sexta-feira, 25 de maio de 2018

Voluntárias em Verão Africano

“Muitos de nós vivemos numa vida tão confortável que por muito que nos toquem as condições sub-humanas em que muitas pessoas vivem, podemos sempre mudar de canal ou virar a página que deixamos de ver aquele sofrimento e continuamos a viver a nossa vida” (Susana, voluntária no Projeto Cabo Verde 2018). É com o objetivo de contrariar esta mentalidade que 60 universitárias portuguesas se estão a preparar para o Projeto Cabo Verde (PCV) 2018, um “projeto de voluntariado desenvolvido por estudantes universitárias e jovens profissionais que procura promover através das suas atividades (em áreas como a saúde, educação e ambiente) a dignidade humana, a preocupação pelos outros e pela melhoria da sociedade e o sentido de serviço do próprio trabalho” (site: http://projectocaboverde.wixsite.com/projetocv). Este ano as atividades no terreno decorrerão na Cidade da Praia, entre 24 de julho e 4 de agosto. Tal como refere Susana, a atuação “tem por base o sábio provérbio chinês: «Se vires um homem com fome não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar» isto porque nós vamos apenas por 20 dias e eles continuam lá os restantes 345 dias do ano”. Muito consciente da limitação temporal do projeto, Andreia, aluna do 6º de medicina e voluntária acrescenta ainda: “A nossa expectativa não é a de mudar a realidade com que nos iremos deparar (…), mas sim servir (no sentido lato da palavra) as pessoas que lá vivem, dando sempre o nosso melhor em tudo o que fazemos, seja a prescrever um antibiótico, seja a recolher o lixo das ruas”.

Ainda que assentes sobre as mesmas bases, as motivações para integrar o Projeto Cabo Verde provêm das mais variadas fontes, desde convites feitos por amigas, consultas da página do Facebook (https://www.facebook.com/projetocaboverde/) ou Instagram (https://www.instagram.com/projetocaboverde/?hl=pt) ou mesmo através de testemunhos de outras voluntárias: “bastou olhar para o brilho nos olhos de todas aquelas que já deixam uma parte de si lá (…) (Lara, voluntária no PCV 2018); “Fiquei movida (…) por uma vida completamente dedicada ao voluntariado, uma história que não só me inspirou mas que me fez pensar sobre o que realmente importa na vida” (Rita, voluntaria no PCV 2018).

No entanto, o serviço não começa apenas no dia 24 de julho com o pisar do solo cabo-verdiano. Desde a admissão que todas as voluntárias se sabem integradas no Projeto, com a consciência que este não existe se as mesmas não se mobilizarem para que ele aconteça. Neste âmbito já muitas iniciativas foram postas em curso, desde concertos solidários, a correspondências de pedidos concretos da população cabo-verdiana (através de campanhas como as “Mochilas Solidárias” ou as “Famílias que ajudam Famílias”), assim como as companhas mensais de recolha de géneros e dinheiro, estando as iniciativas ainda aquém das inúmeras necessidades levantadas. Neste sentido, é também feito um apelo para que qualquer um se torne um voluntário nesta causa, ajudando de múltiplas formas o Projeto Cabo Verde 2018. Informe-se e contribua, juntando-se aos que servem.

Teresa Leitão



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