Alentejo é um meio de «abertura para o mistério da fé»

Foto Arlindo Homem/AE, Festival Terras Sem Sombra, Odemira
Padre Manuel Pato, pároco de Odemira, considerou o concerto de música portuguesa de invocação mariana um «átrio» de evangelização

Odemira, 06 mar 2017 (Ecclesia) – O pároco de Odemira considerou o concerto de música de inspiração mariana dinamizado pelo Festival ‘Terras sem Sombra’ na igreja matriz de São Salvador “um momento de anúncio” e de evangelização.

“Pela música passa a palavra. Na palavra passa o mistério que a música sacra, sobretudo a que aqui foi transmitida faz viver e notou-se essa abertura a muita, muita gente que não digo que não tenha fé mas no fundo não a vive e não a pratica”, disse o padre Manuel Pato à Agência ECCLESIA.

Na igreja matriz de São Salvador, após o concerto de música portuguesa de invocação mariana dos séculos XVI, XVII e XVIII, o sacerdote explicou que tinha acabado de se assistir a um momento de “anúncio” no tempo da Quaresma e no âmbito do centenário das Aparições de Fátima.

“Especialmente chegando aquelas gentes, aqueles povos, que habitualmente não entram dentro desse mistério sobre a Palavra mas que se abre a partir da música para esse dinamismo também de evangelização”, desenvolveu o sacerdote.

O Festival «Terras sem Sombra» é dinamizado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja.

A organização promoveu um concerto com o recém-fundado ensemble ‘Polyphonos’ que revisitou música portuguesa de inspiração mariana dos séculos XVI-XVIII, alguma produzida por autores nascidos no Baixo-Alentejo.

O diretor artístico do concerto explicou que o espetáculo de inspiração mariana surgiu no contexto do Centenário das Aparições em Fátima mas escolheu ainda músicas para assinalar os 300 anos da elevação da Diocese de Lisboa a Patriarcado.

Segundo José Bruto da Costa privilegiaram “apenas e só peças que fossem orações a nossa senhora” e destacou o ‘Sancta Maria’, antífona do Magnificat de Estêvão de Brito.

“Não é muito musicado e evoca a parte cimeira da sociedade mas ainda assim é um texto muito democrático para a época clamando pelas preces de Nossa Senhora às diversas pessoas na sociedade”, disse à Agência ECCLESIA.

O barítono e musicólogo realçou também o ‘Stabat Mater’, de João Rodrigues Esteves, um texto que fala da “dor de Maria perante a dor do filho crucificado” e é “bem-disposto, animado”.

“Foi um desafio que foi abraçado com muito entusiasmo e pela reação do público gostaram”, acrescentou José Bruto da Costa.

A soprano Raquel Alão explicou que o ensemble nasceu de um convite da organização do festival e quis levar a Odemira os amigos com quem faz “música há muito tempo”.

“Fiquei profundamente satisfeita com o concerto, com a forma como decorreu, com o trabalho que fizemos”, analisou Raquel Alão à Agência ECCLESIA.

Segundo o diretor artístico do Festival ‘Terras sem Sombra’, Juan Ángel Vela del Campo, o concerto de polifonia deste sábado, 4 de março, foi “muito importante” porque para além de ser de “música portuguesa” foi “bem interpretada”, dos cantores aos instrumentistas, por “um grupo jovem”.

Para o pároco de Odemira os concertos na igreja, sobretudo no Alentejo, proporcionam também a abertura “à sensibilidade para os monumentos”.

“É um património que é de todos, está à guarda da Igreja que preserva mas todos têm uma responsabilidade na sua intervenção e conversação”, referiu o padre Manuel Pato.

A 13.ª edição do festival ‘Terras sem Sombra’ intitulada ‘Do espiritual na arte – Identidades e práticas musicais na Europa dos séculos XVI-XX’ esteve este sábado e domingo, dias 4 e 5, em Odemira, vai passar ainda por mais seis municípios terminando pelas 18h30 de 1 de julho, no Centro de Artes de Sines.

CB

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