quinta-feira, 10 de maio de 2018

Cultivar o Espírito de Sacrifício a Deus e aos Outros

No passado dia 17 de Março celebrou-se o Dia de São Patrício muito venerado, em particular na Irlanda. Contam-se muitas lendas deste Santo. Em particular, a sua imagem surge sempre associada ao trevo com três folhas, sendo este o modo como explicava e comparava a Unidade existente na Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Três folhas, reunidas num único ramo. Por esse motivo é representado com um trevo que se viria a tornar símbolo nacional. Nasceu na Grã-Bretanha por volta do ano 377 ou 387. Faleceu a 17 de Março do ano 461, em Down, na Irlanda. Diz-se que quando tinha 16 anos foi sequestrado e vendido a um grupo de piratas irlandeses, como escravo, para a Irlanda de onde terá fugido seis anos mais tarde e regressado à sua casa de família. Entretanto ingressou na vida religiosa, tendo regressado anos mais tarde à Irlanda para pregar o Evangelho, tendo sido decisivo para o florescimento da fé cristã na Irlanda. Em cerca de trinta anos converteu centenas de pessoas, muitas delas, homens e mulheres tornaram-se consagrados que partiram, enquanto missionários, para evangelizar o mundo O Rei Leogário da Irlanda converteu-se ao cristianismo, tendo-se convertido, seguidamente, a corte inteira. São Patrício incentivou o Sacramento da Confissão. Fundou uma série de mosteiros nesta ilha, o que a tornaria num centro de difusão do cristianismo e da cultura clássica. As lendas sobre este Santo são incontáveis, entre elas atribui-se a expulsão de todas as serpentes da Irlanda após rezar durante os 40 dias da Quaresma, no topo da montanha Coagh Patrick. A cor verde, por causa do trevo, ficou associada a este Santo que gostava da cor azul, sendo usual as pessoas vestirem-se, no dia de São Patrício, de cor verde. É o padroeiro da Irlanda. Existe uma oração a São Patrício que passo a referir de forma abreviada por ser muito longa. “Levanto-me neste dia que amanhece, pela graça do amor dos querubins, em obediência aos anjos, a serviço dos arcanjos, pela esperança da ressurreição e da recompensa, pelas orações dos Patriarcas, pelas previsões dos Apóstolos, pela fé dos confessores, pela inocência da virgens santas, pelos atos dos bem-aventurados. Levanto-me neste dia que amanhece, pela força do céu, luz do sol, clarão da lua, esplendor do fogo, pressa do relâmpago, presteza do vento, profundeza dos mares, firmeza da terra, solidez da rocha. Cristo guarde-me hoje… Levanto-me neste dia que amanhece, por uma grande força, pela invocação da Trindade, pela fé na tríade, pela afirmação da Unidade, pelo Criador da Criação.

Ao meu pensamento ao procurar algo mais para referir sobre este santo veio-me ao pensamento a cidade de Nova Iorque, onde existe um elevado número de emigrantes de ascendência irlandesa que mandaram edificar a belíssima Catedral de São Patrício (St Patrick´s Cathedral), situada na 5ª avenida, em frente ao Centro Rockfeller. Sempre que me deslocava a esta cidade assistia nesta catedral à Santa Missa. A título de curiosidade, refiro que possuo o apelido Patrício o que agradava imenso aos americanos e irlandeses e que de algum modo fez-me sentir alguma proximidade a este santo. Esta catedral de estilo neogótico é uma paróquia e centro da Arquidiocese de Nova Iorque, constituindo um marco histórico nacional. Começou a ser construída no ano de 1858 (arquiteto James Renwick) tendo sido inaugurada em 1879. Mais de cinco milhões de pessoas visitam anualmente esta catedral que foi igualmente visitada pelo Papa João Paulo II e pelo Papa Francisco. Foi restaurada recentemente ficando ainda mais bonita.

Mudando de assunto, há algum tempo, uma pessoa amiga referiu que tinha colocado uma questão a uma conferencista que se encontrava numa pausa a tomar chá. De imediato, a conferencista colocou a chávena de lado e dedicou a maior atenção ao interlocutor o qual, incomodado por não a ter deixado concluir o chá enquanto se encontrava ainda quente, exclamou: “Por amor de Deus, conclua primeiro o seu chá!” Ao que a conferencista respondeu: “Não se preocupe, sou mãe e enquanto mãe estou habituada a tomar o chá frio”. Esta resposta reflete a doação incondicional das mães e dos pais, que muitas vezes deixam quase de existir em prol do bem dos filhos. Esta pessoa amiga, também comentava que se tornava necessário adquirir recursos e conhecimentos no sentido de se poder ajudar o próximo eficazmente. 

O Papa Francisco aquando da homilia em 19 de Março de 2013, referiu: “Queria pedir por favor a todos quantos ocupam lugares de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos “guardiões” da criação, do desígnio de Deus inscrito na Natureza, sejamos guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas para “guardar” devemos também cuidar de nós próprios. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo da bondade ou mesmo da ternura… cuidar, guardar, requer ser praticado com ternura… que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário, denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura! Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço”. 

As palavras proferidas pelo Papa vieram de encontro ao meu pensamento. Temos o exemplo de Nossa Senhora que dedicou toda a sua vida ao seu filho, Jesus. Santa Maria, esperança nossa, rogai por todos nós, para que possamos cultivar o espírito de sacrifício a Deus e aos outros.

Maria Helena Paes



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