Afirmação foi feita na homilia da Missa que assinalou os 100 anos da dedicação da catedral diocesana
“Vivemos tempos em que os princípios fundamentais da liberdade de consciência são postos em causa, e a tentativa de regulamentar e eventualmente limitar ou suprimir este direito atinge não apenas a dignidade dos profissionais de saúde, mas de toda a sociedade que se quer livre”, disse D. Fernando Paiva, este domingo, na Sé.
O bispo de Beja explicou que a objeção de consciência é um direito fundamental, “que protege a integridade moral e ética dos indivíduos” e que garante e protege “a liberdade de consciência”, sendo a negação deste direito “um atentado à liberdade e um gravíssimo retrocesso civilizacional”.
“Numa sociedade justa e livre deve haver espaço para a pluralidade e para o respeito da dignidade de todos os cidadãos. Como comunidade cristã e consequentemente como defensores e promotores da paz, da liberdade e do bem, não podemos ficar em silêncio perante as ameaças, que procurando impor a lógica do pensamento único, tentam desvirtuar este pilar essencial da nossa convivência social.”
D. Fernando Paiva afirmou que hoje, como no passado, “a Igreja é chamada a ser um sinal de esperança e de liberdade num mundo que alguns tentam silenciar vozes e consciências”, e, neste contexto, alertou para o “tema sensível e atual” da objeção de consciência “especialmente no contexto da prática médica” relativamente ao aborto.
A Diocese de Beja celebrou os 100 anos da ereção canónica da sua catedral e, segundo o responsável diocesano, “a Sé é também um sinal de liberdade”, um lugar onde todos os filhos de Deus são chamados “a viver na liberdade plena que Cristo concedeu”; e recordou a coragem de D. José Patrocínio Dias “em erguer um testemunho de fé em tempos difíceis”.
“A Catedral, como Igreja Mãe da Diocese, é revestida de uma profunda força simbólica que transcende o edifício em que nos encontramos. É, antes de tudo, um marco espiritual, um ponto de referência que congrega e une toda a comunidade eclesial diocesana. O seu papel enquanto centro litúrgico e espiritual faz dela o símbolo mais evidente da unidade do Povo de Deus.”
“A caridade cristã é mais que uma mera filantropia, entendida à maneira do mundo. Já se faz muito bem e dou graças a Deus tanto empenho e generosidade que vou vendo, mas ouso dizer como S. Paulo, tratai de progredir ainda mais neste serviço de bem-fazer dirigido à pessoa humana na sua totalidade”, desenvolveu, na tarde deste domingo.
D. Fernando Paiva terminou a sua homilia a desejar que a Sé de Beja “continue a ser um sinal de comunhão, liberdade e esperança para todos, hoje e sempre”.
O Papa Francisco concedeu a Indulgência plenária nas condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre) e a sua bênção a quem participou na celebração deste Jubileu da Catedral de Beja.
CB/PR
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