Coroação Pontifícia
de Nossa Senhora da Soledade
O Natal aproxima-se a passos largos. Este ano a reunião familiar será em minha casa face à doença Sars-Cov-2 e às suas restrições. Pela minha mente passaram os bons momentos vivenciados na belíssima Vila de Mafra nesta época natalícia. Não me canso de admirar a beleza da basílica de Nossa Senhora e de santo António inserida no Real Palácio Nacional de Mafra, as suas magníficas obras de arte, todo o seu vastíssimo património histórico-cultural. O Real Convento da Ordem de S. Francisco, a biblioteca, o Paço, os famosos carrilhões da Basílica recentemente restaurados, as procissões com andores alusivos a diferentes momentos da vida de Jesus levadas a cabo com a ajuda da Real Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra que, com muito empenho e dedicação, se esforça por conservar e promover o património que lhes foi confiado.
Sou testemunha dessa dedicação
uma vez que já me foi dado observar e narrar através de diferentes artigos sobre
vários eventos que promoveram. Irei também para contemplar o presépio da
Basílica, do Palácio e da Vila, bem como a Árvore de Natal, colocada em frente
à Basílica. Um verdadeiro sinal de esperança para os mafrenses e para todos que
os forem admirar ajudando a recriar um ambiente de Natal, conjuntamente, com as
projeções luminosas promovidas pela Câmara Municipal, que dão cor ao Real
Edifício de Mafra.
Recordo que o Papa Francisco afirmou
que a festa de Natal nos lembra que Jesus é a nossa paz, a nossa alegria, a
nossa força, o nosso conforto. Para acolher estes dons da graça, precisamos de
nos sentir pequenos, pobres e humildes como as personagens do presépio. “Também
neste Natal, no meio do sofrimento da pandemia, Jesus, pequeno e indefeso, é o
“Sinal” que Deus doa ao mundo. Sinal admirável, como indicia a Carta Apostólica
Admirabile signum, que o Santo Padre aconselha
a ler nestes dias, sobre o Presépio, representando o acontecimento da
natividade de Jesus, anunciando com simplicidade e alegria o mistério da
encarnação do Filho de Deus.
Armar o Presépio ajuda-nos a
reviver a história sucedida em Belém… ajuda a estimular os afetos, convida a
sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento
que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais.
Desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a “sentir” e “tocar” a
pobreza que escolheu o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim,
implicitamente um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza,
do despojamento, que parte da manjedoura em Belém e leva até à Cruz, e um apelo
ainda a encontrá-Lo e servi-Lo com misericórdia nos irmãos e irmãs mais
necessitados.
E precisamente no terceiro
domingo do Advento, domingo da Alegria, Gaudete:
“Alegrai-vos sempre no Senhor”, Exultai de Alegria: o Senhor está perto”, eis chega
uma BOA NOVA para a Basílica de Nossa Senhora e de Santo António que certamente
dará muita alegria não só aos mafrenses bem como a todos os portugueses e aos que
muito contribuíram para que se tornasse uma realidade, em particular a Real
Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra que, com júbilo, comunicou, a
concessão da sublime graça da Coroação Pontifícia de Nossa Senhora da Soledade
custodiada por esta Irmandade.
Sua Santidade o Papa Francisco
concedeu a sublime graça da Coroação Pontifícia da Veneranda Imagem de Nossa
Senhora da Soledade da Real Basília de Mafra. Este reconhecimento, por parte da
Santa Sé, da devoção à Santíssima Virgem presente na veneranda imagem da
Soledade da Real Basílica de Mafra, com o propósito de estender a todo o orbe
católico a importância deste título mariano e o seu culto, fortalecendo assim a
piedade cristã. O ato de coroar Nossa Senhora é o de reconhecer que Ela é
rainha da Igreja, de Portugal, das nossas vidas. Assim se ligam ainda mais dois
motivos tão essenciais da Basílica – a devoção mariana e a fidelidade ao
Sucessor de Pedro“. (Mensagem do Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa).
É um acontecimento memorável para
Portugal e para Mafra. A partir de agora passam a existir em Portugal três
imagens de Nossa Senhora coroadas canonicamente “em nome e com autoridade do
Sumo Pontífice”, Nossa Senhora do Sameiro em Braga, Nossa Senhora de Fátima e
agora a Nossa Senhora da Soledade em Mafra. Constitui um verdadeiro sinal da
realeza de Nossa Senhora nesta hora difícil que vivenciamos no nosso país, que
desde a sua fundação é chamado “terra de Santa Maria” em que a mais bela das
coroas que se pode oferecer à Virgem é que os seus filhos, assumidos como tal
no Calvário, meditem na solidão da dor de Mãe aos pés da Cruz do Redentor
crucificado, amando-a e imitando-a.
Para a Real e Venerável Irmandade
do Santíssimo Sacramento de Mafra a receção desta graça constitui certamente um
renovado incentivo no caminho a percorrer até à data da Coroação de Nossa
Senhora da Soledade, bem como no incremento do culto da Santíssima Virgem a
quem a Real Basílica de Mafra foi dedicada no ano 1730.
Senti-me muito feliz e emocionada.
Tinha tido oportunidade de participar na cerimónia em que se deu a conhecer o
novo e belo vestido de Nossa Senhora da Soledade, e de escrever sobre ela.
Felicito do fundo do coração a Real Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra,
a Paróquia onde está sediada e todos os mafrenses. Que seja um verdadeiro
contributo para levar luz, esperança, bem como a Palavra que salva, ilumina e
reconforta os nossos corações.
Nossa Senhora da Soledade da Real
Basílica de Mafra, rogai por todos nós especialmente nestes tempos conturbados!

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