Enquanto compunha mais uma vez as figuras da Sagrada Família, dado que a minha neta insistia em brincar com o Menino Jesus que, segundo ela, ‘precisava de amor e de carinho porque tinha acabado de nascer’, ouvi num canal televisivo o testemunho de uma idosa que, muito sofrida, contestava o argumento de um economista que aconselhava vivamente os ouvintes, certamente com muito boas intenções, a fazerem algumas poupanças.
“Com uma pensão muito reduzida, com o marido doente, alguns dos filhos desempregados, os parcos euros que recebia não davam para se sustentarem, nem sequer para comprarem os medicamentos de que precisavam. Acrescentava ainda que, antigamente, nesta época natalícia, ainda recebia o subsídio de Natal (agora em duodécimos) que constituía um apoio para as despesas com a Consoada e algumas prendas simbólicas para os netos. Ninguém lhe perguntou se era assim que ela queria. A vida, já constituía diariamente um enorme sacrifício para a enfrentar e ultrapassar. Como é que do nada, se pode retirar algo para poupar”?
O testemunho desta idosa fez-me cair uma lágrima, perante o seu sofrimento, dando-me o mote para a narrativa. Existe, na realidade, alguma falta de sensibilidade, da economia versus pobreza. Não consiste de todo uma crítica, mas sim uma chamada de atenção para a adequação do discurso, quando as necessidades de quem mais precisa, são uma realidade no nosso país, certamente, também de alguns cidadãos que, talvez, nem sequer tenham voz para fazer valer os seus direitos humanos. A economia foi criada para servir o homem e não o contrário.
Este pensamento avivou-me a memória, recordando-me que nos dias 12 a 15 de Dezembro, teve lugar em Nova Iorque na sede das Nações Unidas a 7ª Reunião do Grupo de Trabalho para o Envelhecimento. Pesquisei um pouco, já que não me tinha sido possível participar, tendo encontrado algumas comunicações que davam ênfase no que diz respeito aos direitos dos idosos. Com agrado constatei que a União Europeia e os seus Estados Membros se empenharam com entusiasmo nesta discussão, a nível mundial.
Entre outros assuntos, foi abordada pelos diversos oradores a discriminação relativa à idade, à violência, ao abuso contra as pessoas idosas, à dificuldade no acesso aos Serviços de Saúde, aos Cuidados Paliativos, aos Serviços Sociais, à Educação, ao Trabalho, à Justiça Social, bem como a outros serviços considerados essenciais.
O reconhecimento dos direitos das pessoas idosas constitui uma questão inadiável, sendo que, as políticas públicas devem assegurar o acesso aos direitos dos idosos, chamando ainda a atenção, de que a população com mais de 60 anos tende a aumentar a um ritmo cada vez maior, com novas e crescentes necessidades em matéria de segurança social, saúde, trabalho, educação, participação social e política.
Voltei ao momento presente, recordando, que todos precisamos de humildade para continuarmos a desenvolver mais esforços, no sentido de promovermos a proteção das pessoas idosas, sendo que o próximo passo, deverá ser constituído, por nos focarmos em medidas concretas ao nosso alcance, que possam melhorar a situação de cada um.
E Jesus diz: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Humildade é algo vivo e profundamente sentido, pois significa “reconhecer-se pouca coisa diante de Deus: criança, filho”, porque a pequenez da criança,… vibra em obras de fé, de esperança e de amor. É um sentir que bate em nós com mais força o coração, o ter pressa em amar, porque todo o espaço de uma existência é pouco para alargar as fronteiras da tua caridade… Chegou a hora de, no meio das tuas ocupações habituais, exercitares a fé, despertares a esperança, avivares o amor. (S. Josemaria, Amigos de Deus).
Enquanto finalizava o artigo, ouvi num canal de televisão que, neste ano de 2017, os pensionistas recebem metade do subsídio de Natal. A outra metade continuará a ser recebida em duodécimos para não sentirem tanto a diferença no montante auferido na pensão mensal. As chamadas de atenção vão produzindo os seus frutos…
| Maria Helena Paes |
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